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Putin:Ações da Europa no setor de energia é “suicídio econômico”

Eduardo Vasco

Jornalista especializado em política internacional. Colunista do Diário e do Jornal Causa Operária. Apresenta o Conexão América Latina, o Minta você mesmo e o Esquenta da Análise na Causa Operária TV. Apresenta ainda o programa Causa Operária, todas as sextas às 13h na Rádio Cultura de Curitiba AM 930. Comentarista da Radio Estrella 98.7 FM da Venezuela.

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A dura realidade

Talibã faz mais pelas mulheres do que as feministas histéricas

Uma insurreição popular é algo realmente efetivo, ao contrário de fazer bundaços ou mostrar os seios

Feministas com os peitos de fora libertando as mulheres afegãs – Foto: Miguel Medina / AFP / Getty Images

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O governo legítimo do Talibã decretou, no início deste mês, que está proibido o casamento não consentido, ou seja, forçado. Além disso, considerou que as mulheres não são propriedade dos homens.

“Uma mulher não é uma propriedade, mas um ser humano nobre e livre; ninguém pode dá-la a ninguém em troca de paz (…) ou para acabar com a animosidade”, diz o decreto, revelado pelo porta-voz Zabihillah Muhajid, segundo a CNN.

Antes, já haviam sido anunciadas a flexibilização do uso da burca e a permissão de as mulheres irem à escola.

Pode parecer uma coisa óbvia o que disseram os talibãs, para quem vive no Ocidente. Mas muitos dos muçulmanos não estão acostumados com isso. Em diversos países islâmicos é comum uma mulher ser forçada a se casar. Muitas são menores de idade.

No Brasil mesmo, mais de um terço das garotas casadas de 20 a 24 anos contraíram matrimônio antes dos 18. Somos o quarto país do mundo com mais casamentos precoces. Estamos no topo do ranking junto com Índia, Bangladexe, Nigéria e Etiópia. Esses países, todos, são de maioria muçulmana ou têm uma ampla parcela da população muçulmana.

O decreto do Talibã coloca o Afeganistão à frente desses países. É óbvio que entre a teoria e a prática existe muito chão. Mas esse posicionamento do governo afegão é reflexo da nova realidade do país.

Em agosto, o Talibã tomou o poder empurrado por uma poderosa mobilização popular, que surgiu de 20 anos de resistência a uma ocupação criminosa do imperialismo norte-americano e mundial. O que ocorreu no Afeganistão pode ser entendido como uma revolução nacional, dentro da qual o partido nacionalista burguês era hegemônico e, portanto, liderou a tomada do poder.

No Afeganistão, o Talibã encarnou a luta nacional de todo um povo contra a ocupação imperialista. Ao contrário do que acredita a esquerda pequeno-burguesa, idealista e reacionária, o povo afegão apoia o Talibã. E mais: o povo afegão não é conservador ou reacionário por natureza. O que torna os afegãos ─ assim como os povos de muitos países pobres ─ pessoas com a mentalidade atrasada é o atraso material de seu país.

O Afeganistão vive em uma época diferente dos países europeus ou mesmo da América Latina. Apesar da heróica resistência ao longo da história, o país sempre viveu sob uma opressão esmagadora por parte das grandes potências ─ incluindo guerras que duraram décadas. Não teve, assim, nenhuma oportunidade de se desenvolver. Em resumo, continua sendo, até hoje, um país de criadores de cabras.

A economia do país é extremamente frágil e atrasada. O capitalismo sequer chegou àquela terra. Como, então, exigir que os afegãos sejam feministas ou usem a bandeira LGBT se nem mesmo conhecem os valores iluministas e os direitos democráticos?

A única maneira de isso acontecer seria livrando-se da maior das opressões, que afeta os países que não foram palco de uma revolução burguesa (completa ou parcial) que introduzisse esses direitos e costumes. Essa opressão chama-se imperialismo.

Finalmente, os afegãos conseguiram livrar-se do imperialismo. Embora em outras ocasiões eles já tivessem alcançado uma relativa soberania, desta vez é diferente. Porque lidaram com a maior potência imperialista do mundo, a mais desenvolvida, por exatos 20 anos. A vitória sobre o império americano é um sinal claro da decadência desse império, isto é, da decadência do imperialismo de um modo geral. Isso torna a conquista do Talibã ainda mais progressista.

Mas onde se inserem as mulheres afegãs nessa história? Quase metade da população afegã é composta por mulheres. De modo geral, elas apoiaram a luta do Talibã contra os EUA, como uma luta de libertação nacional contra o imperialismo. Todas as revoluções populares como a que vimos no país asiático têm o apoio das mulheres, pois essas são parte fundamental da sociedade tanto por seu percentual na população como por seu papel social. As mulheres são um dos setores mais oprimidos em qualquer sociedade e, sendo o imperialismo o maior opressor de uma nação, logicamente elas estarão entre as parcelas mais oprimidas.

A propaganda da imprensa imperialista diz que as mulheres conquistaram muitos direitos durante o governo de ocupação norte-americana. Mentira. Algumas mulheres alcançaram o parlamento, enquanto a esmagadora maioria passava fome e via a vida de seus filhos ser tirada pelos soldados dos EUA. Isso, quando não eram elas as assassinadas, torturadas ou violadas.

As feministas identitárias do Ocidente ficaram histéricas quando viram o Talibã tomando o poder. Por quê? Porque não pensam com a própria cabeça. Porque são da classe média, classe dependente da burguesia, manipulada por esta. Quem diz que o Talibã é mau é a burguesia mundial, ou seja, o imperialismo. Aquela classe que foi humilhada pelos pastores de cabras.

Quem diz que o Talibã é malvado são as ONGs internacionais financiadas pelos que foram derrotados pelo Talibã ─ o governo dos EUA, os especuladores, as petroleiras etc. Quem diz que defende as mulheres são os grandes bancos internacionais, que promovem uma mulher para um cargo de confiança para dizer que são “inclusivos” enquanto enchem de dívidas nações inteiras. Essas dívidas servem de chantagem para obrigar os governos a privatizarem sua economia, entregando-a a esses mesmos bancos. Privatizações que são acompanhadas de desregulamentação e flexibilização de leis trabalhistas, por exemplo, que destroem o emprego de milhões de trabalhadores. Sendo as mulheres metade ou mesmo a maioria da população desses países, e sendo um dos setores mais oprimidos, não é difícil imaginar quem é que sai mais prejudicado nessa brincadeira…

E são esses mesmos bancos e companhias ─ que financiam e controlam essas ONGs que fazem a cabeça das feministas ─ que estão, neste exato momento, tentando impedir que as mulheres afegãs se libertem de uma vez por todas da opressão. Porque impõem uma pesada asfixia financeira ao Afeganistão, vítima de um bloqueio econômico liderado pelos EUA. A desculpa? Ah, a opressão do Talibã sobre as… mulheres!

Enquanto isso, as mulheres afegãs, que participaram da luta geral de toda uma nação oprimida contra a opressão imperialista, conquistam seus direitos a nível nacional, mesmo que parciais. Conquistam isso porque o processo revolucionário, para utilizar uma expressão ridícula adorada pelas identitárias, as empoderou. Elas têm uma autoridade sobre o Talibã, pois fazem parte de sua base de apoio. Foi também graças a elas que o inimigo foi derrotado. A conquista do direito ao casamento consentido é uma demonstração de que o principal obstáculo para sua emancipação é o domínio imperialista. Assim como o demonstra também a miséria que ainda se mantém devido às sanções criminosas contra a economia afegã.

Um passo já foi dado. Quando o Afeganistão se libertar do jugo econômico do imperialismo, um passo ainda mais importante será dado em direção à emancipação das mulheres afegãs. E as feministas identitárias continuarão histéricas, pois seus donos (as grandes corporações internacionais) serão os prejudicados pela libertação das mulheres afegãs.

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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