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Colaboradores pseudorradicais

O czar do povo brasileiro é o PSDB, não Borba Gato

Esquerda que comemorou o circo armado contra a estátua de Borba Gato se cala diante dos maiores inimigos do povo brasileiro

Estátua de Borba Gato sendo torturada pela barbaridade dos identitários – Foto: Reprodução

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Em meio às manifestações que ocorreram em mais de 400 cidades no dia 24 de julho, a imprensa burguesa e uma parcela da esquerda nacional resolveram apontar seus holofotes para um pequeno, porém extravagante evento: a ação de supostos ativistas de um grupo autointitulado “Revolução Periférica” contra a estátua do paulista Manuel de Borba Gato. Conforme descrito pela imprensa, o grupo teria “queimado” a estátua esculpida por Júlio Guerra. Na verdade, queimaram alguns pneus ao redor do monumento, causando um dano parcial ao monumento.

O evento, embora ridículo e completamente desconectado do movimento que está nas ruas neste momento, logo ganhou o mais entusiástico aplauso da esquerda pequeno-burguesa, sobretudo daqueles setores com maior propensão à demagogia identitária. É o caso, por exemplo, do presidente do PSOL, Juliano Medeiros, que saiu em defesa daqueles que acham que a melhor maneira para o progresso da humanidade é a destruição de sua história.

Não há um único argumento sério em defesa da tal “revolução periférica”, mas apenas bravatas. No fim das contas, o evento está sendo utilizado para que setores colaboracionistas da direita e da burguesia — como é o caso de Juliano Medeiros, da Coalizão Negra por Direitos e do desconhecido “Revolução Periférica” — apareçam como o setor mais radical do movimento Fora Bolsonaro. Trata-se, contudo, de uma dupla fraude: nem são radicais, nem estão defendendo a queda do governo na medida em que incentivam esse tipo de circo imbecil.

Uma das explicações que o leitor pode acabar encontrando no livro dos sábios que defendem a “queimação” da estátua de Borba Gato é a de que os ativistas do “Revolução Periférica” estariam repetindo os feitos do povo russo durante o processo revolucionário que levou a classe operária ao poder. Isto é, queimar a estátua de Borba Gato seria o mesmo que a derrubada da estátua do czar do Império Russo.

Exceto pelo fato de que as duas estátuas são de pedra, não há mais nada em comum entre um caso e outro. Quem derrubou a estátua na Rússia não foi um grupinho identitário desconhecido, que não expressa em nada as tendências do movimento Fora Bolsonaro, mas sim o povo russo impulsionado por uma revolução que, inclusive, executou a família real ─ imagine o choque dos identitários que choraram por Bolsonaro quando da suposta facada!

A diferença entre um caso e outro não está, portanto, no número. Seja um grupo ou uma multidão, a derrubada de um monumento está sempre relacionada com uma determinada política. O povo russo não queria reescrever a história quando esfacelou o monumento czarista, ele queria fazer sangrar, atingir, livrar-se, de uma vez por todas, daqueles que o escravizavam no presente. A estátua do czar era uma homenagem àquele que matou os filhos e irmãos do povo russo, que chutou seu prato de comida, que lhe mandou para a guerra. E, mais importante: àqueles que detinham o poder. Derrubar sua estátua foi parte da tentativa da substituição de um Estado por outro, da tomada do poder político. Que saiam agora os militares, os policiais, os burocratas pançudos, os juízes, os charlatães das dumas e os sacerdotes mentirosos para que o povo governe.

Neste momento, a luta do povo brasileiro em nada tem a ver com a luta contra Borba Gato. A luta, conforme os atos mostram, é contra o regime político golpista. É contra a burguesia, contra o imperialismo, contra a extrema-direita. O que o coitado de um aventureiro que morreu há mais de 300 anos teria a ver com isso? Por que seria Borba Gato o czar do povo brasileiro?

A grande acusação contra Borba Gato é moral, como toda acusação que antes vinham das fogueiras da Santa Inquisição e da ditadura nazista, mas que agora vêm da caneta dos pseudointelectuais da pequena-burguesia fabricados nos EUA que querem reescrever a história. Derrubar a estátua de Borba Gato seria uma necessidade porque ele teria se envolvido nas bandeiras de Fernão Dias e, portanto, escravizado índios brasileiros.

Bom, se isso fosse critério para derrubar um monumento, não deveria haver uma única obra de arte no mundo. Afinal, os artistas não são santos, são pessoas de carne e osso. Ou deveríamos quebrar todos os computadores, pois são produzidos por chineses ou indianos com baixíssimos salários. Além de que, a moral, que para o pequeno burguês é a expressão máxima da verdade, muda de época em época — é impossível ser moralmente correto durante toda a história da civilização. E o pior de tudo é que, neste caso, os identitários estão incentivando não só a queima da história do Brasil, como um aspecto progressista de sua história, que permitiu a consolidação do território nacional e a preparação para o seu posterior desenvolvimento. Borba Gato, afinal, sequer era um representante do poder dominante da época — isto é, da Coroa Portuguesa.

Toda essa farofada dos identitários poderia ser perdoada sob o argumento de que aqueles que o fazem são ignorantes da história, nem conhecem o próprio país. Poderiam dizer que são apenas jovens muito revoltados com o mundo em que vivem e que, na sua revolta, cometem “excessos”. Mas se assim fosse, a grande pergunta que fica é: por que essa revolta, que seria perfeitamente legítima vinda da juventude proletária, confusa, desorganizada, que passa fome e está desempregada, aparece na forma de hostilidade a uma figura histórica que é pouquíssimo conhecida nas periferias e não aparece na forma de hostilidade aos inimigos que todo o povo pobre conhece muito bem?

Por que, em vez de queimar a estátua de Borba Gato, os identitários não estão tocando fogo nas sedes do PSDB? Porque não estão quebrando a vidraça de todos os bancos do País? Por que não estão jogando coquetéis molotov na Polícia Militar? Porque se preocupam tanto com os bandeirantes, mas não se preocupam com a Rede Bandeirantes, ou a Rede Globo, ou a Folha de S.Paulo? Ora, porque estão a reboque de outra política que não é a do enfrentamento com a direita. Estão a reboque justamente da direita!

Essa política, de se chocar com os interesses da burguesia, não só existe, como está nas ruas. No dia 3 de julho, militantes da esquerda e, sobretudo a juventude, expulsaram violentamente o PSDB dos atos, quebraram vidraças e enfrentaram a polícia. Onde estava a “Revolução Periférica”? Não se sabe. Já o PSOL, estava defendendo o PSDB e atacando os manifestantes.

O que se sabe é justamente que aqueles que aplaudem a “queima” de estátuas são os que criticaram a “violência” contra o PSDB e contra os bancos e instituições da burguesia, como é o caso do próprio Juliano Medeiros. Porque, neste sentido, não há um movimento radical real por parte dessa esquerda, mas sim uma expressão pseudorradical da política identitária: fala-se em defesa dos oprimidos, mas, na prática, sempre se está a reboque do imperialismo.

O conteúdo por trás da política de atacar Borba Gato, recém-promovido a czar pela esquerda pequeno-burguesa, é, na verdade, uma proteção ao verdadeiro czar do povo brasileiro: a burguesia, sobretudo seus setores mais pró-imperialistas, que se encontram sob a órbita do PSDB.

E tanto é assim que a mesma imprensa burguesa que condenou e atacou a “violência” dos manifestantes contra o PSDB no ato de 3 de julho agora aparece de maneira muito mais simpática à “violência” contra Borba Gato. Afinal, é uma “violência” consentida pela burguesia, que em vez de criticar a ação dos “vândalos”, como gosta de chamar quem quebra um banco, trata o assunto como “polêmico” e ainda endossa o discurso de que Borba Gato seria um escravagista. É o imperialismo guiando seus agentes dentro da esquerda, os identitários.

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