Equador Conflagrado

Análise: o Bolsonaro que Joe Biden gosta

Governo direitista do banqueiro Gillermo Lasso enfrenta a realidade das ruas: população mobilizada!

População encurrala policiais

População encurrala polícia durante protesto – Reprodução

Para entender a atual situação do Equador é preciso fazer uma pequena retrospectiva de como Guillermo Lasso chegou à presidência.

O governo de Lenín Moreno quase foi derrubado pelas manifestações populares. Moreno foi o sucessor e traidor de Rafael Correa, além de ser o indivíduo que vendeu Julian Assange para o imperialismo. Correa teve que se exilou na Bélgica para não ser preso, pois no Equador a Justiça também participa dos golpes, como vem acontecendo em toda a América Latina.

Artigos Relacionados

De um governo mais nacionalista e com alguma política social, no caso de Correa, o Equador experimentou com Lenín Moreno o modelo neoliberal, o que fez o país se conflagrar. Nas eleições seguintes, o candidato de Rafael Correa, Andrés Araus quase venceu as eleições, perdeu para banqueiro Guillermo Lasso, hoje no poder, por margem muito pequena 52% a 48%.

Arauz foi um candidato extremamente moderado, na verdade escolhido pela burguesia e pelo imperialismo. Sua falta de enfrentamento e de polarização o condenou à derrota. Temos dito que a candidatura foi feita para ser derrotada. O nacionalismo burguês e a esquerda pequeno-burguesa se adaptam muito rapidamente ao golpe. Podemos comparar com o Brasil, onde assistimos políticos de esquerda sugerindo para se “virar a página do golpe”; ou mesmo os esforços de setores supostamente radicais, como PSOL e PCdoB trabalhando para formar uma frente ampla com direita golpista, batizada de ‘campo democrático’. Tudo em nome de se derrotar o fascismo.

Modus operandi

Uma vitória como a de Lasso não pode ser conquistada sem uma ampla campanha de ataques na grande imprensa contra seu principal oponente, bem como o controle de todo o aparato eleitoral controlado pela direita.

A esquerda, por sua vez, contribui ao apostar todas as suas fichas nas eleições. Em vez de se apoiar no povo, que tem inúmeros motivos para estar radicalizado, a esquerda age muito mais como um freio das tendências das massas.

No Brasil, o caso é semelhante, acordos são feitos por cima, as massas não estão mobilizadas adequadamente, o que é um grande perigo, apesar de Lula estar abrindo grande vantagem em relação ao segundo colocado. Neste momento são 19 pontos na dianteira. Mas isso não significa que as eleições estão ganhas.

Protestos populares

O que não faltam no Equador são motivos para a rebeldia popular. No prazo de um ano o preço do diesel subiu 90%; a gasolina 46%. Os trabalhadores rurais estão endividados com os bancos, é alto o índice de desemprego. Além do avanço de mineradoras, com concessões, para minerarem em terras indígenas.

A prova de que as coisas não andam nada bem para Guillermo Lasso, é que com pouco mais de um ano de mandato a sua popularidade é extremamente baixa, mais de 70% dos equatorianos reprovam o governo.

As recentes manifestações dos indígenas têm sido muito polarizadas e a truculência do governo só tem acirrado ainda mais os ânimos.

Prisão arbitrária

O governo de Lasso arranjou uma desculpa para fazer uma prisão em flagrante de Leonica Iza, líder da Confedereção das Nacionalidades Indígenas (Conaie). Não bastasse a ilegalidade, pois sequer havia uma ordem para sua prisão, Iza foi levado para interior, onde não poderia audiência. Assista ao vídeo, em inglês e espanhol, aos 1m24s. Neste dia 15 a justiça ordenou sua soltura.

A soltura de Iza se deve ao fato de ter aumentado a fúria da população, não esperemos justiça de quem prende uma pessoa e não permite que esta entre em contato com seus advogados ou familiares. O governo, antes da prisão, havia dito que prenderia ‘autores intelectuais e materiais de atos de vandalismo’ durante os protestos.

Violência estatal e mortes

Guilhermo Lasso já decretou dois estados de emergência. No dia 20, segunda-feira, Lasso revogou um estado de emergência decretado no dia 17, um pouco antes de a Assembleia Nacional fazê-lo, o que mostra uma cisão dentro do governo. No entanto, Guillermo Lasso tratou de decretar um novo estado de emergência com a validade de trinta dias. Esse decreto suspende os direitos de reunião e associação de pessoas. Para Virgílio Saquicela, presidente da Assembleia Nacional, o que se necessita é de diálogo como forma de arrefecer os ânimos e estabelecer um acordo.

A repressão já deixou três manifestantes mortos, além de quatro desaparecidos. Já se somam 11 dias de protestos muito intensos contra os aumentos dos preços dos alimentos, dos combustíveis, precariedade do sistema de saúde, privatizações de empresas etc.

Resposta das ruas

Os indígenas incendiaram uma delegacia e um banco, além de promoverem saques e ataques a instalações governamentais e privadas. Sois policiais se encontram em poder dos indígenas.

A Confederação de Nacionalidades indígenas, além de outras 53 entidades estão rebeladas porque não há meios diálogo com o governo.

Manifestantes equatorianos
Manifestações massivas contra o governo neoliberal

O povo precisa manter a pressão nas ruas para derrubar esse presidente, um banqueiro colocado poder para levar adiante uma política neoliberal, que tem por único objetivo esmagar a população.

Embora já se ouçam vozes pedindo a volta de Rafael Correa, nada é mais forte que a mobilização popular. No Equador estamos presenciando isso que deve ser a ponta do iceberg, uma enorme descontentamento que se espalha por todo o continente.

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

Diferentemente de outros portais, mesmo os progressistas, você não verá anúncios pagos aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos de maneira intransigente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Trabalhamos dia e noite para que o DCO cresça, se desenvolva e seja lido pelas amplas massas da população. A independência em relação à burguesia é condição para o sucesso desta empreitada. Mas o apoio financeiro daqueles que entendem a necessidade de uma imprensa vermelha, revolucionária e operária, também o é.  

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com valores a partir R$ 20,00. Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.