Imperialismo no ataque

Com 33 bilhões de dólares, EUA entram oficialmente na guerra

Para não perder o controle da situação, EUA entram oficialmente na conflito entre Rússia e Ucrânia, o que pode tornar o próximo período ainda mais convulsivo

O imperialismo, apesar de debilitado, age ainda mais agressivamente

É preciso lutar pela revolução socialistas e acabar, de uma vez por todas, com o regime fascista do imperialismo – Foto: Reprodução

A imprensa burguesa não está conseguindo esconder os avanços da Rússia na Ucrânia. Toda a região leste do país está dominada, com exceção de Karkivia que oferece certa resistência, mas que deve cair em breve. Olhando no mapa, se pode ver que o controle toma também quase toda a região Sul, chegando já às portas de Odessa. Um dos principais objetivos anunciados por Putin, o de proteger as regiões separatistas contra os ataques dos nazistas, está praticamente concluído.

Após a tomada da cidade de Kherson, ao sul, próximo à Crimeia, surgiu a questão de se realizar um plebiscito para estabelecer a independência da região. Se isso se concretizar, a meta de libertar essa região, somado ao aniquilamento do aparato militar ucraniano – força aérea, marinha e divisões de blindados – será uma grande avanço nos planos da Rússia nessa operação.

O sucesso russo obrigou o imperialismo a dar o passo seguinte de uma de suas principais resoluções: o de participar diretamente dos acontecimentos sem ter que declarar guerra à Rússia. O governo Biden vai oferecer aos ucranianos US$ 33 bilhões em equipamentos militares em um sistema de leasing. Dessa maneira, temos agora oficialmente uma guerra entre os russos e o imperialismo dos Estados Unidos.

Alguns poderiam questionar o porquê de as sanções já não representarem uma participação efetiva no conflito, e isso se dá pelo fato de que qualquer país pode condenar uma guerra e tomar determinadas medidas contra uma das partes.

A entrada oficial dos EUA no conflito coloca em xeque a posição da esquerda que tem setores que até então se colocam “contra a Rússia”, uma tergiversação para esconder que apoiam o imperialismo. Agora, não há como escapar, esses setores estão formalmente formando uma frente única com o governo Biden na Ucrânia.

Estamos diante uma situação esdrúxula: ou essa máquina de opressão e esmagamento das liberdades em escala mundial se tornou um defensor e promotor da democracia e da liberdade (o que, obviamente, não é o caso), ou setores da esquerda se transformaram em apêndices dessa máquina centenária de crimes contra a humanidade que é o imperialismo norte-americano.

A desculpa que muito se tem visto por parte da esquerda, e intelectuais pequeno-burgueses, é que não se trata de uma luta contra o imperialismo, mas uma defesa da autodeterminação dos povos. Alguns até buscam em Lênin, de maneira equivocada, o respaldo marxista para abordar o tema. O que mostra que lhes falta o conhecimento básico de política.

Vejamos: a autodeterminação dos povos se aplicaria, por exemplo, ao caso dos catalães, um povo que vive em uma determinada região da Espanha, que tem uma língua própria e reivindica a separação e formação do próprio país. Na Ucrânia, as populações de Donetsk e Lugansk, de maioria de etnia russa, e brutalmente perseguida pelos nazistas ucranianos, também reivindicam a formação de Estados próprios. Apoiar a Ucrânia é estar contra a autodeterminação dos povos, uma contradição flagrante. Não bastasse isso, não existe entre Rússia e Ucrânia qualquer tipo de reivindicação nesse sentido, ambos são países distintos.

O problema é o uso esquemático que alguns fazem do marxismo. Embora defendamos o direito da reivindicação de separação, nem por isso devemos sempre defender a separação em determinada situação concreta. Pode acontecer, por exemplo, de o imperialismo tentar forçar uma separação em determinado país como forma de diminuí-lo e enfraquecê-lo. É o que temos visto atualmente em Taiwan, onde a ilha está sendo usada pelo imperialismo para atacar a China.

Perigo à vista

A entrada dos EUA no conflito, embora por enquanto não esteja enviando tropas, pois ainda estão nos seus primeiro movimentos, aponta para um período muito convulsivo. O imperialismo está perdendo controle da situação, como bem demonstra o mapa do avanço russo, e isso pode se tornar uma grande humilhação para o imperialismo. Se nada fizerem, poderão ter problemas até na política doméstica: o partido Democrata, diante desse fracasso, estaria liquidado frente ao Republicano.

A Polônia é um novo fator que surge nesse conflito. O país é controlado por uma direita ultra-católica que emergiu da total destruição econômica produzida pelo Solidariedade, e hoje se tornou uma espécie de protetorado dos EUA. A Polônia vem provocando a Rússia desde o início, já ofereceu aviões de guerra para a Ucrânia e exortou a OTAN a entrar na guerra. Recentemente, os poloneses declararam que poderiam ocupar a cidade de Livov, na Ucrânia, que já foi polonesa, o que os levaria em confronto direto com a Rússia. Seja como for, o conflito vai escalar.

Um outro fator importante, é o fato de as potências terem desenvolvido armas nucleares pequenas, ou táticas, que têm efeito e radiação menores, o que pode animar as nações a utilizarem esse tipo de armamento. O imperialismo se vê na necessidade de conter os russos e os chineses.

A Rússia, ao contrário do que pretendiam os EUA, não ficou isolada, já que metade dos países ficou do lado dos russos, apesar de ameaças e sanções. Alguns ficaram “neutros”, mas isso é uma maneira de não enfrentar o imperialismo. O próprio bloco do imperialismo está sofrendo uma compressão. Os países da mini-OTAN, Japão, Índia e Austrália, estão tendo algum tipo de rebeldia no que diz respeito a sancionar ou não comprar commodities da Rússia. A Alemanha vai viver uma situação caótica no caso do corte de fornecimento do gás russo.

Essas vacilações dentro do bloco são sinais de fraqueza, e isso obriga os próprios EUA a colocarem o pé para dentro da guerra, para demonstrar liderança. E essa fraqueza, que ficou super evidente na derrota no Afeganistão, obriga o imperialismo a ser ainda mais agressivo. Isso se nota na retórica do governo britânico que, além das declarações desastradas de Boris Johnson sobre conflitos nucleares, contou agora com declarações da secretária de Relações Exteriores, Liz Truss, que foi prontamente rebatida pela China, conforme publicamos. Se o imperialismo não conseguir controlar a situação, provocará a rebelião de todos os países que vivem oprimidos por esse sistema de dominação capitaneada pelos EUA.

Na Alemanha, começam a se multiplicar manifestações contra o envio de armas para a Ucrânia (leia), o que demonstra que os alemães não querem uma guerra com os russos e todos sabem que uma guerra generalizada seria uma grande tragédia, ainda mais se considerarmos que a crise econômica afeta a todos de maneira implacável.

Imperialismo = fascismo

Considerando os eventos políticos, podemos determinar que o imperialismo está, mais uma vez, lançando mão do fascismo para controlar a situação. Da mesma maneira que deram suporte ao fascismo em Portugal e na Espanha, além de ter financiado golpes e ditaduras fascistas por todo o mundo, o imperialismo financiou o nazismo na Ucrânia para tentar botar um freio na Rússia.

Estamos assistindo agora uma tentativa de golpe no Paquistão, vizinho da Índia, um dos países “rebeldes”. Aqui na América do Sul, a Colômbia, um protetorado ianque, tem matado lideranças populares praticamente todos os dias. Desde o início do ano, já são mais de cinquenta mortos, e mal terminou o mês de abril.

É importante que a esquerda entenda que a política do imperialismo para o Brasil é o de tentar alinhar o governo com seus interesses. O golpe de 2016 foi dado justamente para subordinar o governo. Um eventual governo Lula vai precisar de muita mobilização social contra os ataques que virão do grande capital, daí a importância de tomarmos as ruas, pois só a força popular é capaz de vencer o fascismo.

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