Arábia Saudita demonstra que barbárie da “punição exemplar” não serve para nada além de esmagar a população

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Uma execução na Arábia Saudita causou mais uma agitação na imprensa, depois que um homem foi decapitado e crucificado em Meca por homicídio, roubo e estupro.

O homem de Mianmar foi condenado por matar uma mulher e outros crimes, informou a agência de notícias Saudi Press na quarta-feira. O perpetrador, identificado como Elias Abulkalaam Jamaleddeen, foi considerado culpado de entrar na casa de uma mulher e esfaqueá-la até a morte. Ele também foi acusado de roubar a casa da mulher e outra casa, bem como “tentativa de estupro e roubar munições e armas de fogo usadas em seus crimes”, dizia o comunicado.

A punição foi realizada na cidade sagrada muçulmana de Meca. O homem foi decapitado e depois seu corpo foi colocado em uma cruz.

A execução ocorre em meio a suposta tentativa de reforma do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, que foi elogiado por suspender a proibição de dirigir mulheres e por abrir cinemas antes de sua esperada ascensão ao trono saudita. Durante a muito discutida turnê do príncipe nos Estados Unidos, empresas de relações públicas contratadas pelo reino estavam trabalhando duro para promover a imagem moderna da monarquia.

A Anistia Internacional ainda colocou a Arábia Saudita na lista dos principais executores mundiais, ao lado da China, Irã, Iraque e Paquistão. Segundo dados do grupo, Riad executou pelo menos 146 pessoas em 2017, o que representa 17% de todas as execuções confirmadas no Oriente Médio e Norte da África. A Human Rights Watch declarou em abril que a Arábia Saudita executou 48 criminosos desde o começo do ano.

O exemplo da Arábia Saudita mostra que a exacerbação das penas nos casos de violência contra mulher, como reivindica certa esquerda pequeno-burguesa, não garante em nada uma melhor condição social para as próprias mulheres. O país, que tem penas duríssimas para quase tudo, existe como uma monarquia feudal onde a mulher praticamente não é tratada como uma cidadã.

Do mesmo modo, o fato de Senado brasileiro ter aprovado nesta quarta-feira o aumento das penas pelos crimes de estupro etc. está longe de representar qualquer avanço significativo nos direitos sociais da mulher. É apenas um ato demagógico, e que não garante em nada uma melhora substancial de sua condição.