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União Europeia

Povo vai às ruas contra as medidas de vacinação obrigatória

A “democrática” União Européia reprimindo duramente os manifestantes contra o passe sanitário e a vacinação obrigatória

Cartaz diz “não ao passe sanitário” em protesto na França – Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters

Redação do DCO

(*) Por Tiago Carneiro, correspondente em Luxemburgo

A Europa vem presenciando nas últimas semanas protestos contra a vacinação obrigatória de cidadãos e os chamados “passaportes sanitários”, impostos pelos governos burgueses. Aqui, podemos destacar as manifestações ocorridas na França e Alemanha, mas protestos ocorreram, também, em outros países importantes do bloco europeu, tais como a Itália e a Grécia. 

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Na Itália, cerca de 80 mil pessoas se reuniram em diversas cidades contra o chamado “passaporte verde”, que restringe diversas atividades cotidianas aos vacinados ou aos que possuem um teste negativo de Covid. Os manifestantes gritavam palavras de ordem tais como “liberdade de escolha” e “abaixo à discriminação” (RFI, 01/08/2021) . Além das manifestações de rua, membros do partido Irmãos da Itália invadiram a câmara dos deputados do país e realizaram um protesto com cartazes e palavras de ordem. 

Na França, há um decreto que obriga a vacinação de profissionais que trabalham em hospitais e outros estabelecimentos médicos, trabalhadores de asilos, cuidadores e bombeiros. Esse grupo específico terá até o dia 15 de setembro para se vacinar. Essa medida enfureceu diversas categorias, e existem muitos relatos na imprensa burguesa de pessoas que preferem mudar de profissão que tomar a vacina. No dia 4 de agosto, o sindicato dos bombeiros declarou que a categoria entrará em greve geral por tempo indeterminado contra a medida de vacinação obrigatória (RT France, 05/08/2021). 

Como na Itália, na França também existe um “passaporte sanitário”, ou seja, é necessário estar vacinado ou apresentar um teste de Covid para realizar diversas atividades de lazer ou da vida cotidiana, tornando inviável a vida dos não vacinados. Portanto, é apenas uma maneira que o governo Macron utiliza para tornar a vacina obrigatória sem falar que ela o é, restringindo assim os direitos daqueles que não querem se vacinar.

Nessa situação, manifestações de grande porte vêm ocorrendo por três semanas consecutivas. No último sábado de julho, cerca de 200 mil pessoas compareceram aos protestos. 

Como nos demais países da Europa, os manifestantes foram duramente reprimidos pelas forças policiais. Para se ter uma ideia da dureza dessa repressão, cerca de 3 mil policiais foram mobilizados em Paris (France 24, 31/07/2021). Em Lille, no norte da França, a polícia reprimiu uma manifestação utilizando bombas de efeito moral. No vídeo pode ser visto que crianças, adolescentes e um cadeirante estavam perto do local onde as granadas de efeito moral e de gás explodiram. Em outros países, por muito menos, representantes da União Europeia vieram a público para protestar contra a “violência contra manifestações pacíficas”.

Protestos também tomaram a Alemanha, principal país do imperialismo europeu. Como na França, Itália e Grécia, na capital do país, os manifestantes também foram duramente reprimidos por cerca de 2000 policiais (Euronews, 02/08/2021). Mas aqui vale destacar a dureza da repressão: em Berlim, cerca de 600 manifestantes foram detidos e um homem de 49 anos morreu durante a ação policial. A imprensa burguesa prontamente tenta justificar a ação das forças de repressão: “policiais foram agredidos”, “manifestantes tentaram quebrar a barreira policial” e, claro, “as causas da morte do homem de 49 anos serão investigadas” (The Guardian, 02/08/2021). 

Como esse fato ocorreu no país mais importante do imperialismo europeu, ninguém irá pedir sanções contra a Alemanha, tampouco irão chamar o país de ditadura. Isso vale apenas para os países onde o imperialismo quer dar golpe de estado. 

É válido denunciar que essas manifestações que estão ocorrendo por toda a Europa não são uma iniciativa da militância política da extrema direita. Ela é geral, de setores democráticos, que inclui setores sindicais importantes. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), por exemplo, defende que o governo não torne a vacina obrigatória para determinados grupos. Diversos partidos de esquerda se posicionaram abertamente da mesma forma. 

Essas medidas antidemocráticas, como a vacinação obrigatória e o passaporte sanitário, são emblemáticas na crise de representatividade dos regimes imperialistas, pois são rejeitadas por uma parcela expressiva da população, que cada vez menos está disposta a aceitar os desmandos de governos burgueses “puro sangue”, como o de Angela Merkel, tidos como democráticos por uma parte da esquerda mas altamente impopulares junto às massas.

No meio de toda essa crise, França e Alemanha declararam planos de aplicar uma terceira dose de imunizante a partir de setembro de 2021 nos que eles chamaram de “mais vulneráveis”. De acordo com uma notícia publicada pela Reuters no dia 5 de agosto, o diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, declarou que “não podemos  aceitar que países que já usaram a maioria dos suprimentos globais de vacina usem ainda mais doses”. Por sua vez, o ministro da saúde da Alemanha retrucou, dizendo que “a Alemanha já doou mais de 30 milhões de doses para os países menos favorecidos” (quanta generosidade!) e que “queremos prover aos grupos mais vulneráveis uma terceira dose de precaução e ao mesmo tempo apoiar a vacinação do maior número de pessoas possível no mundo”. 

Sabemos que ambas as declarações são pura demagogia. A OMS é uma organização que apenas segue as diretrizes do imperialismo, ao passo que para as potências globais, o que vale na pandemia é a regra do “farinha pouca, meu pirão primeiro” ─ por isso o cinismo na declaração do governo alemão.

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