Reestatizar a Vale é o primeiro passo: é preciso expropriá-la e colocá-la sob a administração dos trabalhadores

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As centenas de morte provocadas pelo rompimento da barragem em Brumadinho, interior de Minas Gerais, é uma demonstração clara tanto do caráter completamente inviável da política de privatizações, bem como da característica genocida e desumana do capitalismo.

A Vale, uma das maiores empresas do mundo (a mineradora figura entre as 150 maiores empresas de acordo com um ranking da revista Forbes de 2018), foi passada para o controle privado durante os últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Na época, a mineradora tinha reservas com o valor de mercado na casa dos UU$ 3,3 trilhões, no entanto, ela foi entregue para o capital privado pela bagatela de UU$ 3 bilhões. Entre os compradores da Vale, estavam, por exemplo, os banqueiros nacionais e internacionais,  representados pelo banco Oportunity, o Nations Bank (EUA), além do próprio mega investidor norte-americano George Soros.

Sob controle privado a empresa voltou-se para atender, unicamente, a necessidade de aumentar os lucros dos capitalistas e dos banqueiros, pouco importando os condições de trabalho dos trabalhadores e das próprias barragens, bem como os interesses sociais de toda a população brasileira. A consequência dessa lógica de expansão dos lucros da empresa para atender a um punhado de capitalistas pôde ser verificada, na prática, nas centenas de mortes provocadas pelo rompimento das barragens em Mariana, 2015, e agora em Brumadinho. Além das mortes, a enorme quantidade de lama acarretou a destruição da riqueza natural de toda uma extensa área.

Apesar de toda a demagogia dos donos da empresa, após esse verdadeiro massacre, para eles isso pouco importa. Eles tem ao seu lado a justiça burguesa, o governo e próprio Estado de um modo geral, ou seja, todas as instituições políticas ao seu dispor para garantir que a busca predatória do lucro de uma minoria se imponha completamente sobre a maior parte do povo. No caso de Brumadinho, os empresários estão se negando até mesmo a pagar verdadeiras migalhas para a população da região, como um salário mínimo, ajudas de custo etc, o que é muito pouco frente ao gigantesco desastre que eles provocaram.

É preciso ter claro também que assim como a Vale, outras empresas nacionais e internacionais, controladas por capitalistas e banqueiros alucinados pelo lucro cada vez maior, provocaram e provocam todos os dias desastres e massacres como estes. Em 2010, a petrolífera britânica Britsh Petroleum foi responsável pelo vazamento de 3,2 milhões de litros de petróleo, o maior da história, no Golfo do México, após a explosão da plataforma Deepwater Horizon. Na explosão morreram 11 operários da empresa.

Tanto neste caso, como no caso da Vale, a completa falta de manutenção das estruturas de produção foram responsáveis pelos desastres. Em ambos os casos a imprensa, sempre do lado dos capitalistas, tentou obscurecer a responsabilidade dos capitalistas atribuindo as tragédias à causas naturais, como foi no caso da Vale, ou a falhas cometidas pelas equipes de manutenção, no caso da plataforma.

Na realidade, nos dois casos, a responsabilidade integral é dos próprios empresários e dos banqueiros que controlam as empresas, os quais em casos como estes passam a margem de qualquer responsabilidade.

Desastres como estes deixam claro que a lógica capitalista, na qual as grandes empresas ficam sob o controle de uma minoria social sedenta por lucros cada vez maiores, tornou-se uma ameaça mortal para a imensa maioria da população. Nesse sentido, a única saída possível é expropriar essas empresas, ou seja, retirá-las das mãos dos capitalistas e banqueiros e colocá -las nas mãos dos setores que realmente trabalham e produzem, que se preocupam com o desenvolvimento social, no caso os trabalhadores e a população como um todo.

No caso da Vale, essa luta pela reestatização da empresa está na ordem do dia. As centenas de mortes ocorridas, o enorme desastre provocado, demonstram a necessidade de se fazer uma intensa campanha junto aos trabalhadores e ao povo denunciando o caráter criminoso da política privatista, defendendo ao mesmo tempo a luta pela estatização da Vale, colocando-a, logo em seguida, sob o controle dos próprios trabalhadores. Esta é a única forma verdadeira de impedir que outros desastres ocorram. Esta também é a única maneira de colocar a empresa a serviço dos interesses sociais de toda a população brasileira.