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Retrocesso

Na pandemia, 60% das mulheres assumiram tarefas domésticas

A pandemia da COVID-19 empurrou ainda mais as mulheres ao trabalho escravo doméstico.

“Se as mulheres que trabalham nas fábricas parassem 20 minutos, perderíamos a guerra.” – General Joseph Jacques Césaire Joffre – Reprodução: Diário de Noticias

Na segunda-feira (13), saiu novo relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que mostra o impacto da pandemia da COVID-19 nas mulheres, que assumiram 60% das tarefas domésticas dentro dos lares. 

Desde que se iniciou oficialmente a pandemia, foi se verificando que as mulheres estão sendo as maiores prejudicadas em todos os campos.  Na verdade foi um aprofundamento da crise para as mulheres, pois desde o golpe de 2016 e com o governo do ilegítimo presidente fascista Jair Bolsonaro, houve uma degradação das políticas públicas para as mulheres, e consequentemente abriu-se um abismo no quesito economia. 

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A falta de capacidade e a política fascista, neoliberal da ministra Damares Alves, fecha o ano usando apenas 44% das verbas destinadas às políticas públicas para as mulheres em 2021, além disso usou apenas 30% para a questão da proteção das mulheres. Quem é do serviço público sabe que isso é no mínimo absurdo, pois o Estado não distribui dinheiro, normalmente fecha-se o ano com falta de dinheiro, não com sobras. O certo é que as verbas para qualquer serviço público desde o golpe, foram minguando escandalosamente, enquanto o ministro Paulo Guedes repassa trilhões para os bancos. Tudo isso significa que Damares Alves, além de não fazer seu trabalho, terá no próximo ano um corte de 33% na verba do seu ministério, a lógica é, se não usou, não precisa. 

A violência contra as mulheres subiu na pandemia mais de 26%, o desemprego é maior para as mulheres (17,1%), enquanto para os homens ficou em 11,7%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em agosto de 2021. 

Um fator importante é que no período de quarentena, os setores mais atingidos foram os que geram empregos para as mulheres, como comércio e turismo.  

A consequência do desemprego em plena pandemia forçou as mulheres a desempenhar um papel que vêm tentando se desresponsabilizar há décadas, o trabalho de escrava doméstica, de cuidadora não remunerada. Inclusive, muitas mulheres deixaram seus empregos devido a esse chamado, que acontece sempre que há uma situação de emergência em saúde. 

As mulheres foram chamadas a cuidar dos filhos que não tinham aulas, dos idosos ou não idosos com COVID-19, ou que ficaram sequelados pela COVID-19. E as mulheres que não perderam seus empregos, além de todo seu trabalho remunerado, também tiveram que arcar com esse trabalho, que é muito maior, pois não tem hora para começar e acabar, são cuidados integrais. 

De onde vem esse chamado?

As mulheres são vistas como as cuidadoras “oficiais”, não importa quem está em casa, quem cuida são as mulheres, isso é devido ao desenvolvimento da propriedade privada. No livro, “A Origem da Família, da propriedade Privada e do Estado”, Engels em uma extensa pesquisa discorre sobre as formações das relações entre homens e mulheres, como foram se dando as formações de grupos familiares até chegar na família tal como temos hoje. E que essa formação se deu devido a questão da propriedade privada.

As mulheres antes da propriedade privada eram consideradas e ouvidas, muitas sociedades foram dirigidas por mulheres, gerar vidas lhes dava prestígio, e as mulheres eram livres, não se sabia quem era o genitor das crianças e os cuidados com as crianças  eram de responsabilidade do coletivo, não impedindo então a mulher de exercer suas funções no clã. 

As mulheres passaram a ser escravas do lar quando foi criada a propriedade privada, os homens tinham que ter certeza que as crianças geradas por aquela mulher eram deles, filhos de sangue,  para que herdassem suas propriedades.  Assim as mulheres foram confinadas ao “lar”, aos cuidados dos filhos, da casa e do marido, só podendo sair de casa acompanhadas, para garantir a fidelidade. No entanto, o estabelecimento da propriedade privada, parafraseando Engels, gerou uma intensa exploração e submissão da mulher, mas ao mesmo tempo foi um fato dos mais fundamentais, necessário, para o desenvolvimento das forças produtivas e para a própria evolução da sociedade.

Atualmente, além do trabalho escravo doméstico, as mulheres encontram outras dificuldades para alcançar a igualdade econômica. A burguesia faz de tudo para manter as mulheres longe do desenvolvimento profissional, econômico e político, como usar as diferenças biológicas entre homens e mulheres para não empregar, ou para demitir. No entanto, basta lembrar que em situação de guerra as mulheres foram chamadas a substituir os homens nas indústrias, e logo com o retorno deles, e por isso mesmo, terem demonstrado toda a sua competência, foram escorraçadas de volta ao trabalho doméstico que ninguém quer fazer, pois é de consenso um trabalho chato, incapacitante, pois quantos neurônios se usa para lavar louça?  

Em relação ao desemprego das mulheres versus a escalada da violência contra as mulheres, observamos que é reflexo da perda econômica das mulheres e não de questões abstratas que a imprensa burguesa divulga a todo momento como o machismo, a misoginia, questões culturais, etc. A mulher pobre que além de tudo está desempregada, cuida da casa, dos filhos, dos doentes. A mulher está mais sobrecarregada ainda e fica mais vulnerável e dependente do marido, ficando mais sujeita à violência doméstica. Uma mulher com recursos financeiros tem autonomia para sair de casa ou colocar para fora seu agressor, inclusive ter estabilidade financeira lhe garante maior estabilidade emocional. 

Uma questão importante para se observar é que estas questões não são levadas em consideração pelo feminismo identitário, apesar de serem fundamentais para o desenvolvimento da luta das mulheres. O identitarismo é uma luta individual,  que se atém a questões que promovem os interesses apenas de uma camada economicamente superior das mulheres, e não de seu conjunto. A linguagem neutra, por exemplo, por mais “todos”, “todas” e “todxs” ou “todes” que se digam, nada muda na vida das mulheres. A questão da “sororidade” feminina que de fato só existe entre as mulheres burguesas também é outra invenção das identitárias, não vemos “sororidade” interclasses. Outro assunto muito pautado pelo feminismo identitário é o aprofundamento das leis repressoras, sendo que a Lei Maria da Penha existe há mais de 16 anos e não diminuiu a violência doméstica. O problema é a necessidade da organização independente das mulheres em relação à burguesia e sua aliança com os demais explorados para sua emancipação!

O caso da violência doméstica mostra que a propaganda identitária é tudo um engodo. A luta é fundamentalmente econômica e passa pela questão de classe. O gênero feminino só irá se libertar quando todo o gênero humano estiver livre da opressão do Estado e da propriedade privada. 

Recomendação de leitura: Mulher, objeto de cama e mesa.

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