Ditadura
Na madrugada de quarta-feira (2), a Polícia Nacional e o Ministério Público peruanos prenderam 72 pessoas suspeitas de serem integrantes do Movadef na capital Lima
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Presos políticos do Movadef e do Sendero Luminoso | Foto: Reprodução
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Presos políticos do Movadef e do Sendero Luminoso | Foto: Reprodução

Na madrugada de quarta-feira (2), a Polícia Nacional e o Ministério Público peruanos prenderam 72 pessoas suspeitas de serem integrantes do Movadef, braço político do Sendero Luminoso, na capital Lima. Pela legislação direitista e antidemocrática do país, o Sendero é considerado uma organização “terrorista”.

De acordo com comunicado do Ministério do Interior, os detidos são acusados de organizar atos de terrorismo que viriam a ser praticados com explosos de bombas. A Operação Olimpo, operação política para desmantelar o Sendero Luminoso, começou suas investigações em 2015, contando com a participação de 752 agentes e 98 promotores. A Direção contra o Terrorismo (Dicote) e a Divisão de Alta Complexidade (Diviac), ambas divisões especializadas na Polícia Nacional Peruana, dirigiram as investigações em conjunto com a Direção de Inteligência do Exército do Peru e com a Terceira Promotoria Criminal Supraprovincial.

No decorrer dos cinco anos de investigação, os órgãos de repressão empregaram técnicas especiais de investigação, como monitoramento secreto de comunicações, infiltração de agentes,  videovigilância e seguimento.

Para a direita que controla o regime político, o Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentis (Movadef), que tem integrantes em todas as regiões do país e se compõe de 70% de jovens, é parte do Sendero Luminoso e deve ter tratado como uma organização terrorista. Há décadas, advogados do Movadef defendem os presos políticos do Sendero e denunciam a repressão política sobre a esquerda no país sul-americano.

Entre os principais presos, figuram ex-presos políticos do Sendero Luminoso, casos de Fernando Olórtegui Crispín e Víctor Castillo Mezzich. Um membro de base do Movadef de Lima, Evalisa Cano Valencia, foi capturado. Um integrante do destacamento do Leste do denominado Exército Guerrilheiro Popular, Carlos Cano Andia, está em mãos da polícia.

Com o aprofundamento da crise econômica e política e grandes mobilizações de massas, o Estado peruano, controlado pelo imperialismo, põe em marcha uma grande repressão política à principal força de esquerda do país, o Sendero Luminoso. Esta organização não é terrorista, como quer fazer acreditar a imprensa capitalista, a direita e as forças imperialistas. Pelo contrário, é uma organização popular legítima, com enraizamento popular, que luta pela revolução, pelo socialismo e pelo atendimento de todas as necessidades fundamentais das massas.

A crise política se prolonga no Peru. Diversos presidentes da República caíram nos últimos tempos. A Ação Popular Revolucionária das Américas (APRA), partido tradicional da esquerda, está apodrecido e integrado ao regime burguês peruano. O fujimorismo, tendência política fascista que organizou a grande repressão nos anos de chumbo entre 1990-2000, está se organizando e busca avançar no controle do Estado.

A repressão e prisão de membros do Movadef significa o medo que a burguesia tem da reorganização do Sendero Luminoso. Na medida em que a situação política se deteriora, a repressão tende a se tornar mais intensa, com o Estado adquirindo características fascistas e se direcionando ao extermínio da esquerda.

 

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