Ataques imperialistas

EUA financiaram rappers e artistas contra o governo de Cuba

Após os protestos iniciados em 11 de julho em Havana, capital de Cuba, uma canção chamada "Patria y Vida" (Pátria e Vida) tem recebido especial atenção da propaganda imperialista

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Artistas vendidos para o imperialismo – Reprodução

Redação do DCO

(*) Por Márcia Choueri, correspondente em Havana

Após os protestos iniciados em 11 de julho em Havana, capital de Cuba, uma canção chamada “Patria y Vida” (Pátria e Vida) tem recebido especial atenção da propaganda imperialista. Composta pelos artistas cubanos Yotuel Romero, Descemer Bueno, a dupla Gente de Zona e os rappers Maykel “Osorbo” Castillo e El Funky, a música ultrapassou 1 milhão de visualizações no YouTube em menos de 72 horas após seu lançamento, em 16 de fevereiro deste ano. Até o último dia 31, eram mais de 7,6 milhões de visualizações. Obviamente, tais cifras têm uma origem. 

Segundo denúncia do sítio americano The Gray Zone, duas tradicionais ONGs especializadas em golpes de Estado têm suas digitais nesse “sucesso” musical: a USAID (US Agency for International Development) e a NED (National Endowment for Democracy). A matéria (“Cuba’s cultural counter-revolution: US gov’t-backed rappers, artists gain fame as ‘catalyst for current unrest’“, Max Blumenthal, 25/7/2021) indica que apenas no ano de 2018, “a organização apoiada pelo governo dos EUA contribuiu com US$80 mil à “[ONG] Cuban Soul Foundation” para ‘empoderar artistas independentes para produzir e exibir seus trabalhos em eventos comunitários sem censura’ e US$70 mil à ONG colombiana chamada ‘Fundación Cartel Urbano’ para “empoderar artistas do hip-hop cubano como líderes sociais.” 

Ainda segundo a matéria, quase meio milhão de dólares foram destinados pela NED ao recrutamento e treinamento de jornalistas inimigos do regime cubano e também, para estabelecer redes de comunicação, similares à rede bolsonarista, o chamado “gabinete do ódio”. No ano em questão, 2018, o governo Trump aumentou o financiamento da NED em 22%. 

Segundo Daniel Montero, correspondente do sítio Belly of the Beast em Havana, “todos os anos os Estados Unidos dispõem de cerca de US$20 milhões para uma mudança de regime em Cuba”. Com o sucesso da música “Patria y Vida”, o governo Biden solicitou um novo orçamento de US$58,5 bilhões para o Departamento de Estado e a USAID, incluindo nesse montante US$20 milhões a mais para apoiar a “democracia” em Cuba. 

Sucesso global 

Um dos apoios abertos ao rap cubano veio da vice-presidente do Parlamento Europeu, a tcheca Dita Charanzová, que publicou a canção golpista em suas redes sociais acrescentando o comentário: “Para que todo mundo veja a realidade cubana”. Yotuel, um dos autores, fora ainda convidado a dividir palanque com o outrora autoproclamado presidente da Venezuela, o golpista Juan Guaidó, em evento realizado por eurodeputados de direita em Bruxelas, no Parlamento Europeu. Na ocasião, Yotuel pediu a intervenção europeia contra seu país: “Meu povo precisa da Europa”, disse o músico. 

Outro impulsionador do sucesso golpista foi a imprensa burguesa tradicional, caso do The Whashington Post, que tirou matéria para destacar o papel da música no levante: “para a juventude cubana frustrada em particular, “Patria y Vida” tornou-se um hino de protesto dançante e uma sensação, com quase 6 milhões de visualizações no YouTube” (“‘Patria y Vida’: The Dissident Rappers Helping Drive Cuba’s Protests“, Santiago Pérez e José de Córdoba, The Whashington Post, 13/7/2021). 

Um dos principais órgãos do imperialismo inglês, a BBC, tirou matéria enaltecendo a canção, apresentada como a “música [que] provocou [a] ira do governo cubano”, responsável ainda por levar “o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, a tuitar três vezes.” (“‘Patria y vida’: por que música recém-lançada enfureceu governo de Cuba”, 20/2/2021). A mesma matéria traz também uma declaração do governo cubano sobre o tema, dada pelo ex-ministro da Cultura de Cuba e atual presidente da Casa de las Américas, Abel Pietro, que descreveu a canção como “um panfleto musical”. “Os grupos financiados no exterior e na ilha alertam que se houvesse de alguma forma uma reaproximação civilizada entre os dois países, isso significaria o fim de seus empregos e é realmente muito grotesco que uma suposta bandeira da vida seja levantada dos Estados Unidos”, acrescentou Pietro. 

Finalmente, o Senado dos EUA, ainda no começo de fevereiro deste ano (dias antes do lançamento da canção “Patria y Vida”) já deu grande publicidade aos artistas alinhados ao imperialismo 

Movimento San Isidro 

Por trás do impulsionamento do rap golpista, atua o coletivo cultural Movimento San Isidro (MSI), agrupando artistas, escritores e músicos unidos pelo anticomunismo. Um dos líderes do MSI é também um dos responsáveis pela canção “Patria y Vida”: Maykel “Osorbo” Castillo. 

O rapper já chegou a gravar vídeos pedindo aos EUA um cerco naval que produzisse um “bloqueio total” da ilha e ainda uma intervenção militar americana contra seu país, demanda recorrente dos chamados “gusanos” (“vermes” em português), cubanos que se prestam ao papel de apoiar o imperialismo em sua política genocida contra Cuba. 

Segundo a matéria “RADIOGRAFÍA DEL MOVIMIENTO SAN ISIDRO EN CUBA: GOLPE BLANDO Y GEOPOLÍTICA”, publicado no último 29 de maio, no sítio Instituto Samuel Robinson, “a sustentação econômica e estímulo [do MIS] provém de grupos como a Fundação Cadal (Centro para la Apertura y el Desarrollo de América Latina) que recebe sua maior porcentagem de verbas para suas atividades pelas mãos de sucursais da CIA para a região; a Fundação Atlas (vinculada aos irmãos Koch), a Fupad (Fundación Panamericana para el Desarrollo), a USAID e a NED.” 

Hipocrisia 

Principal nação imperialista do mundo, os EUA mantém um bloqueio genocida contra Cuba, diretamente responsável por todas as mazelas econômicas sofridas pelo povo cubano e enaltecidas pelos propagandistas da burguesia como sinais do fracasso do governo operário da ilha. Em meio à pandemia, o bloqueio criminoso impediu até mesmo que máscaras e ventiladores mecânicos chegassem a Cuba, assim como medicamentos e outros insumos médico-hospitalares que poderiam ser usados para combater a pandemia, mas não puderam beneficiar o povo cubano. 

Um semestre após a posse do democrata Joe Biden na presidência dos EUA, os bloqueios se mantêm e uma nova onda de assédios iniciou-se contra a ilha, menos efusivos na retórica, porém mais violentos na ação prática. 

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