Reino Unido: mulher que desde criança foi escrava sexual será deportada por ser “imigrante ilegal”

Anti-Slavery Day March To Parliament

Da redação – A política racista contra os imigrantes da direita nos países imperialistas tem consequências brutais e desumanas. Nesta quarta-feira (24), no Reino Unido, durante uma audiência no Parlamento, o ex-Comissário Independente Anti-Escravatura, Kevin Hyland, deu um depoimento que mostra a crueldade do governo britânico contra estrangeiros de países pobres no país.

Hyland denunciou, entre outros, o caso de uma menina levada para o Reino Unido aos três anos de idade, vítima de tráfico humano e explorada sexualmente por décadas. Segundo Hyland, quando ela foi reconhecida pelo governo como vítima de escravidão sexual, na mesma carta do Ministério do Interior foi informada de que teria que sair do país por ser “imigrante ilegal”. A vítima nem sabia para onde teria que “voltar”, pois nem sabia de onde era.

Esse foi um caso mais extremo, mas há várias outras vítimas que também nem sabem de onde são e estão sendo expulsas do Reino Unido. Essa é a política levada adiante pelo governo conservador de direita no Reino Unido, o governo de Theresa May. Sob a direita, o Ministério do Interior age ativamente contra os imigrantes, especialmente de países pobres.

Na semana passada, o jornal britânico Independent havia publicado uma reportagem mostrando que vítima de tráfico humano estavam voltando a ser exploradas sexualmente pelas mesmas redes que as haviam traficado, depois que o governo cortou os subsídios de que elas estavam sobrevivendo. Mais uma violência do Estado britânico contra essas vítimas.

A renúncia de Kevin Hyland de seu cargo também indica uma ação do governo para sabotar a própria fiscalização desse tipo de crime. Segundo Hyland, ele renunciou porque não tinha um orçamento fixo e sofria uma interferência cada vez maior de funcionários do Ministério do Interior, “como se eles fossem hierarquicamente superiores”. A comissão, criada pelo Parlamento, deveria ser independente. Hyland também afirmou que haveria tentativas deliberadas de retardar seu trabalho.

Esse é o ponto a que chega a barbárie dos países imperialistas para manter a exploração dos trabalhadores no mundo inteiro, esmagando os mais fracos. Países que são apresentados como civilizados e democráticos, mas sob a decadência do capitalismo cometem as maiores atrocidades pelo mundo e em seus próprios territórios.