Expulsão dos EUA

Vitória do Talibã é uma vitória das mulheres

Imperialismo usa de propaganda para incentivar guerra que durou 20 anos e causou mortes, estupros e outros abusos contra milhares de mulheres afegãs

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Mulheres em Mazar-i-Sharif, no Afeganistão – Foto: reprodução

A jornalista Ekaterina Blinova questionou em uma matéria publicada na agência de notícias russa Sputnik o fato de que, enquanto a imprensa burguesa mundial propagandeia o terror do Talibã contra as mulheres do Afeganistão, as pessoas que aparecem nas fotos e vídeos do aeroporto de Cabul tentando fugir do país é, em sua imensa maioria, formada por homens.

A jornalista destaca ainda na matéria que, desde que o atentado ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001 aconteceu, o imperialismo e, em especial a os EUA, bombardeiam a população com notícias, reportagens, filmes, livros e outros tratando da falta de direitos que as mulheres possuíam no pobre país asiático durante os anos de governo talibã.

O problema é que, por mais que haja a propaganda imperialista e, por mais que as mulheres afegãs de fato não possuíssem os mesmos direitos que as mulheres dos países europeus e dos EUA, sua situação não avançou durante os anos de invasão imperialista.

Durante os últimos 20 anos, as mulheres sofreram com um genocídio. Não no sentido vulgar que esta palavra vem ganhando nos últimos tempos e se referindo a tempos longínquos da humanidade, mas um genocídio de fato, de uma potência extremamente forte contra um país pobre e sem o mesmo nível tecnológico e armamentício para poder resistir à invasão. Foram pelo menos 500 mil pessoas mortas durante a invasão, sendo a maioria das vítimas civis, mulheres e crianças. As pessoas que resistiram foram sujeitadas a torturas, humilhações, estupros e etc. Os EUA fizeram vista grossa para clubes de pedofilia, em que crianças eram transformadas em escravos sexuais dos militares que apoiavam a ditadura fantoche a favor do imperialismo, deixando as famílias das crianças desesperadas. Há casos em que as mulheres afegãs tinham de se sujeitar à prostituição em troca de água e comida, pagos pelos militares norte-americanos presentes no país.

Todos esses dados são muito menores do que o que de fato ocorreu no país contra a população afegã e podem ser facilmente confirmadas em pesquisas na internet.

Ainda assim, o leitor pode se perguntar sobre a imposição da sharia pelo Talibã e se isso não seria o pior dos mundos para as mulheres. No entanto, mesmo que desconsiderando os dados acima, é preciso questionar se de fato as mulheres abandonaram as leis islâmicas durante a invasão dos EUA. A resposta é não.

Isso porque as mulheres nunca se viram livres da sharia. O país é atrasado, pobre, com 74% de sua população vivendo em áreas rurais e se dedicando à criação de cabras e em plantações de papoula. As tradições islâmicas são seguidas pela maioria da população não por conta de uma imposição pela lei, mas sim por conta de esta ser a cultura do povo local. Muitas das mulheres, inclusive, acreditam na religião islâmica e a seguem, não por imposição masculina simplesmente, mas por esta ser sua crença pessoal.

Além disso, os EUA nunca acabaram com a sharia e as afegãs nunca tiveram acesso a universidades, ao mercado de trabalho ou deixaram de usar a burca, como é pintado. Isso é fácil de se comprovar pelo simples fato de que os EUA não investiram na construção de universidades e no emprego da população. Se pensarmos que a universidade é restrita às áreas urbanas (26% da população), que existem poucas universidades (os EUA, inclusive, destruíram parte da infraestrutura do Afeganistão na invasão) e que elas são destinadas a uma parcela minúscula da população, já podemos ver que o acesso à universidade pelas mulheres era nulo.

Pode ser que, por uma questão de propaganda, um setor minúsculo da burguesia e da pequena burguesia afegã tenha chego a cursar um curso superior no Afeganistão. Mas isso não atingiu o grosso das mulheres no país.

Não só no Afeganistão, mas em todo o mundo, o imperialismo é prejudicial para as mulheres. É exatamente este setor político que apoia os governos fantoches no Oriente Médio que prejudicam a vida das mulheres, como o governo israelense, que massacra as mulheres palestinas, e o governo da Arábia Saudita que possui inclusive uma polícia política para garantir que as pessoas sigam as leis islâmicas ao pé da letra. O imperialismo também foi o responsável pelo golpe de estado de 2016 no Brasil, destituindo a primeira presidenta do País.

Sendo assim, ao enfraquecer o imperialismo com uma derrota estrondosa, o Talibã auxilia a luta das mulheres em sua libertação contra a opressão que é garantida pelo imperialismo, contraditoriamente.

Isso acaba por destruir a propaganda imperialista, vinda direto da CIA, como vazaram documentos do Wikileaks em 2010, que investiu em propaganda feminista para justificar a invasão ao Afeganistão e ao Iraque.

É preciso desmascarar essa tentativa imperialista de tentar fazer parecer que os grandes inimigos da humanidade, na realidade, são os mocinhos que protegem as mulheres.

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