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Crise internacional

Alemanha se prepara para sobreviver sem o gás russo

Situação da Alemanha revela ineficácia de sanções contra a Rússia

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A dependência do gás russo é um problema sério para a Europa – Arquivo DCO.

Alemanha, a maior economia da União Europeia, cujas indústrias de aço, plásticos e automóveis movimenta e abastece o mercado europeu e também de outros continentes poderá sofrer uma grave crise que paralisará todo seu sistema produtivo, caso a questão da energia importada da Rússia, especialmente o gás natural, não seja resolvida antes de outubro de 2022. Os acontecimentos dos últimos meses já elevaram os preços dessa commoditie, dados o cenário de guerra e de crises no abastecimento.

Os consumidores residenciais sofrem com as altas dos preços e a queda nas ofertas de gás para aquecimento e suprimento de necessidades básicas, como geração de eletricidade. As indústrias, porém, são aquelas que podem gerar ainda mais problemas para a economia e a sociedade alemãs, já que podem diminuir ou até mesmo interromper suas atividades por falta de energia.

Nos últimos dois dias, foram veiculadas notícias de uma possível interrupção abrupta da entrega do gás russo para Alemanha através dos gasodutos que cortam o território ucraniano em direção a Berlim. No dia 09/05, a agência de notícias Reuters divulgou que o governo alemão prepara um plano emergencial para a eventual suspensão do fornecimento de gás pelos russos. Uma das reações possíveis seria a de assumir as principais empresas do setor. Por outro lado, autoridades alemãs também afirmam que não pretendem endossar mais sanções à economia russa, que fomentaria uma escalada nos conflitos e causaria, também, enormes prejuízos à economia alemã. Segundo informações recentes, a Alemanha importou 55% do gás da Rússia no ano passado. Esses números comprovam a dependência alemã do gás de origem russa e, por isso, Berlim ainda resiste a pressões para desfazer acordos econômicos com a Gazprom e o fornecimento russo. Segundo alguns críticos, esse acordo estaria financiando a guerra na Ucrânia.

Ainda de acordo com Reuters, a Alemanha pretende se livrar da dependência do gás russo, mas admite que não poderá fazê-lo até meados de 2024. Ou seja, serão dois anos e mais dois invernos pela frente. 

Autoridades alemãs, como o ministro da economia Robert Habeck, afirmam que estão fazendo esforços intensos para reduzir o consumo de energia russa e que planos  para reagir ao corte de abastecimento estão em discussão no momento. Detalhes de como esses planos seriam implementados não foram divulgados. Os alemães temem que um abrupto corte no abastecimento por parte dos russos ocorra a qualquer momento e os rumores a respeito circulam pela imprensa sem se aprofundarem em detalhes ou fatos concretos. Este é mais um fator que reforça a “guerra de informações” e de propagandas que afeta, inclusive, os rumos do conflito, além de desestabilizar países e suas populações globalmente.

As notícias e narrativas pelo lado da OTAN  e seus aliados acusam a Rússia de diminuir ou cortar os suprimentos de gás para a Europa. Porém, a Rússia afirma que tem enviado regularmente o combustível, mesmo com os conflitos acontecendo em territórios ucranianos onde o conflito armado se desenvolve. Em artigo publicado em 11/05 pelo canal RT, autoridades russas e da companhia Gazprom afirmam que o abastecimento está ocorrendo em fluxos regulares e considerados normais, sem reclamações de clientes e que já foram pagos à empresa. O corte de abastecimento de gás através da Ucrânia não foi feito pela empresa ou pelo governo russos, mas sim pelo governo de Kiev.

No dia 10/05, o operador de do sistema de gás ucraniano afirmou que a Ucrânia decidiu suspender o trânsito de gás através de seu principal ponto de saída, Sokhranovka, devido à “interferência das forças de ocupação” que impossibilitam a garantia de segurança no processo. Sendo assim, a Ucrânia e não a Rússia suspendeu o fluxo de gás através de uma das principais plantas de transmissão do gás pelos gasodutos em território ucraniano. Essa estação é responsável por um terço do gás que flui da Rússia para a Europa via Ucrânia, totalizando 32.6 de milhões de metros cúbicos por dia. De acordo com a Gazprom, houve um decréscimo de 34% no suprimento de energia à Europa devido às ações da Ucrânia que bloquearam Sokhranovka.

Segundo as informações divulgadas, o governo ucraniano demanda que o gás seja entregue por outra estação, Sudzha, sob controle do governo de Kiev. Todavia, a Gazprom afirma que essa reconfiguração seria tecnicamente impossível de ser feita. Sergey Kupriyanov, porta-voz da Gazprom, afirmou que a Ucrânia deixou apenas uma porta de saída para o gás russo, o que diminui significativamente a entrega do produto.

A diminuição das quantidades de gás russo nos lares e empresas europeias se faz sentir, imediatamente, na alta dos preços ao consumidor e o consequente encarecimento de vários outros produtos, acelerando a inflação europeia que já se encontra em 10% em nove países.

O gás russo abastece aproximadamente 40% das necessidades de 27 países da União Europeia. É a alternativa mais barata para a geração de energia, sem a qual, apagões e fechamento de indústrias tem grande chance de acontecer. A oferta do produto torna-se mais cara dia a dia em países como Itália, UK e Alemanha, devido aos cortes promovidos pela Ucrânia. 

Alternativas ao fornecimento pela Gazprom seriam, em princípio, duas: gás proveniente da Noruega e gás líquido trazido dos EUA ou do Oriente Médio. No caso norueguês, a produção do país é insuficiente para suprir os países vizinhos. Já em relação ao gás líquido, o preço da liquefação e do transporte tornam praticamente inviável a transação.

As sanções contra o combustível russo, na verdade, penalizam mais os alemães e europeus em geral que a Gazprom ou a administração de Putin. Fica evidente que o bloqueio de fornecimento efetuado por Kiev na usina de Sokhranovka é um “tiro no pé” da  Alemanha e da EU. Ao intervirem no fluxo de gás às empresas e cidadãos europeus, Kiev colabora com a crise econômica, desabastecimento e inflação em vários países. Seja para a Alemanha ou outros países da EU, a sobrevivência sem o gás russo exige preparação, mas talvez não seja suficiente frente ao problema a curto e médio prazos.

Ao contrário do que pretendiam OTAN e o governo ucraniano, sua intervenção em Sokhranovka pode ajudar na abertura de outra possibilidade de fornecimento de energia da Rússia para a Europa, cuja certificação estava suspensa, o gasoduto Nord Stream 2, que transporta o gás da Rússia para a Europa através do Oceano Báltico, com o dobro da capacidade de fluxo que a estação de Sokhranovka.

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