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Fuga do hospício

A bizarrice do “racismo reverso” e a bizarrice “identitária”

Parafernália intelectual da esquerda pequeno-burguesa serve de munição para as teses mais absurdas da direita

Tabata Amaral – Montagem: DCO

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Nos últimos dias, um dos muitos toletes produzidos pelos think tanks neoliberais voltou à superfície. Trata-se da “teoria” do “racismo reverso”, segundo a qual os brancos seriam, assim como os negros, vítimas de opressão por causa da cor de sua pele. A discussão voltou a circular na grande imprensa e na esquerda após a publicação do artigo “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo”, assinado por Antonio Risério e publicado pela Folha de S.Paulo.

O texto não diz nada que já não tenha sido dito antes pelos seus antecessores. No fim das contas, é uma reunião de casos e mais casos em que alguém de pele negra teria “discriminado” alguém de pele mais clara e uma única tese: “sob a capa do discurso antirracista, esquerda e movimento negro reproduzem projeto supremacista, tornando o neorracismo identitário mais norma que exceção”.

Trocando em miúdos, a tese de Antonio Risério é a de que haveria uma parte da população negra que teria o interesse de subjugar outras populações e que, para alcançar esse objetivo, faria uso do chamado “racismo reverso”. Isto é, depreciaria pessoas de outras cores e até proporia o extermínio delas!

Para que o tal “racismo reverso” fizesse o mínimo de sentido, o autor teria de provar a existência dessa “supremacia negra” — ou, pelo menos, de seu projeto. Qual organização importante do movimento operário, do movimento popular ou mesmo do movimento negro propôs seriamente que os brancos fossem tratados de forma não-igualitária pelos negros? Isto é, que não tivessem direitos, que fossem escravizados, que fossem assassinados pelo simples fato de serem brancos etc.?

É óbvio que não há tal organização. E por um simples motivo: o “racismo” do negro contra o branco não possui lastro algum na realidade material e econômica. O negro escravo, para deixar de sê-lo, não precisava escravizar o branco — e nem o conseguiria. Assim como o negro massacrado pela Polícia Militar não precisa assassinar todos os policiais do mundo para ser tratado como gente. As maiores chagas do negro hoje são causadas pelo modo de produção capitalista. O movimento negro, portanto, não está em rota de colisão com os brancos, mas sim com a burguesia. A necessidade econômica impele os negros para uma unidade com todos os oprimidos, independentemente da cor da pele ou de quaisquer aspectos subjetivos, para derrubar a classe dominante ─ que é quem o realmente oprime.

Para os capitalistas, trata-se do exato oposto. O racismo sempre foi e sempre será uma necessidade. O racismo, afinal, nada tem a ver com rir do cabelo duro de um negro: isso é absolutamente secundário. O racismo que existe na sociedade é um conjunto de práticas estimuladas pela burguesia para facilitar a segregação do povo. Um povo segregado entre brancos e negros, bem como entre homens e mulheres, é, primeiro, um povo que terá maior dificuldade para enfrentar os seus inimigos e, segundo, que terá um setor com mão de obra rebaixada. O tratamento de animal relegado ao negro serve justamente para que viva nas condições mais subumanas possíveis e, assim, se submeta às condições de trabalho mais baratas para os seus patrões.

O capitalismo tem um motivo econômico, concreto, para discriminar os negros. Quanto mais discriminá-los, mais barato será a mão de obra. Afinal, rebaixando a mão de obra negra porque seria “inferior”, essas trabalhadores se sujeitam a salários inferiores; os brancos, para poderem competir com essa mão de obra barata, também são obrigados a baratear sua própria mão de obra ─ quem ganha são os capitalistas, que assim rebaixam o salário geral de toda a classe trabalhadora para aumentar seus lucros. E, como neste momento de decadência do capitalismo, todo o lucro é absolutamente artificial, baseado na especulação e não no desenvolvimento das forças produtivas, mecanismos como esse, de rebaixar ainda mais o valor da mão de obra, são indispensáveis para o seu sustento.

O que o negro tem a ganhar hostilizando gratuitamente o branco? Absolutamente nada. Pelo contrário: terá ainda mais dificuldade em organizar um movimento que se choque com a dominação da burguesia.

Isso não quer dizer, contudo, que não possa haver hostilidades. Em determinados lugares, a luta do negro contra o poder vigente coincide quase que totalmente com a “luta contra os brancos” — como foi, por exemplo, a luta contra o apartheid na África do Sul. Em casos como esses, embora a política mais correta não seja a de dirigir os esforços na luta contra uma determinada raça, é impossível impedir que um setor dos oprimidos compreenda a luta dessa maneira. Muitos negros norte-americanos, que sempre sofreram as piores desgraças nas mãos de seus patrões brancos, começaram a acreditar que o problema era a cor da pele, que todo o branco era o “demônio”. Trata-se de uma visão distorcida e primitiva de sua própria exploração, mas perfeitamente compreensível.

Cada caso contado por Antonio Risério apresenta traços semelhantes. É o palestino que hostiliza o judeu — seria de se esperar, já que os israelenses bombardeiam a Palestina diariamente —, o adolescente negro que grita “morte aos brancos” e coisa parecida. Isto é: tudo parte de um movimento de oprimidos — e brutalmente oprimidos — que, em uma fase incipiente de seu desenvolvimento, confunde contra quem mirar os seus canhões.

Há um crédito, no entanto, que o autor merece: a sua crítica ao identitarismo. Mas não, é claro, na forma que o faz.

O que Antonio Risério tenta — embora fracasse miseravelmente — demonstrar é que o racismo não seria um fenômeno ligado a problemas econômicos determinados, mas sim uma “ferramenta” que pode ser utilizada por quem quer que seja, em qualquer situação, para atingir os seus objetivos. Indo a fundo, seríamos forçados a concluir que todas as coisas hediondas que ouvimos falar, como a Ku Klux Klan, o genocídio congolês e os assassinatos promovidos pela polícia não são obra de uma classe social — a burguesia —, mas sim de indivíduos que, sabe-se lá por quê, querem estabelecer uma “supremacia”.

Os setores identitários mais radicais do movimento negro dizem que os brancos não têm “lugar de fala” para abordar questões relativas aos pretos. Atuam, alguns, até mesmo de maneira agressiva e hostil a brancos, xingando-os e censurando-os. Embora isso não seja um verdadeiro racismo (pois não é sustentado pela base material, que oprime o negro, e não o contrário), certamente é algo extremamente nocivo para a luta do povo negro. Esses setores identitários, explorando a falta de uma politização de parte dos negros (uma vez que, infelizmente, as organizações do movimento negro, como de toda a esquerda, encontram-se em refluxo), de maneira oportunista busca desvirtuar a luta dos negros para adequá-la a uma política reacionária. Buscam colocar os negros não contra a burguesia, mas contra “os brancos” ─ isto é, contra a massa dos brancos, que é, em sua esmagadora maioria, da mesma classe social da massa dos negros, a classe trabalhadora.

Separar o crime da classe — o racismo da burguesia ─ é algo que está presente em todo texto de um esquerdista identitário. Seu papel, finalmente, é o mesmo: dizer que o trabalhador não deve lutar contra a burguesia, mas sim contra o trabalhador branco. Aquilo que muitos negros fizeram por confusão política, os identitários disseminam com um propósito: impedir a unidade dos oprimidos para favorecer a sua dominação pelo imperialismo.

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