Esse final de semana aconteceu o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), milhares de estudantes secundaristas e jovens adultos se reuniram para prestar a prova. O exame é usado para o ingresso nas universidades desde 2004, sua implementação foi um avanço comparado ao método antigo, em que cada universidade tinha seu exame de avaliação. Com o ENEM ficou mais fácil para os estudantes terem um exame nacional com os mesmos critérios para todos e que, um estudante de Manaus que desejasse estudar em Porto Alegre pudesse prestar a prova em sua cidade. Porém o exame passou muito longe de resolver o problema da democratização do ensino.
Desde as mudanças de 2004, o ENEM teve esse ano a menor taxa de inscrição desde 2005. 2014 e 2016 foram os anos com maior número de inscrições, ultrapassado 8 milhões, esse ano, o número de inscritos ultrapassou por pouco os 3 milhões, quase metade do ano passado.
Milhares de jovens desistiram da ideia de prestar a prova simplesmente por ter que trabalhar ou por não ter tido acesso a nenhum tipo de ensino desde a pandemia.
Se o governo Temer já havia cortado os investimentos em educação e destruído boa parte da infraestrutura do ensino público brasileiro por falta de verba, o governo Bolsonaro conseguiu ir além. Com a pandemia, o quadro que já era catastrófico resultou na desistência de milhões de estudantes.
O fato de ter que complementar a renda caseira tirou muitos jovens do estudo, mas também é preciso levar em conta que é difícil para o jovem encontrar um futuro “promissor” e de melhoria da suas condições econômicas, mesmo com ensino superior. A maioria dos licenciados e bacharéis jovens estão fora do mercado de trabalho ou trabalhando no mercado informal. Sobrevivendo de bicos ou, para os mais sortudos que tem carro, de Uber e 99. Para que esperar 4 anos ou mais para se formar e ficar sem trabalho ao invés de ir correr atrás do pão agora?
Sem contar que com o ensino à distância, muitos alunos ficaram sem ensino nenhum. Sem internet, ou dispositivo para se conectar aos professores ao fazer uso dos materiais didáticos, a realidade da juventude brasileira foi de ficar 2 anos sem acesso à educação.
Diante desses problemas é preciso entender que a solução para a educação é o fim do vestibular e que haja uma perspectiva para os alunos, com o livre ingresso dos estudantes das universidades e emprego para todos. É preciso facilitar ao máximo o acesso da juventude ao ensino superior. restaurantes universitários, alojamentos, bolsas de auxílios etc. Deveria-se ajudar a juventude a manter-se estudando. Quanto mais gente acessar o ensino superior, melhor será o desenvolvimento científico do país, e mais alto será o nível cultural da população.
A burguesia se opõe a essa política usando de argumento a meritocracia. Mas não tem nenhuma meritocracia na concorrência entre um estudante que tem dificuldade até de chegar no lugar da prova com quem cursou escola privada nos bairros nobres de Rio e São Paulo.
A ciência de um país precisa, para se desenvolver, de que os estudantes, professores e pesquisadores tenham recursos disponíveis, com o livre ingresso nas universidades, mais e mais alunos terão a oportunidade de tentar a chance quantas vezes quiserem. Que a universidade em si, junto com programa para auxiliar os estudantes mais necessitados, seja o filtro do mérito de cada um e o catalisador do desenvolvimento do país.





