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“Tóxica” é a censura

Roberto França

Professor de Geografia Política e Geopolítica da Universidade Federal da Integração Latino-Americana

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Os EUA e a Geografia

Onde fica a Nicarágua? Os EUA sabem, mas escondem de você

Ditaduras nunca foram obstáculos para alianças dos Estados Unidos. Basta viver no Brasil com uma imprensa pró-imperialista e alinhamento com os militares brasileiros

Vitória de Ortega – Mint Press News.ru

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Vitória de Ortega

Geografia é Poder e a esquerda precisa pensar no Poder concreto

A partir do conhecimento geográfico, associado ao marxismo, pode-se compreender melhor as relações entre Estado e sociedade. Também é a partir desse conhecimento que a população de um país pode travar a luta contra o imperialismo.

Quem detém o poder sobre a ciência geográfica? 

Resposta: O imperialismo

A imagem acima, do globo terrestre, foi extraída do Google Earth, uma ferramenta de controle e dominação.

Cada pessoa no mundo que acessa os serviços da Google, Facebook, Twitter, Instagram etc. está sujeita aos termos de uso e à geolocalização. Com isso é possível o repasse dessas informações ao controle dos Estados Unidos, que detém o monopólio da infraestrutura da internet. Por esse motivo, países como China e Rússia desenvolveram sua própria infraestrutura, a fim de não submeter-se ao domínio estadunidense e espionagem facilitada.

Com base na imagem pergunto, onde está localizada a Nicarágua?

Uma resposta difícil, não é mesmo?

A imagem mostra o “continente americano” com destaque para a América do Sul, América Central e Caribe, convencionalmente chamada de América Latina. Notem o tamanho desses dois continentes frente ao país mais ao norte que se possa enxergar. Ali ficam os Estados Unidos, o país que intervém com violência, golpes e inúmeros capitães do mato latinos e caribenhos, em toda a massa continental.

Uma América Latina integrada e alinhada contra o imperialismo seria forte e poderoso. 570 milhões de habitantes, muita água, dois oceanos, minérios, florestas e povo forte. Já os Estados Unidos e Canadá possuem uma população de 365 milhões de habitantes, com menos recursos que a América Latina. Em virtude dessa assimetria, os Estados Unidos estabelecem o eterno “Big Stick”, pois uma América Latina livre, integrada e internacionalista, contra o imperialismo, seria um risco de ruína do bastião do regime político capitalista. Sabendo dessas condições da América Latina, os Estados Unidos organizam a estrutura e a superestrutura (ideologia) de toda a porção continental, que é possível ver na imagem inicial desta coluna.

Uma das formas de propagar a ideologia imperialista é por meio da imprensa, um oligopólio nas mãos da burguesia latino-americana que, por sua vez, é vassala dos Estados Unidos. As agências de notícias atuantes no continente, exceto na Venezuela e Cuba, são submissas ao poder sobre as informações e recortes estabelecidos no manual do golpe. Trata-se de uma ordem a fim de reproduzir a ideologia dominante.

O manual de jornalismo imperialista

No manual do Departamento de Estado dos Estados Unidos consta que é preciso organizar uma geopolítica baseada na divisão entre países “democráticos” e “ditaduras”, duas palavras vagas, ao mesmo tempo que cabem no “imaginário”. Neste manual, os países “democráticos” seriam os países com “liberdade de expressão”, “transparência” e “eleições bem organizadas contra fraudes”. Contudo, isso é a senha para países alinhados “ao mundo unipolar” e à “globalização”, reivindicada pelos Estados Unidos.

Em oposição às “democracias”, as “ditaduras” são países não alinhados ao imperialismo. Portanto, numa “ditadura”, as eleições seriam fraudulentas, e os governos não permitiriam a liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo são “populistas”, quando visam atender os interesses de seu próprio povo e cultura. Deste modo, o “manual de geopolítica” do jornalismo tradicional é como o diário oficial dos Estados Unidos.

Nesse jornalismo imperialista, o mundo precisa “urgentemente” ser organizado em torno dos “valores democráticos” do capitalismo, que tem como maior símbolo, justamente Washington. O jornalismo imperialista é mentiroso sobre todos os países e cidades do mundo, recortando imagens a partir de seus próprios interesses. Na ausência de imagens, produz enredos desconectados das realidades dos países, despreocupados com os habitantes e as consequências geopolíticas das mensagens dos porta vozes das rádios, TVs e agora YouTube.

Como representantes da burguesia, escolhidos a dedo pelas emissoras, os profissionais do jornalismo imperialista na América Latina são as bocas do esgoto digeridas pela burguesia, e estão preocupados em manter o estado de coisas, comportando-se como os testas de ferro de toda a máquina de desinformação geográfica.

E a Nicarágua, onde fica?

Fazendo uma aproximação utilizando o sistema de mapas da Rússia, eis a Nicarágua. Quem é que diz que aqui é a Nicarágua? A imprensa golpista?

A capital Manágua (Манга) está entre dois grandes lagos, onde foi projetado o primeiro canal a partir da Doutrina Monroe, de 1823.

Miremos outra imagem, agora do Google Earth:

Vemos aí a Nicarágua, com dois grandes lagos à Oeste além de lagunas. Faça o exercício de aproximação no Google Earth e encontrará uma das redes hídricas mais importantes da América Latina. Entre esses dois lagos está o topônimo Mana-ahuac, que significa “perto da água”, dando origem à capital Manágua. 

A Nicarágua foi uma das primeiras cobiçadas pelo imperialismo estadunidense, sendo declarada independente em 1821, reconhecida como país em 1850, mas seis anos depois, em 1856, foi ocupada pelas tropas do General William Walker, dos Estados Unidos, no contexto da Doutrina Monroe. Essa Doutrina instalou, no ano seguinte, um governo fantoche com Martínez Guerrero e Jerez Tellería que perdurou por 36 anos. 

Entremeios, juntamente ao reconhecimento da Nicarágua pela “comunidade internacional”, foi negociado o Tratado Clayton-Bulwer entre Estados Unidos e Reino Unido, em 1850, sob o tacão do emergente imperialismo dos Estados Unidos e a doutrina do poder marítimo, que visava contruir um canal entre os dois oceanos, além de uma rede hidroviária até os Estados Unidos, por cabotagem e integração, no território que se convencionou ser chamado de “quintal”, a partir da colonização do Rio Lempa.

Em suma, o interesse na Nicarágua precede ao Canal do Panamá, que foi abandonado pelos franceses e assumido pelos estadunidenses em 1904, conforme o projeto abaixo.

O potencial do Canal da Nicarágua

Essa cartografia e tratados dão a real dimensão do que é o imperialismo como regime político de força.

Por que os EUA não respeitam a “autodeterminação dos povos”?

Analisando a relação entre território e História, observa-se a obsessão dos Estados Unidos em estabelecer seu Poder a todo continente, a partir da geoestratégia e logística, dois ingredientes fundamentais do imperialismo. A Nicarágua, portanto, foi um dos ensaios para o estabelecimento da ideologia do Poder Marítimo, até hoje de grande domínio estadunidense, com a maior frota marítima do mundo. Essa condição deu capacidade de controle sobre os Oceanos e avanço para novas conquistas. 

Com o passar do tempo, o Poder Marítimo não seria suficiente, tendo sido desenvolvidas novas estratégias de dominação, lançando mão, especialmente, de elementos da superestrutura e extrema força militar, sendo uma delas a Doutrina de Contenção, que vigora até hoje contra China e Rússia. Essa doutrina foi criada nos anos 1940, por um geógrafo chamado Nicholas Spykman, sendo requentada até chegar à Henry Kissinger.

No contexto da Doutrina de Contenção estava a ideologia russófoba, sinófoba, mas, principalmente com elementos do Macartismo, ou seja, o fortalecimento do anticomunismo. Diante disso, os Estados Unidos elaboraram sua geoideologia a fim de intervir e justificar suas ações “democráticas” acima da “autodeterminação dos povos” (um princípio liberal por sinal), especialmente governos nacionalistas, insurgentes e revolucionários.

Por isso a Nicarágua é perseguida no contexto latino-americano, por se tratar de um governo nacionalista de esquerda, não alinhado aos Estados Unidos. Não é pelo motivo exposto pela imprensa golpista, por ser “democrático” ou suposta “ditadura”. Trata-se tão somente de uma justificativa imperialista para impedir e inviabilizar governos que não atendem, à risca, todos os requisitos do regime político.

O que a Nicarágua tem?

A Nicarágua tem um governo que está sendo empurrado pelas forças sandinistas à uma ruptura com o imperialismo, levando Daniel Ortega a fortalecer seu país contra as ameaças externas, trazendo o Presidente da Nicarágua mais para a esquerda, fazendo com que Biden recrudesça a violência, especialmente através da política identitária, já que a Frente Sandinista é abertamente católica e “conservadora”.

Apesar dos esforços estadunidenses em embargar o país em diversas áreas, a Nicarágua tem um programa muito melhor que do “democrata Bolsonaro” ou do parcial ex-juiz Sérgio Moro. Tendo em vista que a imprensa já escolheu seu lado novamente, após o fortalecimento da musculatura eleitoral de Lula.

Ao fazer um corte na fala de Lula sobre a Nicarágua, em comparação com a Alemanha, a imprensa golpista utilizou a falsa ideia de um “Lula ditador”, que nada mais fez que analisar a situação concreta da Nicarágua.

A Nicarágua, em seu plano de educação, por exemplo, visa aprofundar os avanços rumo à qualidade educacional, que impacta a formação e a aprendizagem integral, a partir do acesso e domínio do conhecimento, da ciência e da tecnologia; Ampliar a cobertura escolar com equidade, em idade adequada, com destaque para o terceiro nível de educação inicial e educação no meio rural.

Na área de saúde desenvolve o Modelo de Saúde Familiar e Comunitária com protagonismo de toda a população, rede comunitária, famílias e comunidades, fortalecendo o trabalho em nível local, de cada um dos setores; luta contra as doenças transmissíveis com ampla participação da família e da comunidade. Garantir os dias anti-vetor, a desratização e o Dia Nacional de Vacinação do Poder Cidadão.

No campo da cultura promove o resgate, defesa e promoção de todas as características da identidade e cultura nacional; fortalece e desenvolve todos os processos e manifestações culturais locais e nacionais de acordo com as particularidades de cada Região; Desenvolve a interrelação entre cultura e turismo, posicionando recursos e tesouros patrimoniais como atrativos na projeção turística internacional.

Como a Revolução Sandinista está inconclusa, os herdeiros políticos de um dos maiores sanguinários e fantoches dos Estados Unidos, Anastasio Somoza Debayle, este sim, um grande ditador, continuam a plantar suas ervas daninhas em território nicaraguense, por intermédio de uma campanha midiática da imprensa imperialista contra a Nicarágua, e, por extensão, qualquer experiência nacionalista ou de esquerda no continente.

As veias não fecham e a imprensa imperialista é co-autora do crime contra a Nicarágua, contra o povo pobre da Nicarágua, contra Lula e contra o povo pobre do Brasil.

A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a posição deste Diário.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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