Crise do imperialismo
A redução dos parlamentares expressa um fechamento do regime político, uma manobra necessária da burguesia para tentar controlar a situação do país que está catastrófica
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Matteo Salvini | Foto: Reprodução

Mais de 50 milhões de italianos votarão em um referendo para decidir sobre a redução em um terço do número de parlamentares do país, incluindo deputados e senadores. Com amplo apoio da propaganda da imprensa burguesa, monopolista e corporativa, as pesquisas apontam para uma vitória do “sim” à reforma constitucional.

 

As eleições que iniciam no dia 20 se estenderão até segunda-feira (21). Serão ainda montados colégios eleitorais em hospitais com pacientes da Covid-19, e cidadãos poderão ter seu voto recolhido em casa.

 

A reforma é uma manobra da burguesia para controlar mais facilmente o regime político. Atualmente são 600 deputados e 3125 senadores. A proposta é reduzir para 400 e 200, respectivamente. Para facilitar a manobra, não terá quórum mínimo, então o resultado do referendo será confirmado independentemente de uma grande participação popular.

 

A Itália está com o regime político em uma grande crise. Os partidos mais tradicionais, destruídos pela Operação Mãos Limpas, estão com dificuldade de controlar a situação. Nas últimas eleições, ganharam partidos de extrema-direita, como o Movimento 5 estrelas (M5E) e a Liga, de Matteo Salvini, herdeira do fascismo italiano. Tanto do ponto de vista político, como econômico, a instabilidade é uma das maiores da Europa.

 

A redução dos parlamentares é uma forma do imperialismo controlar com mais facilidade o regime político, uma vez que diminui-se a representatividade já fraca do Legislativo burguês. É muito mais fácil controlar os parlamentares, seja comprando ou chantageando – que são os métodos tradicionais da burguesia -, se eles forem reduzidos. 

 

Um exemplo disso é o Senado brasileiro, que conta com menos de 100 parlamentares e serve para barrar ações da Câmara caso haja algum inconveniente em determinada medida. Além disso, há no Brasil o Supremo Tribunal Federal (STF) que, além de não ser eleito, conta com apenas 11 ministros, um esquema feito para facilitar a dominação política da burguesia.

 

O correto seria ampliar o número de parlamentares. A esquerda italiana, caindo na conversa fiada da direita de cortar gastos com funcionários públicos e coisas do tipo, tem apoiado o referendo. 

 

O Partido Democrático (PD), ex-Partido Comunista stalinista, é um dos apoiadores da medida – isso porque com a degeneração política do próprio stalinismo o partido se tornou um dos principais do setor primordial do imperialismo italiano.

 

A redução dos parlamentares expressa um fechamento do regime político, uma manobra necessária da burguesia para tentar controlar a situação do país que está catastrófica.

 

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