"Cidade Integrada"

Moradores do Jacarezinho temem novos extermínios

Nova UPP do governo do RJ é avanço na repressão contra os negros e pobres; é preciso lutar pela dissolução das polícias e pelo direito do povo ao armamento

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Ação da Polícia – Reprodução

─ Brasil de Fato ─ As policias militar e civil do Rio de Janeiro realizaram, na manhã da última quarta-feira (19), ações nas favelas do Jacarezinho, na zona norte da capital, e da Muzema, na zona oeste. De acordo com o governo do estado, as operações têm o objetivo de retomada de território nas duas áreas da cidade que encontram-se sob a influência do tráfico e da milícia para a implantação de um projeto chamado “Cidade Integrada”.

A proposta, que será detalhada no sábado (22) pelo governador Cláudio Castro (PL), tem sido criticada por moradores de favelas e pesquisadores da área de segurança pública.

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Para Pedro Paulo da Silva, criado na comunidade do Jacarezinho e coordenador de pesquisa do Labjaca, laboratório de dados e narrativas sobre favelas e periferias, o projeto de Castro possui os mesmos erros das já conhecidas Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), implementadas em 2008 na gestão de Sérgio Cabral (sem partido).

“O que está acontecendo são os mesmos erros que ocorreram com as UPPs. O primeiro é a falta de diálogo com as lideranças comunitárias. É preciso que se entenda qual é o problema e as necessidades das pessoas da favela, ao invés de pressupor quais seriam. É preciso ter diálogo maior e isso não aconteceu com as UPPs e hoje não está acontecendo também”, afirma Silva que também é pesquisador do Centro de Estudos de Segurança Pública e Cidadania (CeSec).

“Também é preciso ter um foco em questões que são estruturais: discutir a política de drogas e a função da polícia historicamente no Brasil. Não tem como pensar um programa de segurança pública sem esses pontos”, complementa.

Já para Rumba Gabriel, morador do Jacarezinho e fundador do Movimento Popular de Favelas e do Portal Favelas, a ocupação que ocorre hoje é “triste” e “desesperadora”, pois, segundo o jornalista, muitos dos policiais presentes na ação já foram denunciados por moradores por violações de direitos. 

“Nós formamos uma comissão com algumas instituições e lideranças para cobrar do governador uma visita para que ele possa nos ouvir, porque a gente não vai aceitar projetos vindos de fora para dentro sem que a gente possa participar. Isso não é uma cidade integrada, a favela quer e precisa se integrar porque ela não tem cidadania. Queremos uma favela com cidadania que nunca tivemos. O Jacarezinho não tem um projeto social, a saúde está falida, não temos uma educação de qualidade, a nossa situação é grave”, afirma Gabriel que mora há 67 anos na favela.

As operações

Ao todo, a incursão nas comunidades mobilizou 1,3 mil policiais. Segundo o último levantamento da Polícia Militar recebido pelo Brasil de Fato, até o final da manhã de quarta-feira (19), 32 prisões foram feitas nas comunidades. Na área da Muzema, que sofre influência de milícias, a operação está mais focada no combate ao comércio ilegal de gás de cozinha, crimes ambientais e construções irregulares, de acordo com a PM.

Nas duas ações, a PM empregou cerca de 800 policiais e a Polícia Civil em torno de 500 agentes, mobilizando equipes especiais e convencionais das duas corporações. Fez parte ainda do planejamento o uso de veículos blindados e reforço no patrulhamento das vias expressas, especialmente as mais próximas aos complexos do Jacarezinho e da Muzema.

As operações estão sendo monitoradas em tempo real do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), de acordo com as polícias. As equipes permanecerão nas duas comunidades por tempo indeterminado.

No último dia 6 de janeiro, a Chacina no Jacarezinho completou oito meses. Na ocasião, 27 civis e um agente de segurança morreram. A operação liderada pela Polícia Civil ficou conhecida como a mais letal da história do Rio de Janeiro. Boletins médicos sobre os corpos de parte dos 28 mortos na operação Exceptis no Jacarezinho, mostraram que as vítimas foram atingidas por disparos de armas de fogo no rosto, abdômen e nas costas.

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