Afeganistão abriu a cancela

EUA pressionam China de mentirinha e são pressionados de verdade

Casa Branca fala em “consequências” contra Pequim mas a única concreta é a crise de características terminais do imperialismo

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Rússia e China são aliados cada vez mais próximos – Foto: Reprodução

Em meio a intensa luta para isolar a Rússia do resto do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversou com o presidente da China, Xi Jinping, em reunião virtual ocorrida no último dia 18. Segundo a imprensa burguesa, Washington usou o encontro para advertir Pequim sobre “as implicações e consequências, caso a China forneça apoio material à Rússia”, conforme informações divulgadas pela Casa Branca. Os chineses, contudo, negam que a conversa tenha se desenvolvido sob tais termos.

“Enfatizar o ‘aviso’ de Biden à China é a maneira do governo dos EUA definir sua própria narrativa diplomática com o objetivo de mostrar ao público americano sua firmeza e capacidade de pressionar a China, isolando ainda mais a Rússia e criando uma divisão entre China e Rússia”, escreveu o sítio chinês Global Times, ao comentar a suposta pressão exercida pela Casa Branca contra o governo chinês (“US continues to push harsh narrative to pressure China over Ukraine crisis; a self-deceiving move of no help”, Xu Hailin e Liu Xi,19/3/2022). Segundo o órgão chinês, a nota emitida por Washington sobre a reunião fora publicada horas após o encontro virtual (que durou cerca de uma hora e cinquenta minutos) e gerou uma situação embaraçosa ao governo americano, quando questionado concretamente sobre o tema.

“Durante a coletiva de imprensa”, continua a matéria do sítio chinês, “realizada após a reunião de Xi e Biden, ao responder as perguntas dos jornalistas sobre quais são as consequências e como Biden fará isso, um alto funcionário do governo dos EUA estava relutante em oferecer detalhes e disse que não iria ‘expor publicamente as opções’, conclui o Global Times.

É, afinal, a palavra de um contra o outro. Embora a versão chinesa tenha mais elementos concretos, inegavelmente, desde o começo da operação militar desenvolvida pela Rússia, em 24 de fevereiro, o governo americano busca pressionar os chineses de maneira especial, no sentido de sufocar a Rússia. Antes do dia 18, outra reunião ocorrera entre representantes das duas maiores economias do mundo, em Roma, no último dia 14.

O encontro aconteceu entre rumores de que além de não obedecer a política imperialista de cerco total contra a Rússia, Pequim estaria apoiando Moscou militar e economicamente. “Fazer isso significa que a China se abriria a sanções substanciais e se tornaria um pária; recusar manteria aberta a possibilidade de pelo menos uma cooperação seletiva com os EUA e o Ocidente”, disse Richard N. Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, em mensagem publicada no Twitter. Os chineses negam qualquer tipo de apoio e mesmo pedido de ajuda pelo Kremlin, mas mantém sua política de não condenar a ação russa.

Nações rebeldes animadas

Se a operação militar especial em marcha na Ucrânia não animou os chineses a apoiar de maneira mais decidida a luta contra a ditadura global do imperialismo, no Irã, o enfrentamento russo desencadeou uma forte reação positiva. No último dia 13, a nação inserida pelo governo Bush no chamado “eixo do mal” assumiu a autoria de ataques com mísseis no norte do Iraque, na cidade de Erbil, em uma localidade próxima ao consulado americano.

A Guarda Revolucionária Iraniana(GRI) reivindicou a autoria, alegando tê-lo feito em retaliação a um ataque israelense ocorrido na Síria. Segundo o governo iraniano, um centro de espionagem israelense funcionava no local do ataque.

Na madrugada do último dia 18, o órgão iraniano Iran Press informou que pelo menos cinco foguetes foram disparados contra a base aérea de Al-Balad, na província de Saladino. Al-Balad fica localizada a 64 km de Bagdá, no norte do país.O sítio iraniano cita o iraquiano Iraqi Shafaq News para informar que entre os alvos atingidos pela GRI, estão instalações da empresa americana Lockheed Martin, gigante da indústria aeroespacial.

Segundo o chefe do Comando Central dos EUA, general Kenneth McKenzie, a Guarda iraniana conta com três mil mísseis balísticos, com capacidade para atingir Israel. Aos senadores americanos, o general declarou que no “últimos cinco a sete anos eles [o Irã] investiram pesadamente em seu programa de mísseis balísticos”, acrescentando que “vimos isso no ataque à base americana em Ayn Al-Asad, no Iraque, em janeiro de 2020, onde os mísseis atingiram uma precisão de várias dezenas de metros” (“Irã tem três mil mísseis balísticos e alguns podem atingir Israel, alerta general dos EUA”, Monitor do Oriente Médio, 18/3/2022).

Afeganistão abriu a cancela

A rebeldia do Irã não se deve a um fenômeno casual. É a própria expressão da decadência do domínio da ditadura global, exercida em primeiro plano pelos Estados Unidos, junto aos sócios menores das nações imperialistas. Um dos principais eventos impulsionadores desta frente de crise é a caluniada, mas emblemática reconquista nacional do Afeganistão, liderada pelo Talibã.

Poucos meses após a verdadeira revolução nacional encerrar a ocupação imperialista de uma das nações mais pobres do mundo, o exército russo deslocou-se à fronteira, percebendo a flagrante demonstração de fraqueza dos EUA e das demais potências imperialistas.

Paralelamente, uma onda de insurreições na região africana do Sahel levou à expulsão das forças francesas no Mali, além de um golpe militar em Burkina Faso, que depôs o presidente Roch Kaboré, banqueiro apoiado pelo imperialismo. Embora a faixa subsaariana da África viva em constante instabilidade, a retomada do Afeganistão pelo povo afegão encorajou as lutas dos países africano, em campanha similar em seu próprio continente pelo inimigo comum.

Junto a estes, a Coréia do Norte voltou a fazer uso de seus mísseis balísticos, realizando 3 exercícios nas últimas duas semanas. Outras manifestações mais moderadas da crise acabaram irrompendo diante da fratura exposta. Na Índia, o governo semi-fascista de Narendra Modi recebeu no último dia 20 o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, que esperava pressionar o homólogo indiano, até o momento resistente a apoiar as sanções imperialistas contra a Rússia.

A visita ocorreu após Modi ir romper a já incômoda posição de neutralidade ante o cerco econômico, tendo adquirido três milhões de barris de petróleo da Rússia no último dia 18, segundo informações do órgão árabe Al Jazeera (“Russian oil sale to India complicates Biden’s efforts”, 18/3/2022). A ação do governo Modi chocou-se com os planos de certo total ao gigante eslavo e representou uma guinada expressiva para a política indiana, cujo governo até recentemente era usado para pressionar a China. Entre 5 de maio a 15 de junho de 2020, ambos os países chegaram a envolver-se em batalhas de menor intensidade em suas fronteiras, em meio a escalada da campanha anti-China promovida pelo imperialismo americano.

Além da Índia, o Brasil, cujo presidente protagonizou um episódio escandaloso de submissão ao imperialismo norte-americano ao prestar continência à bandeira dos EUA ainda em campanha, revelou-se outra dor de cabeça à ditadura global. Tendo realizado uma viagem à Rússia que levou o ilegítimo Jair Bolsonaro a ser severamente atacado pela imprensa nacional e imperialista, o governo demonstrou discreta rebeldia diante os planos do imperialismo de cercar economicamente a Rússia, posicionando-se contra as sanções.

Sejam em suas expressões mais moderadas, seja nas mais agressivas, fica latente a percepção de que o domínio imperialista sobre os países atrasados do planeta encontra-se em seu pior estágio desde o fim da Segunda Grande Guerra. Resta saber se as vanguardas de esquerda e do proletariado mundial aproveitarão o momento de fragilidade explícito para aprofundar a crise, que certamente não irá durar para sempre. A estas vanguardas, cabe o papel de aproveitar o atordoamento causado pelas derrotas desde o Afeganistão e impulsionar a luta do mais importante setor social no enfrentamento contra a ditadura do imperialismo: a classe trabalhadora.

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