Capitalismo

Em São Paulo, negros foram os que mais morreram por covid

Além disso, população negra foi, também, a que mais sofreu com operações de despejo durante a pandemia

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As discrepâncias socioeconômicas de São Paulo – Foto: Reprodução

Na cidade de São Paulo os negros foram os que mais morreram pela pandemia coronavirus. Além disso, a população negra foi, também, a que mais sofreu com operações de despejo durante este período.

Estas informações foram divulgadas pelo Instituto Pólis, nos estudos intitulados “dois anos de pandemia no município de São Paulo” de fevereiro de 2022 e  “remoções forçadas: uma outra camada de risco à pandemia” de março de 2022. A pesquisa considerou os dois anos de pandemia, 2020 e 2021. 

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Em relação às mortes por coronavirus, o relatório pontua: “Este estudo faz um balanço sobre os dados da mortalidade por Covid-19 no Município de São Paulo (MSP) entre 2020 e 2021 e tem como objetivo sintetizar leituras acerca da pandemia na capital paulista, como forma de reforçar algumas recomendações centrais para o enfrentamento da emergência sanitária, que acelerou seu crescimento na nova onda de contágios e mortes”

O estudo mostra que as maiores vitimas do coronavirus são, em primeiro lugar, homens negros, e em segundo lugar, mulheres chefes de família que ganham até três salários mínimos. 

A população da cidade de São Paulo é composta por 37% de pessoas negras. Nos locais mais afetados pela pandemia, isto é, centro e periferias, 47,3% dos mortos são de negros, uma proporção verdadeiramente desigual.

Em comparação com homens brancos, a morte de homens negros foi 30% maior. E entre as mulheres, morreram 40% mais mulheres negras. 

As mulheres chefes de família que ganham até três salários mínimos, representam 23,4% da população da cidade, e representam 27,8% das mortes dessa população. 

O estudo demonstra que o maior número de mortes está diretamente ligada à condição socioeconômica da população. O segundo estudo demonstra claramente isso, pois mostra a questão das remoções forçadas durante a pandemia da COVID-19. A população negra foi vítima de 51,8% dos casos de despejos, enquanto que 27,9% das mulheres chefes de família que ganham até três salários mínimos foram despejadas.

Vale lembrar que, teoricamente, os despejos foram proibidos durante a pandemia até o próximo dia 31/03/2022. Todavia, na prática, eles ocorreram inclusive de forma violenta, não só despejando, que já é uma violência, mas com repressão e agressões realizadas pelas polícias militar e municipal. 

Estes estudos mostram que se o estado, o município não fez nada pela população em geral durante a pandemia que, inclusive, não chegou completamente a seu fim, nos locais mais pobres e vulneráveis fez uma verdadeira chacina. Também demonstra a opressão econômica que a população negra sofre submetida ao capitalismo. 

Ou seja, fica claro o tamanho da opressão do povo negro que, massacrado pelo capitalismo, fica à mercê de sua própria sorte. E mais! Isso sim é o retrato de uma verdadeira opressão, e não o racismo que os identitários tanto reclamam. É, nesse sentido, um projeto de opressão da burguesia para manter o negro e a mulher em situações subjugadas. 

Finalmente, diante de tudo isso, o povo negro precisa se organizar em torno de reivindicações realmente progressistas, contra o capitalismo e por um governo dos trabalhadores. Para isso, lhe convidamos para se organizar no coletivo de negros João Cândido, o coletivo de negros do Partido da Causa Operária. É a única forma de conquistar a verdadeira liberdade, a liberdade econômica.

A você que chegou até aqui,

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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