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A esquerda que a direita ama

Não há como esconder: PSOL se une ao MBL

Esse tipo de “unidade” não conduz a nada além do que a derrota do movimento pelo Fora Bolsonaro

Isa Penna (PSOL) é amiga de longa data de Kim Kataguiri e do MBL – Foto: Reprodução/Youtube

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Após o anúncio feito na última quarta-feira (08), pela deputada estadual e líder do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Isa Penna, de que irá participar do ato do dia 12 convocado pelo MBL, algumas pessoas tentaram “desmentir” esse fato.

O presidente do partido, Juliano Medeiros, declarou no Twitter que “o PSOL não confirmou participação em nenhuma mobilização agendada para os próximos dias”.

Mas Isa Penna foi enfática. “Precisamos ir além da dualidade Lula vs Bolsonaro. PT e anti-petismo. Qualquer democracia de verdade possui vozes plurais. Não podemos falar apenas para os nossos”, disse. “Eu vou porque mulheres, negritudes, indígenas, LGBTQIA+ são as mais prejudicadas nesse caos e é urgente pautar o Impeachment e isso não faz ninguém menos de esquerda. Sigo legislando com um projeto de Socialismo e Liberdade, é só você me acompanhar nas redes e na ALESP”, completou, no Twitter.

Ela é a líder da bancada do PSOL em São Paulo. Como parlamentar, é uma das principais representantes do partido ─ sendo o PSOL, ele próprio, um partido parlamentar. E ela confirmou participação no ato do MBL e do PSDB. Não há como negar. Além disso, muitos usuários da rede social que se dizem do PSOL endossaram o anúncio feito pela deputada.

“As ameaças de Bolsonaro não podem ser menosprezadas! Estar nas ruas no dia 12 não nos faz menos de esquerda ou menos revolucionários. Mas demonstra maturidade em priorizar a defesa da democracia”, continuou. E terminou: “É hora de se unir nas ruas contra Bolsonaro! No dia 12 de setembro estão programados atos ‘Fora Bolsonaro’ em todo o país. Eu vou. Nós, da esquerda, precisamos estar presentes.”

Essa é a esquerda antipetista. Os atos do dia 12 foram convocados pelo MBL para fazer um contraponto a Bolsonaro mas também a Lula. O anúncio do próprio grupo neoliberal diz isso. João Amoêdo, líder do Novo, que também convoca o ato, disse: “no próximo domingo, dia 12/09, os brasileiros que querem um Brasil sem Bolsonaro, sem Lula e sem o centrão irão às ruas! Nos vemos lá!”

Esse será um comício para João Doria (PSDB) se apresentar, com mais força, como candidato da “terceira via” contra Bolsonaro e Lula. Mas, acima de tudo, será um ato contra Lula e a esquerda, e não contra Bolsonaro. Afinal, os partidos da direita que se dizem contra Bolsonaro não protocolaram nenhum pedido de impeachment contra o presidente ilegítimo e votam quase integralmente com o governo nos principais projetos do Congresso Nacional.

A burguesia, que impulsiona a terceira via, quer desgastar Bolsonaro para derrotá-lo em 2022. Não quer derrubá-lo. Até porque sabe que sua queda significaria um aumento na crise política. Principalmente se essa queda se der pela ação das ruas, pois o povo que derrubar Bolsonaro pode também derrubar todo o regime golpista. Por isso a burguesia quer tirar Bolsonaro somente nas eleições. E para colocar alguém de confiança em seu lugar. Caso contrário, ela apoiará Bolsonaro novamente, como fez em 2018. Porque, seu principal inimigo, é Lula e a esquerda, e não Bolsonaro.

E a esquerda participar de um ato que é contra Lula, contra o PT e, em afinal, contra toda a esquerda, é uma decadência enorme que revela pela enésima vez como essa parcela da esquerda, com seu antipetismo cego, está a reboque da direita.

O PSOL, por sua vez, precisa se entender internamente. Vai ou não vai aos atos? Nem mesmo Juliano Medeiros afirmou categoricamente: “o PSOL não vai ao ato do dia 12”. Não. Ele fugiu pela tangente. Já Isa Penna, líder do partido em São Paulo, onde ocorrerá o principal ato do MBL, disse com todas as letras que se juntará à direita na rua.

O PSOL de São Paulo (e não nacional) só veio se posicionar oficialmente no final da noite de ontem (09).  Segundo sua nota, não participará do ato. Mas por que não disse desde o princípio? Se posicionou contra devido às pressões que sofreu de toda a esquerda que não concorda com a aliança com a direita. Ficou muito feia a propaganda que Isa Penna fez do ato e o partido sofreu muito repúdio e teve de voltar atrás. Mas por que não punir, conforme as regras do partido, uma líder que vai totalmente contra a posição oficial? Ora, porque o PSOL não é contra.

Mas além disso, esse é mais um dos muitos eventos que comprovam como o PSOL é um partido burguês como outro qualquer. Um partido que não passa de um brinquedo de burocratas carreiristas que o utilizam como uma alavanca para alcançar cargos no Estado. Um partido de parlamentares, não de militantes. Não existe o menor centralismo democrático, no qual a base decide, democraticamente, a política do partido e, a partir daí, todo o conjunto do partido precisa seguir o que foi decidido coletivamente.

No PSOL não. Cada um faz o que quer. Mas isso só vale para os caciques. Foi assim nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, por exemplo, quando o partido rachou: uns apoiaram a candidatura de Erundina, outros a trataram como uma meretriz política e anunciaram voto em Baleia Rossi.

O partido, que busca se apresentar como “radical” e uma “alternativa” ao PT, não passa de uma cópia dos partidos burgueses tradicionais. PSDB, DEM, MDB, por exemplo, sempre se dividem nas votações no Congresso, pois cada parlamentar é um representante de si mesmo e não do partido ao qual pertence. No PSOL é exatamente a mesma coisa e o caso de Isa Penna comprova isso.

No entanto, fica novamente a pergunta: se o PSOL é contra o ato do dia 12 e não vai participar, por que não deixa isso claro e proíbe a participação de seus líderes na manifestação coxinha? Até porque, apesar da nota oficial, esses líderes, como Isa Penna, irão participar.

O fato é que o PSOL é um grande parceiro dos golpistas e sua participação no ato do MBL e PSDB não causa grande surpresa a quem participa do movimento popular. Foi o mesmo partido que apoiou o golpe da direita contra o PT, acreditando que a queda do PT ajudaria o partido a substituí-lo. Assim, sempre apoiou, do início ao fim, e até hoje, a criminosa Operação Lava Jato, montada e controlada pelo imperialismo. Foi assim em seu boicote à luta contra a prisão e depois pela liberdade de Lula. Foi assim com a candidatura de Guilherme Boulos à prefeitura de São Paulo em 2020, na qual o PSOL recebeu financiamento de grandes empresários para ofuscar a candidatura petista. Foi assim quando Juliano Medeiros convidou o PSDB para sabotar o ato Fora Bolsonaro, da esquerda, em 3 de julho.

E é assim agora. O PSOL se recusa a apoiar a candidatura de Lula, adiando qualquer tipo de decisão, dizendo que primeiro é preciso discutir um programa comum. Tudo isso para proporcionar o cenário no qual apresentará a necessidade de se aliar com a direita em uma frente ampla que eleja o candidato da terceira via. E o ato do dia 12 é um ato com a exclusiva finalidade de promover a candidatura da terceira via ─ sendo João Doria e o PSDB os preferidos da burguesia.

Esse tipo de “unidade” buscada pelo PSOL e por outros setores da esquerda, como o PCdoB, não conduz a nada além do que a derrota do movimento pelo Fora Bolsonaro. É a tentativa de transformar as mobilizações de massas trabalhadoras por Fora Bolsonaro em comícios esvaziados compostos por coxinhas para a campanha de João Doria em 2022.

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