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Plenária do Bloco Vermelho

Leia a íntegra da intervenção de Rui Pimenta na Plenária Nacional

O presidente nacional do PCO fez uma análise da situação política e convocou os militantes a colocar nas ruas a campanha por fora Bolsonaro e Lula presidente

Colocar nas ruas o Bloco Vermelho – Arquivo

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“A primeira coisa que nós temos que fazer do ponto de vista imediato, que nos fez reunir aqui nesta Plenária Nacional, é fazer um balanço do movimento Fora Bolsonaro. Esta é uma questão decisiva do ponto de vista prático. Se queremos avançar, se queremos progredir nesse movimento e, até certo ponto, nós estamos confrontados com a possibilidade de uma regressão desse movimento, nós temos que ter um balanço claro para que a gente possa elaborar e decidir aqui um plano de ação e uma política definida para a próxima etapa.

Primeira coisa que nós temos que ter claro, nós todos aqui, é que, se houve até agora um movimento de rua contra um governo que é dirigido por um elemento fascista, que está completamente dominado pelos militares, que juntamente com [INAUDÍVEL] e produziu um estrago econômico extraordinário. Se houve esse movimento de rua contra um governo – é difícil falar qual o governo é pior e qual é pior –, mas este certamente é um governo que vai marcar a história do país como um governo de ataque direto à população. Se houve esse movimento foi devido às pessoas que estão aqui hoje.

A primeira coisa que nós temos que fazer é ter consciência do nosso papel, digamos assim, não apenas político como histórico. Daqui há um tempo as pessoas vão olhar e falar assim: ‘houve o governo Bolsonaro, um governo de militares, um governo que defendia a ditadura, que defendia explicitamente a tortura. Qual foi a reação do povo brasileiro? Foi essa’ e fomos nós que fizemos isso daí porque ninguém queria sair à rua. 

A esquerda brasileira – [e aqui vai uma reflexão] do caráter das forças políticas do Brasil – decretou, no início da pandemia, um recesso de luta política de aproximadamente dois anos. Uma coisa inusitada, nenhum país do mundo fez isso. Vejam que na Europa, por exemplo, a Social Democracia europeia, que é a maior força da esquerda [daquele continente], ela não decretou um recesso. Ninguém decretou um recesso. Os Estados Unidos não decretaram recesso político. É uma coisa absurda, uma coisa que seria inimaginável se nós não estivéssemos vendo com os próprios olhos que isso aí aconteceu. Num país aonde o povo está sendo atacado pelo governo e pelos governos estaduais e municipais, ataques violentíssimos contra todos os direitos e condições de vida da população, a esquerda e as organizações sindicais simplesmente decidem que eles vão ficar fora das ruas fazendo reunião na internet durante dois anos sem contestar a destruição econômica que nós estamos vivendo.

Nós chamamos o movimento à rua, nós falamos desde o começo que isso era um absurdo. Que não pode haver recesso na política, que não pode haver nenhum tipo de recesso. A política é uma atividade essencial para a sobrevivência e para as condições de vida do povo. Dissemos mais: que era necessário sair às ruas até para que os governos fossem forçados a atuar de uma maneira correta na pandemia, o que não aconteceu porque a esquerda se acovardou. 

Aqui é preciso dizer, ao fazer esse balanço, que nós passamos dois anos de pandemia com 640 mil brasileiros mortos – cifra oficial, porque nós não temos a cifra real –, e nunca em momento algum os sindicatos se reuniram, os movimentos populares e os partidos de esquerda se reuniram para discutir um plano operário e popular para enfrentar a pandemia. O quê que nos falaram? ‘Vamos ficar aqui a reboque do Dória. Ele é um cientista. Ele é um elemento civilizatório. Ele vai salvar o país da pandemia. ’ Já era a campanha eleitoral do PSDB, uma campanha fraudulenta porque eles não fizeram absolutamente nada. O Dória, inclusive, conseguiu uma vacina que vai obrigar a que a população de São Paulo seja vacinada três ou quatro vezes para se garantir contra a pandemia. Para termos a ideia do absurdo que foi a posição da esquerda diante da crise.

Quando a cifra tocou em 500 mil mortos e o povo começou a passar fome em grande escala, quando os moradores de rua aumentaram exponencialmente por todo o Brasil, aí já não havia explicação ou desculpa alguma para justificar essa política. Foi nesse momento que a nossa atividade ela mudou o rumo dos acontecimentos e nós conseguimos trazer as pessoas à rua para protestar. A partir daí a vacinação se acelerou – não podemos desconhecer que há uma relação de causa e efeito com isso, que é importante –, cresceu o ambiente de oposição. Mas esse foi o único movimento real de oposição ao governo Bolsonaro. Governo Bolsonaro que toda a esquerda e a classe média bem pensante esquerdista fala que é um governo fascista, um governo fascista diante do qual todo mundo se acovardou. Se nós estivéssemos de uma tentativa de golpe fascista, da implantação, não de um governo, mas de um regime fascista, nesse momento aqui nós não estaríamos fazendo essa reunião, uma parte das pessoas aqui estaria sendo torturada e uma parte estaria sendo assassinada, porque não haveria reação das grandes forças políticas de esquerda a um golpe fascista. Não haveria nada disso.

Nós chamamos as manifestações e nos defrontamos com uma realidade que era apenas a continuação do que havia sido até então: a sabotagem do movimento Fora Bolsonaro. Ao invés de convocar amplamente, dos sindicatos chamarem os diretores sindicais a saírem de casa, a irem aos bairros populares, ao invés de levantar um programa mais amplo apara atender as necessidades da população, as forças políticas desse movimento se dedicaram: primeiro a transformar os atos públicos – quem participou dos atos em SP e no RJ sabe muito bem disso – em um palanque eleitoral para gente que não tem voto e quer subir na vida. Essas pessoas que o companheiro Antonio Carlos falou que estão aí num tapete mágico lá na COP26. Se dedicaram a desorganizar os atos, se recusaram a todo momento a constituir uma direção clara desse movimento, marcaram e desmarcaram os atos a seu bel prazer, brincando com o movimento. No momento que os atos estavam crescendo, chamaram ato para 40 dias depois em São Paulo e no país inteiro para desmobilizar os atos. Fizeram o possível e o impossível. Por quê isso daí? Porque uma parte da esquerda, é muito visível isso agora, – falamos isso no começo, mas muita gente não acreditou – não estava na luta contra Bolsonaro. O pessoal está a reboque dos golpistas. Eles falaram: ‘vamos transformar os atos em atos verde-amarelos’ –uma lembrança muito desagradável do que aconteceu em 2013, quando a esquerda saiu às ruas e o verde-amarelo engoliu à força os atos através da repressão e da imprensa –, procurando transformar aqueles atos, que haviam crescido conta o governo do PSDB de Geraldo Alckmin em São Paulo – que promoveu uma enorme repressão em São Paulo – em atos contra o governo do PT já procurando organizar o golpe de estado que estava em marcha, que começou em 2012 com o processo do mensalão. 

Queriam repetir a mesma farsa: atos verde-amarelos, o PSDB vai no ato, imaginaram eles, aí nós que somos uns trouxas profissionais iríamos aplaudir o PSDB, esquecer tudo o que aconteceu, esquecer o que é o PSDB, aplaudir o Ciro Gomes, aplaudir a Tábata do Amaral, aplaudir o MBL e, com base nessas demonstrações, nós seríamos uma espécie de cartão postal para a campanha eleitoral da terceira via. E se a terceira via não funcionar tome Bolsonaro de novo, quer dizer, uma coisa que é um verdadeiro escárnio, um escárnio contra a população e contra o movimento de luta. 

No meio de todas essas dificuldades, nós derrotamos esse plano. Primeiro, porque a maioria das pessoas que foi ao ato rejeitou o verde-amarelo, o que mostra que a experiência é uma coisa muito importante. Você fazer papel de trouxa uma vez, tudo bem. Mas fazer papel de trouxa seguidamente, não. Então o pessoal falou: ‘nada de verde-amarelo, nós vamos de vermelho’. A onda vermelha, que deu, inclusive, o nome dessa plenária que é a Plenária do Bloco Vermelho, tomou conta das manifestações de norte a sul do país. Nós, outras organizações de esquerda, os militantes de base do PT, estiveram de vermelho mostrando que não vai ter essa farsa que aconteceu em 2013. Não percebendo o problema, e aqui nós temos que dizer uma coisa muito claramente, uma parte dessa esquerda não tem sensibilidade nenhuma, eles são uns ditadores, uns burocratas, eles se fecham numa sala, tomam uma decisão e acham que você tem que obedecer independentemente do que seja, que você é um robô, um zumbi, um rebanho de gado que vai na manifestação. Aí eles tiveram a resposta no chão dessa Avenida Paulista aqui pertinho, aonde eles levaram o Ciro Gomes e o PSDB e o pessoal foi escorraçado da manifestação, literalmente. Daí então acabou a luta Fora Bolsonaro para a esquerda. Eles fecharam o boteco, eles encerraram a mobilização e eles dizem o seguinte: não dá para fazer mais nada, vai ter o 20 de novembro, que vai ter mesmo, porque é uma data até oficial, então vamos no dia 20 e novembro, mas é só.

O que eles estão dizendo para nós? Eles estão dizendo o seguinte: ‘nós temos que fazer um outro recesso. Nós temos que parar novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e em março a gente vê o que a gente faz’. O que significa isso? Significa que, para eles, a situação do povo, o sofrimento extraordinário da população não vale absolutamente nada, não tem significado. É só assunto para discurso em campanha eleitoral, [quando então eles falam que] o povo passa fome, mostra foto e tal. Mas quando você tem as condições de sair às ruas, de tentar encurralar o governo, de mobilizar a opinião popular contra essa situação, nada.

E eu vou dizer mais, porque é uma coisa que fica entalada na nossa garganta, a maioria dessa esquerda vai sair de férias. Vão pegar aí um lugarzinho agradável, uma praia, alguns vão para fora do país, enquanto o povo morre de fome. Aí a gente volta em março todo queimado de sol, todo tranquilo, e aí a gente vê, começa a campanha eleitoral, a gente faz discurso: ‘volta em mim porque eu sou o melhor candidato a deputado que jamais existiu, sou uma pessoa maravilhosa’ e por aí vai. Não é possível isso. Esse é o balanço da situação.

Agora, vejamos bem companheiros, eles querem que o que aconteça seja isso. Recesso até março, depois do carnaval a gente vê e o povo se vira aí. Se o Bolsonaro conseguir aprovar os 400 reais de auxílio – porque a esquerda ficou numa posição ridícula. O Bolsonaro lançou a proposta de 400 reais como uma proposta de tipo eleitoral, como compra de votos –. Eles dizem que a atividade mais importante do mundo é a atividade do Congresso Nacional, mas não teve uma única pessoa com presença de espírito para sequer apresentar um outro projeto contra o projeto de Bolsonaro. Não teve. Nem para mostrar para a população que você não está a favor da compra de votos, mas você defende que o povo tenha algum tipo de auxílio. Não. Simplesmente foram lá, votaram contra o projeto e, eu já vi, – já tive oportunidade de ver a propaganda dos bolsonaristas que fala que a esquerda vota contra o Auxílio Brasil – que querem que o povo morra de fome. É um colapso da esquerda. Sem falar no fato de que os sindicatos – as ‘centrais sindicais’ o que elas fazem a gente está acostumado porque isso é tudo gente comprada pelos patrões –, mas a CUT assina um documento, um protesto que pede a demissão dos trabalhadores que não tomarem vacina, dando aos patrões a autorização para demitir os trabalhadores. Essa gente perdeu completamente a cabeça.

Vocês tem que concordar comigo que nós não podemos aceitar a ideia de que eles saibam efetivamente o que estão fazendo. Com todo o oportunismo e a loucura que normalmente fazem, perderam a cabeça. A campanha do Bolsonaro vai ser assim: ‘esquerda quer demitir trabalhadores, esquerda não quer o Auxílio Brasil de 400 reais, uma esmola’ e o Bolsonaro vai acabar com o Bolsa Família e ninguém fez nada. Só votaram contra lá sem pensar que o país tem um povo, não é só uma máquina de votar, são milhões de pessoas que estão passando fome, que sofrem, que podem perde o emprego. E se a pessoa perde o emprego hoje em dia, a situação de vida dele fica diretamente ameaçada, são 14 milhões de desempregados oficiais, que são aquelas pessoas, na estatística fajuta que a gente tem, que estão procurando emprego ainda, porque já tem mais de 10 milhões que não procuram mais emprego e estão numa subvida.  Quer dizer, nós estamos confrontados com isso e isso daqui companheiros, coloca para todos nós aqui a seguinte questão: nós somos a consciência da esquerda nacional. Nós, porque nós temos preocupação com a situação dos trabalhadores, com o trabalhador que está sendo demitido, que pode ser demitido, com a pessoa que está morrendo de fome de norte a sul do país, nós temos preocupação com isso. Nós temos a preocupação, não de ficar lá no Congresso Nacional fazendo discurso que ninguém liga, mas de tentar mobilizar o povo contra essa situação catastrófica. Pior, por todos os dados que a gente tem, por todos os lados que a gente olhe, a situação da economia brasileira é extremamente grave. Não é só a fome, não é só a paralização da produção, a economia está semiparalisada; nós temos também uma inflação que pode, em algum momento, se transformar em hiperinflação. Nós já temos no país a situação que antigamente chamávamos de carestia. Quer dizer, a inflação é 10 ou 12%, mas a carestia, ou seja, o custo de vida do trabalhador, do povo, já está na casa de 50 a 60%. Isso significa que, se você tem um salário, esse salário já chega na sua mão muito desvalorizado. 

Quanto que essa situação vai piorar até março? Não sabemos e ninguém sabe. Mas, veja só, o país está numa situação de tensão social extraordinária e aí, nesse marco dessa situação, com esses problemas políticos, econômicos e sociais as pessoas que se colocam como coordenação do movimento Fora Bolsonaro dizem ‘não vamos fazer nada até março’. Não é possível, de maneira nenhuma. Inclusive, é preciso denunciar isso. Nós precisamos ter uma política para o povo. Essa tem que ser a nossa primeira e maior preocupação. Nós temos que defender, na medida das nossas forças, as condições de vida da população. Para isso nós temos que discutir aqui hoje um programa – porque uma grande deficiência do movimento Fora Bolsonaro até aqui é que não havia um programa, era só vacina e o auxílio emergencial. O problema da privatização dos Correios, que vai colocar um monte de gente na rua da amargura; a privatização do setor elétrico; as outras privatizações que estão sendo programadas; a ameaça de privatização total da Petrobrás; o problema do desemprego, não há campanha contra o desemprego. Para a esquerda nacional, a coisa é assim: você vai no Congresso Nacional e você aprova uma proposta para dar uma esmola para a população. Mas, isso é vida para a população? Viver de esmola, uma mixaria de dinheiro do estado para poder sobreviver sobre aquela base? Não. O trabalhador quer ter emprego, ele quer trabalhar e ganhar o seu salário – que é o mínimo que se pode esperar numa sociedade capitalista, você ser um escravo assalariado do capital –, é o mínimo que você pode exigir. Mas isso daí não passa pela cabeça de ninguém.

A palavra de ordem que foi uma das palavras de ordem que construíram o movimento operário no mundo todo, que é a palavra de ordem de redução da jornada de trabalho, não é levantada por nenhum sindicato e nenhuma central sindical. Quer dizer, não há um plano para o povo, não há uma reivindicação para mobilizar o povo para conseguir mais empregos. Não há uma proposta para combater a destruição sistemáticas dos empregos no país. Não há nada disso. Outra coisa também, se tem uma coisa que enche o saco é ouvir o pessoal do movimento negro falando abobrinha enquanto o pessoal está sendo assassinado aqui – o companheiro André Constantine deu o depoimento dele – e ninguém levanta a palavra de ordem de dissolução da PM. É uma farsa, uma farsa total. Quer dizer, vamos colocar uma negra lá na Rede Globo, e aí? Para a maioria da população não vira nada. Vamos pegar uma outra organização e vamos financiar um deputado negro para fazer circo no Congresso Nacional. Como se você eleger um deputado negro fosse resolver o problema do negro. O governo do PT escolheu o Joaquim Barbosa para o STF e foi o pior ministro do STF de todos os tempos, e olha que isso é difícil de conseguir, porque os ministros todos são muito ruins. A autodefesa dos trabalhadores nos bairros populares, dos sem-terra, do índio. O índio no Brasil é o tema mais atual de demagogia política, mas você vai na comunidade indígena e o pessoal é atacado por uns jagunços e ninguém faz nada. Não tem uma esquerda que se levante para falar: ‘vamos armar esse pessoal para que eles se defendam dos jagunços’. 

Outra coisa que é uma farsa total, companheiros, é a parte política, porque ninguém propõe mudar o regime que nós temos nesse país aqui que é uma monstruosidade. Ninguém propõe mudar a lei eleitoral. Ninguém propõe mudar o controle das eleições pelo TSE. Agora o presidente do TSE vai ser o careca do Alckmin, do PSDB. Vocês imaginem como vai ser esse cidadão no TSE como presidente, colocaram literalmente a raposa para tomar conta do galinheiro. Colocaram o PSDB para controlar as eleições no Brasil. Pior, durante todo o período anterior, a esquerda fazia campanha contra o Bolsonaro que estava pedindo o voto impresso. Por quê? Porque o Alexandre de Moraes merece toda a nossa confiança. Como? Onde que alguém pode confiar no Alexandre de Moraes? [Com relação ao STF], ele deu o golpe, ele foi uma das estruturas fundamentais do golpe.

A esquerda não tem programa político, não pede a eleição de juízes, e nós tivemos que ver aqui uma coisa que mostra bem porque que a frente de esquerda não funciona. A frente de esquerda na luta contra o Bolsonaro não funciona, porque o PDT o PSB e o PSOL junto com o PSDB e outros foram votar contra a PEC 5 que diminuía um pedacinho do poder autocrático, ditatorial desses procuradores, como o Deltan Dallagnol. Aí o pessoal vai fazer onda na rede social porque o Dallagnol saiu e vai ser candidato. Mas por que não votaram a PEC para diminuir o poder dessa gente? Foram eles que deram o golpe. Aquele voto é um voto pelo golpe permanente. Que outro significado pode ter isso daí? É um voto pelo golpe permanente. É preciso ter um programa, precisa ter um controle exterior, popular dessa gente, dos juízes, de todos eles. Não há programa político. Aí a pessoa chega e fala assim: ‘nós vamos ganhar a eleição, está tudo resolvido’. Está nada. Se você ganhar a eleição você vai levar um golpe, você não vai governar. Na época que a Dilma era presidente, estava lá esse Daiello na Polícia Federal que é um homem da CIA, controlando a Polícia Federal para dar o golpe. Abriram investigação contra a presidência da República sem que a presidenta da República soubesse que estava sendo investigada. Então, é preciso também ter um programa político e, acima de tudo, defender que nós queremos um governo popular, dos trabalhadores, do povo que sofre, que está aguentando a situação. Nós não queremos governo de golpista. Não queremos governo desses vagabundos que emporcalharam o Brasil até não mais poder. Nós defendemos a candidatura Lula, mas nós queremos e nós vamos lutar por um governo dos trabalhadores.

Para concluir, companheiros, eu queria colocar aqui algumas propostas para que façamos a discussão. Nós temos hoje e amanhã para discutir bastante, trocar ideias e levantar sugestões sobre esses temas. Queria propor que nós, Bloco Vermelho, convocássemos um novo ato nacional em São Paulo para o dia 11 de dezembro. Nós não vamos aceitar que coloquem uma lápide em cima do movimento que nós levamos às ruas.

Nós precisamos de um plano de organização do Bloco Vermelho. Nós insistimos, durante todo esse movimento, que era preciso que o movimento tivesse um alicerce na mobilização dos ativistas, se não na mobilização popular geral, na mobilização dos ativistas. Que o pessoal fizesse o que nós estamos fazendo aqui hoje, chamasse uma plenária de ativistas para discutir o movimento. Afinal, quem está fazendo o movimento? Somos nós. Por que tem que ter três pessoas que tomam todas as decisões? O pessoal não quis ouvir e o que aconteceu? Levaram seus convidados de honra na Paulista e o pessoal foi escorraçado. Precisa ouvir as pessoas. Movimento democrático é um movimento onde a direção se apoia na base, que escuta o que o pessoal quer e não faz a coisa sozinha. Eu posso querer uma coisa, como dirigente político eu posso querer uma coisa, mas se todo mundo quiser uma coisa diferente você tem que ouvir. Você tem que ser flexível em relação a isso. Se não você não é direção de um movimento, mas de si mesmo. A função da direção é organizar a coisa, dar uma orientação, mas precisa ouvir. Então, nós precisamos organizar plenárias como esta que estamos fazendo aqui, em todos os estados. No começo do ano, em janeiro, provavelmente, nós devemos fazer essas plenárias. Depois nós devemos partir para plenárias estaduais e nós temos que fazer do carnaval um momento de luta política. Nós temos que fazer com que o carnaval expresse nossas reivindicações, temos que levar os problemas populares, o ‘fora, Bolsonaro’. Ali onde for possível, criar blocos carnavalescos que façam essa propaganda. Não devemos deixar que seja um carnaval despolitizado. Devemos fazer do carnaval uma grande manifestação política nacional. E com esse trabalho preparatório, eu acredito que nós temos condições de retomar os atos públicos no começo do ano. Nós teremos que avaliar no momento.

Uma última palavra sobre a candidatura Lula. Um dos grandes truques da sabotagem das manifestações foi tentar impedir que se manifestassem as pessoas que querem Lula como presidente. Em alguns lugares, não só nós do PCO, mas companheiros do PT, foram ameaçados para não levar faixas “Lula presidente”. Uma coisa absolutamente inacreditável. Por quê que a gente não podia levar a faixa? Porque o PSDB vai no ato e vai ficar magoadinho. O Ciro não vai gosta. E aí? O que nós temos a ver com eles? Eles fazem o que quiserem e nós fazemos o que a gente quer. Sem falar que, eu poderia falar isso daqui porque nós temos consciência disso, mas foi feita uma pesquisa na Paulista que determinou que 80% das pessoas que estavam no ato votariam no Lula. Ou seja, é uma farsa. As pessoas que fizeram o ato e lutam contra o Bolsonaro querem votar no Lula porque, para elas, ‘fora, Bolsonaro’ é a mesma coisa que ‘Lula presidente’. Porque, veja bem, suponhamos que o movimento fosse muito forte e derrubasse Bolsonaro, qual que é a continuação disso? Lula presidente. Não tem outra continuação. Então, é um absurdo. Nós até dissemos, e eu coloca aqui para discussão, que nós temos que ir para esses partidos lamentáveis da esquerda e colocar para eles uma coisa muito simples: no governo está o Bolsonaro, vocês falam que o Bolsonaro é fascista. Vocês falam que esse governo é horrível e não podemos mais aguentar nem mais um minuto esse Bolsonaro – tanto que vocês apoiam o STF em tudo o que ele faz só porque é contra o Bolsonaro. Então se vocês são tão contra o Bolsonaro, só tem um candidato que pode derrotar o Bolsonaro na eleição que é o Lula. Por que a esquerda não se define de uma vez a favor do Lula? Então, nós propomos levar, não somente à cúpula da esquerda – mas devemos tirar uma carta dessa plenária aqui para todos os militantes da esquerda – falando: ‘a esquerda tem que apoiar a candidatura do Lula desde já, imediatamente e sem impor nenhuma condição’.

Nós sabemos que o PT está sendo acossado, chantageado por essas pessoas que se dizem de esquerda, para que ele faça concessões absurdas para eles apoiarem a candidatura do Lula. Uma coisa que acho que já é pública e notória para todo mundo é que o Guilherme Boulos exigiu, em troca do apoio dele ao Lula, – [algo que para mim não vale muita coisa] – que o PT abrisse mão da candidatura própria para apoiar ele em São Paulo. Quer dizer, com isso, na minha opinião, eles querem simplesmente enfraquecer a campanha do Lula, eles não querem apoiar nada. Quer apoiar, vamos apoiar agora. Na época que foi eleito o Biden, que é um genocida, a gente discutia com gente da esquerda e o pessoal falava assim: ‘o Biden é um mal menor em relação ao Trump, tem que apoiar o Biden’. Então, qualquer que seja a sua opinião, o Lula é um mal menor. Na pior das hipóteses, o Lula é o mal menor, apoia ele e apoia já e vamos criar um movimento forte, que tenha um programa e seja ligado ao povo, que vá aos bairros populares fazer campanha para derrotar o Bolsonaro, um movimento de toda a esquerda nacional para derrotar o Bolsonaro. É isso que nós temos que fazer e já. Eu proponho que todos nós aqui elaboremos uma carta aberta à toda esquerda nacional para que apoie o Lula desde agora.

Obrigado, companheiros.”

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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