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Cães, gatos, coelhos, peixes..

O fenômeno cada vez mais comum dos “pais de pet”

A classe média desconta suas tristezas e frustrações em um animal, tratando-o melhor do que trataria muitos seres humanos

Festas de aniversário, planos de saúde, funerárias — esses e outros elementos já fazem parte da rotina dos “pets” da classe média – Foto: Reprodução

O leitor já teve a surpresa de se deparar com um conhecido ou alguém nos confins da internet que se autodenomina pai ou mãe de um animal? O fenômeno, cada vez mais comum, sobretudo na classe média, parece ter se normalizado rapidamente, e é até visto como algo fofo e agradável.

Mais conhecidos como “pais de pet”*, essas pessoas tratam seus animais domésticos da maneira mais próxima a qual fariam com um filho — talvez até melhor, uma vez que, em teoria, um animal tende a dar menos trabalho.

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Estes animais têm liberdade para subir onde quiserem, dormir onde quiserem, comer o que quiserem, arranhar e quebrar o que quiserem. Festas de aniversário (às vezes “mêsversário”!), inúmeras roupas, cama aconchegante, idas semanais ao veterinário, muitos brinquedos e enfeites, manicure, cabeleireiro, comidas especiais — a lista de regalias atribuídas aos animais de estimação é infinita e demonstra um tratamento melhor do que o que muitos seres humanos recebem.

Os “pais de pet‘ fariam de tudo por seus animais. Não é raro ouvir a história de que alguém cancelou um evento importante ou simplesmente gastou muito dinheiro para pagar uma cirurgia super cara para seu “filho” — e é óbvio que os capitalistas se aproveitam disso o máximo que podem.

Hotéis, planos de saúde, RG, funerárias e até padarias especializadas já foram criados apenas para os animais de estimação. Os pais mais dedicados (e com condições materiais para isso) gastam milhares de reais por uma coisa aqui e outra ali para seu bicho de estimação, inclusive para seu caixão. Empresas que investiram no ramo tiveram um crescimento considerável e hoje existem lojas gigantes especializadas apenas em animais domésticos. O Brasil é considerado o 3° maior mercado no ranking mundial no comércio pet (atrás dos EUA e da China) e, em 2020, o faturamento desse ramo cresceu em 13,5% no país. Para que o leitor tenha uma melhor ideia do que estamos falando, leia um breve relato de uma “mãe de pet”:

Sigmund já tem 7 anos. Costumo fazer um check-up nele duas vezes por ano, cada um me custa entre R$ 1.500 e R$ 2 mil. Pago R$ 250 mensais pelo plano e fico tranquila sabendo que não terei surpresas se tiver uma internação e que poderei dar a ele a melhor assistência.

A pesquisa mais recente sobre o perfil dos autointitulados “pais de pet” indica que a idade dessas pessoas varia entre 30 e 45 anos e que 75% dos donos são mulheres, com pós-graduação e casadas ou morando com um parceiro. 78% dos entrevistados afirmaram que consideram o bicho de estimação como um filho, 15% já fizeram alguma festa para o animal e 9% comemoram o aniversário. Grande parte dos “pais de pet” também não tem muito tempo livre em casa, criando um fenômeno semelhante ao que acontece com pais ocupados que não dão atenção para o filho (humano): mimam até não poder mais.

Os cachorros são os preferidos, tendo ganhado a escolha de 80% dos entrevistados. Os gatos ficaram com 27% e as pessoas que os preferem são, em sua maioria, solteiras, divorciadas e viúvas — o número de pets no Brasil já é mais alto do que o de filhos, com o Brasil abrigando a 2° maior população de cães, gatos e aves canoras e ornamentais.

A carência de companhia, sobretudo durante a pandemia, é um fator decisivo no aumento do número de pets. A vida no sistema capitalista é horrível e isso só tende a piorar, afundando as pessoas em uma espiral de frustrações as quais elas não sabem a origem. Os rios de dinheiro gastos e todo o sentimento que se cria em volta do animal são um sintoma de decadência que está sendo impulsionado pelos capitalistas. 

Tudo isso desemboca numa discussão cada vez mais presente na esquerda pequeno-burguesa, e que em certa medida é apoiada pela direita dita “civilizada”, por pura demagogia: a valorização do animal acima do ser humano. Não é raro ver um integrante da pequena-burguesia falando que os animais prestam muito mais que o ser humano, porque estes últimos são ”maus”. Diversas leis de proteção aos animais foram criadas que abrem muitas brechas para a condenação da população, que não tem tempo e nem dinheiro para dar mil e uma regalias aos animais.

No fim das contas, o fenômeno dos “pais de pet” é mais um sintoma de uma sociedade decadente recheada de pessoas mentalmente instáveis, com cada vez menos dinheiro e perspectiva de vida, que procuram um refúgio para toda desgraça causada pelo capitalismo, mesmo que não saibam exatamente o porquê. Isso, por tabela, ainda cria um mercado novo para os capitalistas, que lucram com a situação, incentivando essa decadência e a destruição mental da classe média sem rumo, que desconta sua tristeza e frustrações em um animal de estimação.

* Pedimos desculpas ao leitor pelo uso da palavra “pet”, palavra de origem inglesa, estranha ao nosso vocabulário, decidimos mantê-la em alguns casos, pois condiz com a moda da classe média à qual se refere o artigo

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