Após retirada do imperialismo

Afeganistão: Talibã lança ofensiva pela retomada do poder

Com ataques a oeste e ao sul do País, grupo procura retomar o poder após 20 anos de ocupação militar das tropas norte-americanas e europeias

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Rebeldes do Talibâ tem tomado territórios em todo o Afeganistão – Allauddin Khan/ AP

Neste domingo (1º), o Talibã realizou uma ofensiva militar pela tomada do poder no Afeganistão. Concentrada nas cidades de Herat, a oeste, Kandahar e Lashkar Gah, ao sul, a iniciativa ocorre logo após a retirada das tropas norte-americanas e europeias do País. Após 20 anos de ocupação militar, a mais longa promovida pelos EUA, o imperialismo foi incapaz de exterminar a resistência dos talibãs.

Em Herat, principal centro urbano da região oeste, já na sexta (30), uma base da Organização das Nações Unidas (ONU) foi atacada. Em resposta, o governo do presidente Ashraf Ghani, enviou forças especiais para impedir a queda da cidade. Segundo a própria Folha, ele é visto como uma marionete dos EUA, que também equipa o exército afegão.

Já em Kandahar, cidade conhecida como a “capital do Talibã” – por ser o centro da etnia pachtun, que pertence ao grupo – o aeroporto foi atacado com dois foguetes, danificando a pista de pouso, o que resultou na suspensão de voos. O porta-voz do talibã, Zabiullah Mujahid, afirmou à imprensa:

“O aeroporto foi alvejado porque vem sendo usado como base para conduzir ataques aéreos contra nós.”

Mesmo com suas tropas fora do País, os EUA ainda realiza bombardeios em apoio ao governo, em Cabul, e ajuda a operar aviões Super Tucano, brasileiros, usados pela Força Aérea afegã contra o Talibã, ainda segundo informações da Folha de SP.

O Afeganistãi faz fronteira com o Paquistão ao sul e ao leste, com o Irã ao oeste, com o Turcomenistão, Uzbequistão e Tajiquistão ao norte e com China no nordeste. Seu território foi um ponto essencial para a rota da seda, sendo disputado em vários períodos diferentes da história. Já o Talibã, maior força opositora aos EUA, foi expulso do governo afegão sob bombardeio e invasão militar promovida pelo governo de George W. Bush (Partido Republicano). Segundo estimativas oficiais do governo norte-americano, a invasão custou 160 mil vidas, a maioria esmagadora de afegãos e cerca de US$ 2,6 trilhões de dólares para os bolsos dos cidadãos dos EUA.

Desta forma, a imprensa burguesa afirma que o ataque do Talibã sugere a tentativa de controlar as principais cidades a sul e a oeste, para fechar o cerco sobre Cabul e o corredor que liga a capital até as áreas tribais do Paquistão. O norte do País já estaria praticamente todo nas mãos do Talibã. Ou seja, o governo afegão que se manteve todos estes anos graças ao suporte militar do imperialismo, está prestes a cair.

O levante do Talibã contra o governo afegão surge como uma resposta à crise do imperialismo norte-americano e europeu, que após 20 anos de extermínio e opressão no País, retiram-se com tremenda dificuldade em manter o governo que elegeram para conduzir seus interesses na região.

Não por acaso, a Folha de SP., que é uma sucursal da imprensa imperialista norte-americana, lamenta em sua matéria o fracasso da ocupação militar e atribui a ofensiva militar do Talibã a uma “benção” da China, a quem acusa de buscar incorporar o Afeganistão como seu “satélite econômico”.

A matéria diz que a comunidade internacional “parece resignada” com o que a Folha considera “a volta de um dos regimes mais atrozes visto nas últimas décadas, marcado por uma visão medieval da religião e brutalidade extrema contra minorias e, principalmente, mulheres”.

A demagogia com as mulheres e as minorias aparece aqui para justificar a opressão e as atrocidades que imperialismo cometeu contra os afegãos nestes 20 anos de ocupação militar.

Não por acaso, a Folha omite que o levante do Talibã contra o governo afegão, fantoche dos EUA, é para libertar o País de ser um “satélite” do imperialismo norte-americano. Condição que lhe foi imposta através da brutalidade do bombardeio e da ocupação militar, que impuseram ao Afeganistão um regime de terror que durou cerca de duas décadas, 160 mil mortos apenas em dados oficiais (incluindo civis, como mulheres e crianças), e toda sorte de atrocidades promovidas pelo “democrático” imperialismo norte-americano e europeu, como perseguição política, tortura e assassinatos de opositores e civis.

Logo, a suposta “preocupação” da Folha com a volta de um suposto “regime atroz” é na verdade a defesa do regime atroz e criminoso que os norte-americanos e europeus impuseram aos afegãos nestes últimos 20 anos e que a imprensa burguesa em todo o mundo, como a Folha no Brasil, apoiou abertamente.

A preocupação real que a burguesia está expressando, na verdade, dá-se pelo fato de que apesar de toda a superioridade militar e econômica do imperialismo norte-americano, após 20 anos de regime de terror, os EUA não conseguiram exterminar os rebeldes afegãos liderados pelo Talibã, que agora tentam um golpe de Estado contra o governo afegão protegido pelos EUA. Ou seja, a maneira truncada que a imprensa burguesa dá a notícia revela a dificuldade em reconhecer a derrota e suas consequências para o imperialismo.

O fracasso da ocupação imperialista no Afeganistão e o levante do Talibã para a retomada da soberania do País, é um exemplo que o imperialismo quer esconder. Afinal, se um pobre país da Ásia, atrasado, com cerca de 38 milhões de habitantes, pode derrotar a invasão da imensa máquina de opressão que é o imperialismo mundial, o imperialismo está fadado ao fracasso.

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