Reino Unido, com cortes sociais, se parece mais com Estados Unidos

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O Reino Unido não é mais aquele retratado no documentário “Sicko” (“Doentão”), do Michael Moore (disponível no Youtube e no Netflix), de 2008, que mostra, em um trecho, as maravilhas do sistema público de saúde inglês (inspiração do nosso SUS) em comparação com a mesquinhez imposta pelos compatriotas do cineasta à população oprimida dos Estados Unidos da América. No documentário, a população trabalhadora estadunidense não tem direito a nenhum serviço médico se não pagar por ele. Mutilados em acidentes de trabalho, por exemplo, não podem arcar com despesas e nem têm direitos trabalhistas que os amparem. Moore mostra como na Inglaterra, terra dos colonizadores dos EUA, tudo é deferente e mais humano.

Era.

Oito anos de “austeridade” do Partido Conservador levou o Reino Unido para bem longe das condições dos outros europeus e tornou os britânicos tão vulneráveis quanto os obres coitados do outro lado do Atlântico. Até os bombeiros ingleses estão sofrendo com os cortes de verbas.

A cidade de Prescot, no Noroeste, perto de Liverpool, mostra um resumo de todo o desmonte do patrimônio público: o prédio da biblioteca foi vendido e transformado em uma residência de luxo, o centro de lazer – que tinha piscina pública – foi demolido, o museu local agora só trata da história da cidade e nada mais e a delegacia de polícia foi fechada. Sentiu o drama? Parece a cartilha do PSDB no estado de São Paulo.

A prefeitura de Prescot quer, desesperadamente, vender tudo, transformar todos os bens dos cidadãos em dinheiro, incluindo o parque Browns Field, no centro da cidade. Já estão listados 17 parqyes a serem vendidos a imobiliárias.

Todas as comunidades no Reino Unido passam por situação semelhante. Liverpool sofreu um corte de 66% do governo nacional, que tem, atualmente, Theresa May como primeira-ministra, do Partido Conservador, que iniciou, em 2010, uma política neoliberal que produziu uma enirme mudança na vida dos britânicos, gerando um país que teve de se acostumar a viver com menos, enquanto todos os índices (de crimes, de dependência de drogas, mortaludade infantil, pobreza e falta de moradia) mostram uma deterioração da qualidade de vida.

Programas de ajuda essenciais do governo estão sendo cortados e edifícios públicos eliminados. Até 2020, os cortes vão chegar a mais de US$ 36 bilhões (R$134 bilhões) por ano.Isso significa mais de R$3.360 por ano para cada pessoa em idade ativa no país.

A tal “austetidade” , disfarçada de economia, é uma política de abandono das pessoas vulneráveis.