Relatos sobre a ditadura militar durante a Análise Política da Semana na Causa Operária TV

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Durante a Análise Política da Semana do último sábado (30), com o companheiro Rui Costa Pimenta, que acontece todos os sábados a partir das 11h30, foram relatadas duas histórias de acontecimentos que ocorriam com frequência na ditadura militar de 1964.

A primeira foi do próprio Rui e a outra de um companheiro que estava na plateia assistindo a análise no Centro Cultural Benjamim Péret, em São Paulo. Como já observado em outras análises políticas, a postura covarde do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro de comemorar a data de 31 de março, dia que é lembrado como o início do pior de todos os horrores já vistos pelo povo brasileiro que foi a ditadura militar que durou 21 anos, em que milhares de pessoas foram mortas, assassinadas, torturadas, presas, inclusive até crianças. Esse terror político restringiu também a vida intelectual e econômica do país aos níveis mais profundos possíveis.

O números de vítima é difícil de precisar, pois a ditadura tratou de esconder a maior parte de seus crimes negando ou alterando informações e documentos para toda a população brasileira, mas o certo é que milhares de pessoas morreram por culpa direta do regime militar, foram assassinados políticos.

É preciso destacar que a determinação do governo fraudulento e golpista de festejar os 55 anos do golpe de estado de 1964, que trouxe um período obscurantista e ameaçador ao Brasil, é uma ameaça a toda população, diante da crise que o governo está passando, Bolsonaro vêm a público ameaçar o país com uma nova ditadura militar.

Situação essa que já foi defendida também por outros militares e pessoas ligadas ao governo que se encontram no poder atualmente, como por exemplo o general Mourão e o general Villas-Boas em momentos de campanha presidencial. Outro fato curioso e que repercutiu de forma negativa por vários veículos de comunicação inclusive na Alemanha nos últimos dias foi a declaração do chanceler de Bolsonaro, o aloprado Ernesto Araújo, que voltou a defender que o nazismo teria sido um fenômeno de esquerda, o que a própria imprensa imperialista e os próprios nazistas alemães viram com espanto e gargalhadas.

A lembrança do companheiro Rui Costa Pimenta é de que no período era perigoso até conversar com alguém na rua e discutir qualquer coisa, pois poderia ter alguém ouvindo a conversa e denunciar aos militares. As pessoas poderiam ser presas e torturadas, indo parar nos porões do Doi-Codi. Ele lembrou também um fato que aconteceu com ele quando tinha 16 anos, quando um amigo seu emprestou alguns livros e disse a ele: “olha, não mostra pra ninguém, esconde esse livro”, segundo Rui ouvir esse tipo de coisa era muito comum naquela época, e que até para emprestar livros de poesia havia medo ou era considerada uma situação perigosa. Segundo ele, escutou isso centenas de vezes. “Todo mundo tinha medo de tudo e a ameaça era real, pois as pessoas eram presas por qualquer bobagem. Falar sobre o governo era quase um suicídio”, disse.

O segundo relato durante a Análise Política da Semana, foi de um companheiro de 65 anos que conviveu desde os 11 anos com a ditadura militar, nascido e criado na periferia. Filho de um barbeiro simpatizante do comunismo, ele contou que em 1967, frequentando o segundo ano do ginásio no Colégio Estadual Gabriel Ortiz em São Paulo, a pedido de um professor de História para dissertar sobre regimes políticos, em sua ingenuidade, na redação ele fez elogios ao regime socialista e comunista. Seu pai, então, foi convocado à escola e ameaçado de prisão e tortura.

O companheiro também disse que vários colegas e professores seu “sumiram”. “Talvez tenham ido pra Miami, não sei, simplesmente desapareceram”, ironizou. Ele se disse indignado e raivoso quando alguém vem defender esse regime ditatorial que foi o iniciado em 1964. Para ele, a ditadura nas periferias nunca terminou, a repressão policial continua e lembra da vereadora do PSOL, Marielle Franco, assassinada ano passado, e todos os massacres que ainda acontecem cotidianamente no campo e nas periferias das cidades.

Portanto, é preciso uma união da esquerda que seja coerente e organizada para derrubar o governo fraudulento e ilegítimo de Bolsonaro e todos os golpistas e pela liberdade do ex-presidente Lula, preso em Curitiba vítima de uma farsa chamada Lava Jato organizada e orquestrada para que não pudesse concorrer às eleições de 2018, levando assim a vitória da extrema-direita golpista.

Assista à Análise Política do último sábado: