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O ex-presidente Rafael Correa governou o Equador durante 10 anos. Como Cristina Kirchner na Argentina, Nicolás Maduro na Venezuela e Dilma Rousseff no Brasil, Correa tinha uma política nacionalista burguesa. De um lado, apoiava-se na burguesia nacional equatoriana, de outro, nos trabalhadores e nas massas populares, como os trabalhadores do campo.  Foi essa política que seu governo expressou, entre 2007 e 2017, passando pela nova Constituição aprovada em referendo popular em 2008 em um processo chamado pelos partidários de Correa de Revolução Cidadã.

Como está acontecendo em todo o continente, a Revolução Cidadã está sofrendo um golpe de Estado orquestrado pela direita a serviço de interesses do imperialismo na região. Em 2017, Correa conseguiu eleger seu sucessor, Lenín Moreno, por uma margem estreita de votos. Moreno foi vice de Correa, o outro vice de Correa, Jorge Glas, está preso depois de condenado em um processo relâmpago por suposta corrupção. O processo envolve a Odebrecht, que teria pago propina para o governo equatoriano. Processos contra a Odebrecht estão servindo ao golpe em diversos países da região.

Ao assumir o governo, Lenín Moreno aliou-se à direita, traindo os eleitores que o colocaram no poder e tomando o próprio partido de Rafael Correa de assalto. Esse fato marca o golpe de Estado que está em marcha no Equador. A direita irá desmontar as políticas nacionalistas de Correa para implementar uma política neoliberal, de cortes de gastos, ataques aos trabalhadores e venda do patrimônio público. O mesmo programa que o imperialismo tenta impor ao resto dos países atrasados em todo o mundo.

Para consolidar o golpe de Estado em curso, Moreno convocou um referendo para modificar a Constituição aprovada pela população há apenas dez anos. Por meio de sete perguntas, às quais os 13 milhões de eleitores terão que responder “sim” ou “não”, o atual governo quer modificar leis relativas aos impostos sobre propriedades imobiliárias, composição dos conselhos populares e, entre outras coisas, a possibilidade de reeleição para presidentes eleitos anteriormente.

Esta última é a principal mudança proposta por Moreno, em uma óbvia manobra para tirar Correa das eleições de 2021. Dessa forma, a direita equatoriana pretende consolidar o golpe de Estado dado através do sucessor escolhido pelo próprio Correa. Tirar Correa das eleições contorna o problema de ter que vencê-lo nas eleições. Apesar de toda a manipulação da direita, os golpistas sabem que terão dificuldades em 2021, quando a população já tiver experimentado o programa neoliberal por tempo suficiente. Mesmo problema que os funcionários do imperialismo enfrentam no Brasil.

Na campanha para o referendo a manipulação é completa. A imprensa burguesa equatoriana, por meio de seus jornais impressos, canais de TV e de rádio, ignora completamente a campanha pelo “não”, liderada por Correa. Ao mesmo tempo, a cobertura da campanha pelo “sim” é ostensiva e faz parte da própria campanha, ocupando as capas dos jornais e tendo destaque na TV.

Para coroar a fraude, os comícios de Correa têm sido atacados pela direita, como aconteceu na quarta-feira (31), na cidade de Quinindé, em que o carro de Correa foi atacado com ovos e lixo. O ex-presidente precisou de um aparato de segurança para deixar o local. Ataques como esse têm se repetido, de modo que a campanha pelo “não” no referendo na prática foi em grande parte impedida de acontecer além de não ter aparecido na imprensa. A típica campanha eleitoral suja controlada pela direita golpista.

No domingo (4), o referendo será votado nas urnas. Segundo as pesquisas eleitorais, Lenín Moreno estaria a caminho de tirar Rafael Correa das eleições de 2021, vencendo o referendo. No entanto, as próprias pesquisas são parte da campanha golpista e não é possível saber o resultado antes. De qualquer modo, a campanha já é completamente desigual e controlada pelos golpistas. Uma derrota de Correa será mais uma etapa de um golpe de Estado preparado pela direita.

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