Equador

A manobra identitária que elegeu Guillermo Lasso

Yaku Pérez, índio identitário, garantiu derrota do candidato de Rafael Correa

Guilhermo Lasso - Equador-2

Guilermo Lasso – Foto: Reprodução

O atual presidente do Equador, Guilermo Lasso (CREO), é um ditador a serviço do imperialismo. No final da tarde do dia 18, declarou em Rede Nacional estado de exceção em território nacional por 60 dias. A justificativa apresentada foi o aumento da violência por parte do narcotráfico no país.

Se não bastasse a violência carcerária no Equador, que resultou, no último dia 30 de setembro, na morte de 116 presidiários na Penitenciária do Litoral e o consequente estado de sítio que se estendeu a todos os presídios do país, o atual presidente, para conter a crescente insatisfação de trabalhadores do setor de transporte e a mobilização dos trabalhadores do campo, nomeou o general Luis Hernández Peñaherrera, que ficará responsável por chefiar a campanha de repressão por parte do Estado contra toda a população. O general deixou bem clara a sua intenção durante sua posse ao afirmar que “nossas Forças Armadas e Forças Especiais se sentirão com força nas ruas” e ainda “serão realizados controles de armas, inspeções, patrulhas 24h por dia”.

O ex-banqueiro Guilermo Lasso dando, continuidade a sua política ditatorial e pró-imperialista “manteve a suspensão da política de subsídios aos combustíveis, implantada pelo seu antecessor, Lenín Moreno. Agora, o combustível passa por reajustes mensais de acordo com a variação do mercado internacional. A nova política de preços aumentou os custos de toda a cadeia produtiva, gerando escassez no litoral do país.” Escassez e insegurança para trabalhadores e suas famílias, diga-se de passagem.

Cabe não perder de vista os fatores que levaram Lasso ao poder, ou seja, as manobras da burguesia e a política do Identitarismo norte americano, entre outros fatores, responsáveis pela situação atual do país.

 A manobra da burguesia e a política indentitária de Yaku Pérez

As ações do direitista citadas acima têm contribuído para a crescente impopularidade da direita, como apontou o resultado da última pesquisa de opinião da empresa Clima Social, em que 52,3% da população avalia a gestão de Lasso como negativa.

Como bem apontou a pesquisa, o governo de Lasso é visto de maneira negativa pela maioria da população. E se este ocupa o poder e desfere um ataque brutal contra o povo equatoriano é graças a manobras espúrias da burguesia equatoriana, que está em consonância com as demandas do imperialismo. Direita burguesa e golpista que atacou duramente o Movimento da Revolução Cidadã, do ex-presidente Rafael Correa e, consequentemente, Andrés Arauz, ao torná-los alvos de supostos esquemas de corrupção com o objetivo de derrubar a luta nacionalista, que vai de encontro aos interesses do imperialismo.

Esquemas de corrupção estes que servem apenas para deslegitimar governos, como foi escrito em outro momento nesse Diário, “ligados aos trabalhadores e que estabelecem uma certa independência do imperialismo e estabelecem uma série de política sociais para beneficiar a população, e, em alguns casos, podem até estabelecer características revolucionárias”. Esquemas de corrupção, que mais cedo ou mais tarde, demonstram apenas a sanha do imperialismo que ao longo de décadas vem perpetrando golpes de estado em toda a América Latina por meio de seus lacaios, como no caso da fraudulenta operação Lava Jato que retirou Lula da campanha eleitoral em nome da eleição do fascista Bolsonaro.

O segundo ponto que merece destaque e que ajuda a entender a situação do Equador foi a candidatura do indígena, ambientalista e identitário Yaku Pérez na última campanha para a presidência do país. Após o resultado da apuração de 100% das urnas em que o candidato da esquerda Andrés Arauz (UNES) obteve 32,72% e o candidato da direita Guilermo Lasso (CREO) obteve 19,74% dos votos, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador, que teve como representante Yaku Pérez,  terceiro lugar, em um disfarçado, ou melhor dizendo, claro apoio ao Golpe de Estado em curso no país, ao defendeu, por meio de um manifesto, o voto nulo no 2º turno ao invés de apoiar o candidato da esquerda.

Essa “viagem para Paris”, por assim dizer, do candidato derrotado Yaku Pérez não é pra causar espanto, já que ele foi o homem do Identitarismo durante a campanha eleitoral e, dessa forma, um dos responsáveis pela vitória da direita no país.

A ideologia identitária, oriunda dos EUA, e em pleno avanço tanto no Brasil, como no Equador e em toda América Latina, serve para cooptar pessoas mais ou menos desavisadas enquanto, supostamente, defende determinados povos explorados. Mas que serve, na verdade, apenas para esvaziar todo o caráter revolucionário da luta dos povos explorados e elevar indivíduos oportunistas ao nível de estrelas militantes, mas que na verdade atendem às demandas do imperialismo no sentido de arrefecer, domesticar a revolta da população. Prova disso é que Yaku Pérez optou por não apoiar Andrés Arauz por declarar que ambos os candidatos eram uma só e mesma coisa e que ambos não atenderem a “posição consistente com a nossa luta histórica, por nosso projeto político que transcende o tempo eleitoral…” como mencionado no manifesto.

Leia-se nesse caso não a negação em apoiar nenhum dos candidatos por serem os dois “farinha do mesmo saco” como no ditado, mas sim, não apoiar o candidato da esquerda para no fim fortalecer a direita e, ao mesmo tempo, a burguesia.

Em resumo, nada mais do que um joguete, nada mais falso no que diz respeito à luta contra o fascismo e o golpe contra o povo equatoriano.

É necessário uma ampla mobilização de todos contra o projeto ditatorial em curso no Equador posto em prática por Lasso a mando do imperialismo, mas todos ligados verdadeiramente ao povo explorado, isto é, trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais. E estar atento aos arautos de uma luta que não é luta, mas farsa, estar atentos e combater por todos os meios esses fantoches identitários do imperialismo.

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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