Renan Rosa, candidato do PCO ao governo do DF: não nos solidarizamos com quem disse que vai matar 30 mil

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Na última segunda (10), Renan Rosa, candidato do PCO ao Governo do Distrito Federal, deu uma entrevista ao vivo no programa CB.Poder, do Correio Braziliense, aos jornalistas Ana Maria Campos, Helena Mader e Paulo Silva Pinto.

Renan explicou em linhas gerais a política do Partido. O eixo da campanha do PCO é a luta contra o golpe de Estado em curso no país, centralizado hoje na campanha pela liberdade de Lula e – então – seu direito de ser candidato à Presidência da República.

Esclareceu ainda que o PCO não está coligado com o PT, apoiando a candidatura de Lula de modo independente e incondicional, com sua própria política, e que a chamada “campanha contra a corrupção” é um mote tradicional da direita quando deseja atacar e perseguir a esquerda – como agora acontece.

Aprofundando-se no programa do Partido, Renan explicitou que o ponto fundamental da campanha do PCO é defender um governo completamente controlado pelos trabalhadores, com saúde, educação e transporte totalmente públicos. Mesmo como medida de transição é possível redistribuir a renda atendendo as reivindicações fundamentais dos trabalhadores, com redução da jornada de trabalho e salário mínimo vital de R$ 4.000. No caso de Brasília, que tem especial aporte de recursos federais, seria ainda mais simples essa redistribuição.

É evidente que os jornalistas, acostumados com o script de perguntas e respostas relacionados à política dos partidos burgueses, esperavam as tradicionais promessas demagógicas, que entra governo e sai governo nunca são cumpridas. Renan explicou que, mesmo em condições democráticas relativamente normais, o DF não pode se desatrelar da tendência política geral do País. Menos ainda agora durante um processo de golpe de Estado.

Chegou-se mesmo a buscar induzir o candidato a atacar os salários dos servidores públicos – mencionando aquelas carreiras que têm remunerações mais altas. É evidente que Renan ressaltou que há diversas categorias em condições precárias de trabalho.

Ao fim e ao cabo, Renan ressaltou que o objetivo do PCO ao participar do processo eleitoral é realizar a mobilização popular,

A solidariedade da esquerda pequeno-burguesa a Bolsonaro

Em certo ponto, Renan mencionou o erro da esquerda brasileira ao se solidarizar com Bolsonaro, que havia sofrido um atentado a faca em Juiz de Fora quatro dias antes.

Do ponto de vista da luta de classes, o fascismo liderado por Bolsonaro et caterva é a linha auxiliar especialmente violenta e opressora da burguesia. Como todo fascista, Bolsonaro expressa em seu discurso irracional a linha geral de tratamento que a classe dominante dispensa ao proletariado nesse país.

O candidato Renan, se incluindo entre as pessoas que o Bolsonaro defende que sejam exterminadas, tendo  mencionado que a ditadura matou pouco, mas sim deveria ter matado  30 mil. Como é possível  se solidarizar com  quem defende essa atrocidade?

Bolsonaro acha natural o estupro, ameaçando a deputada federal Maria do Rosário em plenário.

Bolsonaro homenageou o torturador da ditadura militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, durante o voto do impeachment de Dilma Rousseff – urrando que o coronel fora o terror da presidenta quando ela foi encarcerada e brutalmente torturada na década de 1970.

Bolsonaro apoiou os atentados a bala à caravana de Lula na Região Sul, bem como os ataques fascistas ao acampamento Marisa Letícia, em frente à carceragem da Polícia Federal onde Lula está preso em Curitiba.

Na semana anterior, num comício no Acre, Bolsonaro prometeu metralhar os petistas do Estado se for eleito.

O fascismo – no caso, Bolsonaro e seus seguidores – é a expressão mais violenta do Estado capitalista. Esses verdadeiros cães hidrófobos são a linha auxiliar de todo golpe de Estado promovido pelo imperialismo. São os que fazem o serviço sujo de torturar e matar em organizações como a Operação Bandeirante (Oban). Por isso, do ponto de vista político e de luta de classes, não há solidariedade possível da esquerda aos fascistas. Como bem ressaltou Renan na entrevista: “quem semeia vento, colhe tempestade”. Os fascistas covardes extraem sua valentia da certeza de que a seu favor há uma máquina policial burguesa capaz de garantir sua segurança – ou, como asseverou o general Hamilton Mourão Filho: “os profissionais da violência”. O episódio envolvendo Bolsonaro é parte da reação dos oprimidos, e não da agressão do opressor – alcunha que os fascistas se gabam de ostentar.

Como de hábito, a caixa de comentários do vídeo estava infestada de fascistas bolsonaristas, que zurravam os impropérios usuais. Evidentemente, ficaram fora de si diante da política do PCO em geral e sobre o comentário de Renan em especial. Primeiro trataram de encomendar uma “denúncia” das declarações de Renan no site ultradireitista O ANTAgonista. Em seguida, recortaram trechos da entrevista do modo que lhes era conveniente, e viralizaram-nos de modo a atrair um enxame de fascistas às páginas de Renan e do PCO no Facebook.

É evidente que, em sua maioria absoluta, tais ataques se limitam aos usuais textos em caixa alta e palavrões. É claro também que muitos fascistas – com a covardia habitual – se escondem atrás de pseudônimos de heróis da direita. Os comentários de ódio e ameaças, que não merecem reprodução, apenas confirmam que o fascismo opera no campo primitivos da violência, da agressão, do extermínio do outro. Apenas mostram o acerto da linha política do PCO no que concerne à necessidade de autodefesa dos trabalhadores e nenhuma solidariedade ao braço armado da burguesia.