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Pastor Tupirani

A história do 1° condenado por intolerância religiosa no Brasil

Primeiro preso por intolerância religiosa no Brasil, o pastor foi uma das primeiras vítimas das violações dos direitos democráticos

O Pastor Tupirani sendo preso – Foto: Reprodução

Fundador da igreja evangélica Geração Jesus Cristo e do movimento “Bíblia Sim, Constituição Não”, o pastor Tupirani foi a primeira vítima da lei inquisitorial que criminaliza a “intolerância religiosa” – ou seja, que criminaliza a heresia. De acordo com essa lei ditatorial, se você ofender um grupo religioso, você está cometendo um crime: isto é, a crítica a religião se torna crime, com a desculpa esfarrapada de que não se poderia criticar religiões oprimidas.

A lei é ditatorial porque criminaliza a opinião; tal lei abusiva usa a prerrogativa de que, por conta de a opinião contra a religião ser ofensiva, o Estado deveria regulá-la. Ou seja, é uma degradação total do direito democrático à liberdade de opinião e de prática religiosa. E, logo que essa lei foi promulgada, a campanha em favor da restrição ao direito democrático mirou num fundamentalista evangélico de extrema-direita: o pastor Tupirani.

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Quem é o pastor?

Preso em 2009 por intolerância religiosa, o pastor ficou famoso por dizer: “homossexualismo é uma possessão demoníaca” e que os seus fiéis deveriam, sim, discriminar gays e lésbicas na vida pessoal, entre outras frases. Ele foi preso por 18 dias em razão de ter ofendido pais de santos em 2009, sendo condenado em 2012 ao pagamento de 10 salários mínimos e prestação de serviços.

Depois de preso, o pastor ergueu o templo pós-prisão e escreveu o livro “Sequestrado pela Democracia”. Ele comentou sobre o vereador Átila Nunes, quem acusou ter montado um complô pela sua prisão, chamando-o de “vereador macumbeiro”. Sobre a delegada Helen Sardenberg, responsável pela prisão do pastor, Tupirani comentou: “Só mesmo neste país, mulher no comando, isto é uma vergonha”.

A opinião de Tupirani sobre quem a igreja poderia “levantar bandeira”

O pastor Tupirani comentou sobre um caso de uma religiosa que, ao fazer um comentário considerado preconceituoso, recuou e pediu desculpas. Para o pastor, tal era uma conduta inaceitável, visto que, se Deus utilizou alguém para enviar uma mensagem, ela não poderia recuar – uma opinião claramente religiosa e confusa, bem como todas as opiniões do pastor.

“Não suba mais neste palanque de prostitutas para tentar pregar, você não foi chamada para isso. Eu fui chamado para isso. Se vocês pedem desculpas do que falam dentro da igreja para um babaca de um delegado qualquer, um mundano, um espírita, um católico, seja de qualquer religião que for, vocês são loucos. Sabe o que você é, Karla Cordeiro? Você é uma puta, você é uma prostituta, o teu pastor deve ser um veado […] Manda o delegado vir aqui pedir a minha retratação. Ele não é homem para isso. […] A igreja de Jesus Cristo não levanta placa para filha da puta de negro nenhum, não levanta placa de filha da puta de político e não levanta placa de filha da puta de veado nenhum. A igreja de Jesus Cristo só levanta sua própria placa”.

Opinião de Tupirani sobre o STF

O pastor também opinou sobre o Supremo Tribunal Federal. Com a camiseta com os dizeres “Não Sou Vacinado”, o pastor expôs seu desgosto acerca do STF, pedindo a morte dos ministros.

“Massacre o sistema judiciário, ó Deus… Derrube os prédios do sistema judiciário, ó Deus. […] Que a polícia não possa mais prender, porque não tenha mais quem julgar. O que nem adianta mesmo, porque o maldito STF está associado ao crime nacional. […] Ó Deus, que esses juízes não morram de causas naturais. Que os seus ossos apodreçam! Deus, envia um vírus novo para comer a coluna desses juízes do STF. Que para se locomover, que tenham que rolar no chão, como malditos e desgraçados inimigos do bem e da nação que são!”

O pastor também pediu a Deus um massacre contra os judeus e que eles “sejam envergonhados como foram na Segunda Guerra”. Ao ser conduzido pelos delegados pela última vez por intolerância religiosa, ele disse, enquanto era preso: “eu quero que os judeus vão para a puta que pariu!”.

“Óh, Deus da igreja! Massacra eles, que sejam envergonhados como na Segunda Guerra e não consigam forças para levantar. Glorifico o teu o teu nome, Deus. Maldito sejam os judeus, que cuspiram e continuam assassinando Jesus Cristo até hoje. Maldito sejam eles”, disse o pastor em outro momento.

Além disso, ele também pediu a desgraça dos prefeitos, que aplicam seus “venenos” (vacinas) na população de acordo com ele. O seu discípulo, Afonso Henriques, pediu o fim da Assembleia de Deus e criticou os judeus e outras religiões. De acordo com o seguidor de Tupirani, essas religiões são de “seguidores do demônio” e não existem pais de santo heterossexuais, além de dizer que o homossexualismo é uma possessão demoníaca.

Um cara bizarro

É indiscutível que o pastor Tupirani tenha ideias extremamente bizarras e que seja de extrema-direita. Todavia, ele é só um pastor que expressa as opiniões comuns no meio evangélico. Por mais reacionárias que sejam as opiniões do pastor, elas foram usadas como bode expiatório para atacar o direito democrático à liberdade de expressão e perseguir de bolsonaristas até esquerdistas.

Tupirani da Hora Lores, que defende a volta da ditadura, que se opõe à vacinação, pede que deus mate os ministros do STF e que os deixe presos em cadeiras de rodas, certamente possui ideias muito reprováveis. Mas não é um fascista real: nunca exerceu na realidade material nenhum tipo de influência, só expôs opiniões, só expôs palavras.

É, nesse sentido, mais um capítulo do chamado “crime de opinião”, que procura equiparar palavras à ações concretas. Segundo esse raciocínio esdrúxulo, por exemplo, quando Tupirani defende o holocausto, está fazendo o mesmo que Hitler à época da Segunda Guerra Mundial. Uma conclusão completamente absurda que mostra bem no que consiste o crime de opinião.

Apesar de suas ideias reprováveis, é um absurdo um zé-ninguém ser condenado a 18 anos apenas por falar abobrinhas. Trata-se de um terrível precedente para atacar os direitos democráticos que, inevitavelmente, se volta contra a classe operária. Mas não deixemos de assinalar: esse pastor e essa igreja são muito bizarros.

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