Menu da Rede

A farra das empresas de ônibus com dinheiro público

Ascânio Rubi

Ascânio Rubi é um trabalhador que gosta de pensar. Autodidata, tem interesse por várias áreas do conhecimento, sobretudo as ligadas à linguagem. Fisicamente, é meio parecido com um certo velho barbudo, de quem toma emprestada a foto ao lado.

PALHAÇADA NO DCM

Preto quando xinga é bandido?

Por alguma razão que desconhecemos, o Kiko pode xingar o pessoal do chat, mas o Constantine não pode xingar o Kiko.

O velhote burguesão pode xingar quem ele quiser, mas o negro da favela não pode revidar, do contrário será tachado de “bandido”. – Reprodução/ YouTube

Receba o DCO no Email

O senhor Kiko Nogueira, às vésperas do Dia da Consciência Negra, deu um bom exemplo de como a luta antirracista de cariz identitário, aplaudida pela esquerda pequeno-burguesa e empreendida pela burguesia propriamente dita, é uma grande farsa. Dono de um canal supostamente de esquerda (ou “progressista”), o tal Kiko, a pretexto de se dizer ameaçado de morte pelo companheiro André Constantine, um dos quadros mais combativos do PT, não hesitou em dizer que o militante usava “linguagem de bandido”.

Kiko Nogueira ombreou-se com Datena em seu jornalismo sensacionalista, para o qual a definição de “bandido” passa pela cor da pessoa, pelo seu endereço e pela sua linguagem. Constantine, em entrevista ao programa Tição, da Causa Operária TV, respondeu à pseudoentrevista de Boulos no DCM, durante a qual esse mesmo Kiko se deu o direito de xingar (com termos chulos) o pessoal do chat que fazia perguntas incômodas ao ilustre convidado. Por alguma razão que desconhecemos, o Kiko pode xingar o pessoal do chat, mas o Constantine não pode xingar o Kiko. O velhote burguesão pode xingar quem ele quiser, mas o negro da favela não pode revidar, do contrário será tachado de “bandido”.

O que o tal Kiko considerou ameaça de morte, da qual deveria defender a si e à sua gloriosa família, era um manifesto político. Basta ouvir a gravação completa do vídeo, não o corte enviesado feito pelo DCM, que, como a cereja estragada do bolo, intitulou o vídeo de “PCO ameaça de morte Kiko Nogueira” – ou algo assim. Nem foi ameaça, nem foi o PCO.

Não à toa, muita gente cancelou inscrição e assinatura nesse canal do YouTube – sobretudo quando se soube que o motivo da palhaçada era achar um pretexto para tirar da programação o companheiro Rui Costa Pimenta. Sim, a reportagem sobre as relações de Boulos incomodou.

Caso o programa fosse jornalístico, como se apresentava até então, bastaria deixar que o candidato do PSOL ao governo de São Paulo explicasse por que seu projeto político é apoiado por gente como Sergio Etchegoyen, um dos sócios do tal IREE. Os potenciais eleitores de Boulos, muitos dos quais são eleitores do PT que foram influenciados pela diuturna difamação do partido pelos órgãos de imprensa à época do golpe de 2016, precisam conhecer melhor o candidato em que podem pensar em apostar as fichas.

Não basta ao Boulos dizer-se apoiador das causas de negros, LGBT, mulheres e índios universitários ou aparecer em manifestações simbólicas – seja lá o que isso for – como uma espécie de líder do bom-mocismo político. A estética Boulos satisfaz certa classe média que, vez ou outra, dá esmola na rua e acha que fez sua parte porque tem bom coração. Constantine é o negro real da favela, que tem todo o direito de indignar-se. Nos chats, por vezes, alguém reclama de Constantine “falar alto”. Sim, ele fala alto porque está indignado, porque não é amiguinho do opressor, por que não está pedindo licença para falar.

Boulos poderia começar do começo, ou seja, poderia explicar se, na sua opinião, o que houve em 2016 foi “golpe” ou foi “impeachment”, depois poderia dizer o que pensa do companheiro Lula (na sua opinião, Lula foi perseguido ou é criminoso?) e assim sucessivamente, ponto por ponto. Um sujeito que já foi candidato à presidência da República, à prefeitura da maior cidade da América Latina e agora pretende eleger-se para o governo do estado mais rico da Federação precisa ir além da ladainha identitária, que é um discurso fácil, praticamente isento de contestação na esquerda, e enfrentar o público, mostrando seu real posicionamento ante as questões políticas do momento.

A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário.

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

Diferentemente de outros portais, mesmo os progressistas, você não verá anúncios pagos aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos de maneira intransigente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Trabalhamos dia e noite para que o DCO cresça, se desenvolva e seja lido pelas amplas massas da população. A independência em relação à burguesia é condição para o sucesso desta empreitada. Mas o apoio financeiro daqueles que entendem a necessidade de uma imprensa vermelha, revolucionária e operária, também o é.  

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com valores a partir R$ 20,00. Obrigado.

SitesPrincipais
24h a serviço dos trabalhadores

DCO

O jornal da classe operária
Sites Especiais
Blogues
Movimentos
Acabar com a escravidão de fato, não só em palavras
Outros

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.