Intervenção americana

Como fez com Trump, imperialismo “alerta” golpe no Brasil

Estados Unidos tentam pintar um golpe para mascarar o golpe que eles mesmos estão dando no Brasil

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Donald Trump na campanha eleitoral de 2016, quando aproveitou a crise nos Partido Democrata e Republicano para se eleger. – Foto: Gage Skidmore/ Flickr.

Veio à tona no final de abril um artigo do ex-diplomata norte-americano Scott Hamilton intitulado “Defendendo a democracia”. O texto foi publicado no jornal O Globo e traz alerta em torno do risco de que Bolsonaro questione tanto os resultados eleitorais, quanto as urnas eletrônicas ou quaisquer das instituições envolvidas no processo como um todo.

Scott Hamilton e a “democracia”

O ex-diplomata foi cônsul-geral no Rio de Janeiro entre 2018 e 2021 e teve atuação destacada na América Latina durante o governo Obama, durante o qual ocorreram diversos golpes no subcontinente. Hamilton começa seu artigo exaltando o “poder e prestígio democráticos brasileiros” em nível global, em contraponto ao que chama de “crescente avanço da autocracia” mundo afora.

É importante destacar o tom dessa exaltação feita pelo ex-diplomata para entender a perspectiva apresentada. Segundo Hamilton, em geral o Brasil tem “espetaculares instituições democráticas independentes”, citando como exemplos “imprensa, ONGs, TSE, STF e o próprio sistema de votação”. Seu texto, aliás, foi publicado num importante veículo dessa imprensa “democrática” e “independente”, o grupo Globo.

Chama a atenção o recorte em torno do problema da urna eletrônica. O YouTube já proibiu, de maneira velada, o questionamento em torno do processo eleitoral e da inviolabilidade das urnas eletrônicas. Agora, um ex-diplomata do Departamento de Estado dos Estados Unidos dedica algumas linhas para decretar que o sistema brasileiro é “de primeira linha”, “rápido e confiável”, tendo ainda “um histórico irretocável”.

Hamilton aproveita para contrapor as “espetaculares instituições democráticas independentes” a Bolsonaro. Uma manobra para colar qualquer crítica a TSE, STF, ONGs e até a imprensa ao “aliado problema” dos Estados Unidos. É interessante que o ex-diplomata cita uma crítica às ONGs que caberia facilmente na fala da esquerda, que é relacionar a atuação de várias delas aos interesses estrangeiros.

O artigo é finalizado com um pedido público para que o governo Biden coloque Bolsonaro na linha no sentido de não fomentar a desconfiança em torno das sagradas urnas eletrônica. No melhor estilo imperialista, Hamilton propõe que o governo norte-americano ameace o Brasil com sanções. Sanções que seriam impostas “simultaneamente por um amplo grupo de países”. Deixando escapar que essa sincronização não necessitaria ser negociada com os demais países, pois esses detalhes não importam para os paladinos da democracia.

Bolsonaro na coleira

A revista Veja, outro exemplar de “instituição democrática independente”, deu conta de que cópias do artigo foram distribuídas a executivos de multinacionais que atuam no Brasil por diplomatas norte-americanos. Bolsonaro é associado a Trump nesse sentido de questionar a lisura do processo eleitoral, que tanto aqui quanto lá acumulam casos suspeitos. No caso dos Estados Unidos, casos inclusive comprovados, como na primeira eleição de George W. Bush.

Partindo de um ex-funcionário do Departamento de Estado, que inclusive deu aval ao artigo, não se trata de mera opinião casual. Estamos diante de um esforço muito claro do imperialismo em blindar de críticas e denúncias o processo eleitoral de 2022 no Brasil. O mínimo que a esquerda pode fazer é desconfiar de tanto ímpeto na defesa de instituições com tão pouca credibilidade quanto o TSE, o STF e as demais “instituições democráticas independentes”.

Mas é importante ter em vista que, longe de se tratar de um descarte do ilegítimo presidente, eleito mediante uma explícita fraude “democrática” em 2918, a pressão sobre Bolsonaro ainda o mantém no banco de reservas. É como o banqueiro André Esteves explicou em áudio vazado no final do ano passado, Bolsonaro é um candidato aceitável “se ficar calado”. Ou seja, não é o candidato ideal da burguesia, não por qualquer grave divergência, mas porque gera efeitos colaterais adversos.

A terceira via e as urnas

Um problema para a terceira via chegar ao poder, depois de resolvidas as disputas no interior da direita mais tradicional, são justamente as urnas. Fora dos polos da situação altamente polarizada, que a crise política impôs, não existe candidato que possa ser vendido como figura com grande popularidade. A terceira via só pode ganhar chegando ao segundo turno por margem apertada.

Isso pressupõe que a população aceite a derrota da esquerda por um número relativamente pequeno de votos. O que só é possível se não houver contestação da confiabilidade das urnas eletrônicas, das empresas terceirizadas que farão sua manutenção, do TSE, STF, ONGs, imprensa…

O artigo de Scott Hamilton, nesse sentido, é mais uma indicação de que o imperialismo ainda acredita na possibilidade de eleger uma figura impopular da terceira via, um político que ajude a estabilizar o regime pós-golpe de 2016. Mas se a manobra falhar, é Bolsonaro de novo, e talvez com uma coleira mais apertada do que nos últimos quatro anos.

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