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Terceira via de saias

Simone Tebet diz que está pronta para o golpe eleitoral

Opção por Tebet é mais uma tentativa de conquistar da direita de conquistar parte do voto da classe média identitária

A Terceira Via de saias – Arquivo DCO.

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Simone Tebet (MDB/MS) discursou e deu entrevista como a pré-candidata da terceira via. Ao seu lado, Baleia Rossi e Roberto Freire. Após a aprovação de seu nome para liderar a chapa da composição partidária entre MDB e Cidadania, em 24/05, Roberto Freire (Cidadania/PE) emitiu a seguinte nota:

“Com Simone Tebet, MDB, PSDB e Cidadania dão um passo concreto na direção da manutenção da democracia com um programa comum: projetar o Brasil do século XXI. Um encontro com o novo mundo digital, as novas relações sociais e de trabalho e os desafios que elas ensejam. Espera-se a adesão de liberais, ambientalistas, da nova esquerda e de todos que tenham as liberdades e a democracia como valores universais”.

A nota de Freire traz alguns pontos que revelam a fragilidade da pré-candidatura de “centro” e que evita polarizações. Dos três partidos da coligação, um se ausentou do encontro e talvez se ausente, também, do palanque de Tebet. O passo concreto ao qual se refere Freire não é tão concreto assim, uma vez que o PSDB, extremamente enfraquecido e fragmentado, só fará sua convenção em 02/06. Até lá, teremos dias de muita negociação de bastidores entre tucanos e seus possíveis aliados pela indicação de suas escolhas: comporá a chapa com Tebet? Sem Doria na disputa pelo Planalto, Tebet ganha um pequeno espaço para iniciar sua campanha, mas isso não garante a migração direta dos 3%dos votos tucanos que Dória tinha em sondagem de votos para a sul-matogrossense, advogada e latifundiária. O Brasil “chama e clama” e ela está “presente”, iniciando sua campanha com 1% das intenções de votos, segundo pesquisas.

Ainda em relação ao PSDB, duas alas do partido se dividem entre aqueles que defendem uma composição com Tebet, liderados por Bruno Araújo (SP), outra ala do PSDB, ligadas ao governador do RS, Eduardo Leite, cotado para vice de Tebet, preferem que ele se candidate ao governo estadual. O apoio do estado de São Paulo, onde o tucanato tem sua força maior, seria fundamental para a decolagem da chapa de terceira via. Lembrando que São Paulo e Rio Grande do Sul apresentam eleitorados com grande tendência a votar em Bolsonaro, assim como se verifica nos estados da região da senadora Tebet, no centro-oeste. Nesse sentido, o apoio do PSDB é crucial para a candidatura.

Voltando à nota de Freire, a “manutenção da democracia” segundo aqueles partidos é projetar o Brasil do século XXI (…). Um encontro com o novo mundo digital”. Nós ainda não encontramos o mundo digital e seus desafios no Brasil em 2022?  Um tanto quanto equivocada essa premissa. Menos equivocada, porém, é a pretendida adesão de uma gama de eleitores, cujos perfis são claramente de origem identitária de classe média: “liberais, ambientalistas, nova esquerda, e aqueles que prezam liberdade e democracia”.  Esse chamamento àqueles que não desejam a polarização, aos progressistas, a nova esquerda assemelha-se aos chamados feitos por Gabriel Boric, no Chile. O chamado foi ouvido e o candidato foi eleito por identitários de várias tendências e movimentos. Mas, em poucos meses de governo, Boric mostrou a que veio, de fato: decretou estado de emergência e intervenção militar em área indígena Mapuche, que ajudou a elegê-lo. O apelo de Simone Tebet, porém, se dirige mais às mulheres e aos eleitores de classe média que aos indígenas ou às mulheres indígenas, principalmente as de Mato Grosso do Sul, onde a senadora possui terras a perder de vista e que têm indígenas como vizinhos indesejados.

A dificuldade enfrentada pela terceira via, sem levar em consideração a falta de apoio popular, é, logo de início, a fragilidade não apenas no PSDB, mas dentro do próprio partido da pré-candidata, o MDB, que também se encontra bastante fragmentado internamente, pois muitos MDBistas apoiam declaradamente o ex-presidente Lula, enquanto outros tendem a apoiar Bolsonaro. Tebet não tem unanimidade ao redor de seu nome na sua coligação, mas espera, ainda, o apoio tucano. Em sua entrevista (25/05), a pré-candidata afirmou que É importante lembrar que o PSDB nasceu do coração e da alma do MDB. Temos o mesmo ideal e a responsabilidade com esse Brasil, que não aguenta mais essa polarização ideológica que está levando o Brasil para um abismo”, afirmou. Ora, se o próprio MDB se encontra polarizado entre apoiadores de Lula e de Bolsonaro, seu “coração e alma” são formados por polarizações que se agrupam em determinados contextos, com objetivos específicos. Não foi assim que o MDB, ainda durante a ditadura militar, foi criado? A missão do partido, agora, seria vencer a polarização. Tarefa muito difícil e complicada, pois política se constitui de polarizações, aproximações, polarizações novamente. Um processo em constante desenvolvimento. E o excesso de “centrismo” por décadas a fio acaba gerando uma reação polarizada. O descontentamento dos eleitores com os rumos da economia, do desemprego e da falta de infraestrutura mínima que os “não polarizados” MDB e PSDB imprimiram à vida dos brasileiros pobres geram revolta e, consequentemente, polarização.

Quanto mais demora em se estabelecer a candidatura da terceira via, maiores ficam as dificuldades para que isso ocorra. Por ter apenas 1% das intenções de voto e sem saber exatamente de qual partido virá o vice na chapa de Tebet, pode ser que a candidatura identitária não prospere. Brasileiros ricos ou de classe média sentem-se atraídos pela terceira via. No discurso, a defesa de um meio-termo, “nem oito nem oitenta”, afirmou Tebet. Entretanto, o discurso disfarça a grande divisão social no Brasil, entre ricos e pobres. Esta é uma polarização “raiz”, independente das opiniões políticas dos candidatos que, como a senadora do MS, procura manter a “estabilidade” institucional que oculta o grande abismo que o Brasil enfrenta: a má distribuição de renda e de condições dignas de vida. A polarização política pode ser entendida como uma resposta, no campo político, da divisão entre brasileiros ricos, pobres ou miseráveis.

Em relação a um plano de governo, a senadora disse que, por exemplo, não é a favor da privatização da Petrobrás. Ela declarou ser contra a privatização da Petrobrás, mas que seguirá a cartilha liberal na economia. “Comigo não é 8 ou 80. Não tem Estado mínimo ou Estado máximo, tem Estado necessário.” Ou seja, é contra, mas vai privatizar, por seguir a cartilha liberal? Esse Estado necessário, pelo que parece, é aquele que MDB e PSDB puseram para funcionar em gestões passadas, as quais nos trouxeram até aqui. O estado é necessário para manter os privilégios de quem está no poder e tem dinheiro, como os latifundiários e empresas  multinacionais interessadas em empresas e bens nacionais. Ela também defende a ampliação de parcerias público-privadas, principalmente no setor de logística. Mas, quem garante que a prática não se espalhará feito praga em vários setores da economia, da educação, da saúde, etc.

As promessas de uma possível “pacificação” deste discurso, cheio de termos abstratos, ditados populares e chavões de toda a natureza são vãs e têm pouco apelo para a grande maioria dos brasileiros. Uma mulher, de origem latifundiária, promete resolver os problemas de todas as pessoas. Seria exagero retórico?

Tebet declarou: “A minha maior missão é pacificar as pessoas. É dialogar com as pessoas. É resolver o problema de todas as pessoas. É para isso que eu me predisponho a estar ao lado desses homens públicos de outros partidos que virão para dizer que o Brasil tem jeito. Eu acredito”. 

Enfim, a pré-candidata se considera pronta para resolver os problemas de todas as pessoas junto com homens públicos que virão para dizer que o Brasil tem jeito. Dizer, eles dirão. Mas os interlocutores não acreditarão, pois estes mesmos já disseram isso antes e tiveram chances de provar o que disseram. Resultado: a polarização. Provavelmente, a polarização que a terceira via combate prevaleça e a candidatura fracasse. Discursos, ações e carreiras políticas, nesse caso, parecem divergir radicalmente. O identitarismo garante essa possibilidade. Aguardemos o desenrolar do problema nas semanas à frente.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

Diferentemente de outros portais, mesmo os progressistas, você não verá anúncios pagos aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos de maneira intransigente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Trabalhamos dia e noite para que o DCO cresça, se desenvolva e seja lido pelas amplas massas da população. A independência em relação à burguesia é condição para o sucesso desta empreitada. Mas o apoio financeiro daqueles que entendem a necessidade de uma imprensa vermelha, revolucionária e operária, também o é.  

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