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Uma posição reacionária

O identitarismo quer fazer “tábula rasa” da história do Brasil

A negação do marxismo por uma ideologia ultra-idealista

A queima da estatua do Borba Gato – Foto: Reprodução

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O identitarismo não é fruto do acaso. É uma ideologia bem embasada nos pilares da intervenção imperialista nas universidades. Oriundo das do estruturalismo, o identitarismo é uma derivação das teses que visam contrapor o determinismo histórico do marxismo, implantando a ideia do relativismo cultural e da aleatoriedade do desenvolvimento da história. Nesse sentido, o “desenvolvimento inevitável para o socialismo” de Karl Marx é rebatido pelas especificidades culturais, a inteligibilidade das culturas alheias e a oposição ao evolucionismo social. 

O estruturalismo foi uma teoria iniciada no estudo da linguagem, criada por Saussure no estudo da linguística. A tese do elemento e contexto, que define a língua como o conjunto de relações entre os significados de um discurso, foi transposta para outras matérias do conhecimento pelo francês Lévi Strauss. No seu texto encomendado pela ONU para “combater o racismo”, o livro Raça e História, Strauss eleva a teoria de Saussure a uma representação geral das relações humanas. 

O relativismo, um conceito introduzido pela física de Einstein e consolidado pela física quântica, ganhava um novo sentido com o relativismo cultural. Essa seria uma interpretação da humanidade como uma constelação de culturas distintas cujas leis próprias impossibilita o entendimento mútuo. As relações de produção, a economia, a política e os movimentos sociais são reduzidos aos termos culturais. Nesse sentido, não haveria uma evolução social de acordo com a capacidade de produção e as relações de produção de cada sociedade. Essa produção seria apenas um elemento dentre um conjunto infinito de características culturais. Quer dizer, não é possível determinar que uma cultura é mais elevada que a outra. 

Essa ideia vai justificar o repúdio ao colonialismo europeu, dizendo que essa seria uma atitude etnocêntrica prejudicial para as culturas colonizadas. Estas, estariam sofrendo um retrocesso na sua cultura (não um desenvolvimento). Dessa forma, Strauss diz que as sociedades indígenas pré-colombianas têm um grau de desenvolvimento cultural equivalente às culturas europeias. A industrialização, a medicina, o transporte rodoviário, tudo isso, seriam questões secundárias. 

Não é preciso fazer muitas explicações para relacionar a teoria de Lévi Strauss ao identitarismo moderno. Quer dizer, uma ideologia que contrapõe os elementos concretos do marxismo ao relativismo idealista dos estruturalistas. É nesse sentido que se coloca a política de derrubar e queimar estátuas, reescrever livros e combater a verdadeira cultura nacional. Os identitários fazem um combate do “discurso de ódio”, do “discurso de opressão”, do “discurso racista”, quer dizer, um “combate cultural” contra as supostas formas de opressão das identidades em lugar da luta de classes colocada pelo marxismo. 

A teoria que substitui a luta material, portanto, combate elementos fundamentais da cultura nacional como uma suposta forma de combater a opressão. Um dos primeiros alvos dessa perseguição é a literatura nacional. Os escritos de Monteiro Lobato, um grande escritor nacional, vão ser taxados como racistas, levando a própria filha do autor a reescrever os livros do pai. 

A queima da estátua do Borba Gato em São Paulo, é outro exemplo da perseguição aos símbolos nacionais. Os bandeirantes, importantes elementos do processo de interiorização do Brasil, na sua maioria, descendentes de índios, foram taxados como os maiores genocidas dos indígenas no Brasil e membros da “elite paulista”. Na realidade, os bandeirantes eram membros de um grupo de pessoas pobres que se aventuravam nas matas do Brasil para encontrar ouro. Alguns, de fato, apressaram índios, mas esses eram majoritariamente oriundos das missões jesuítas. Nesse sentido, os bandeirantes, que viveram há centenas de anos, foram considerados pelos identitários como os maiores opressores dos índios. 

Essa tese não só é falsa, como é preciso dizer que esses mesmos identitários, ditos protetores dos indígenas, não denunciam a enorme pobreza em que vivem nos dias atuais. Nesse sentido, no lugar de apenas lutar pela preservação cultural, é preciso lutar pela própria existência física dos índios. Em lugar dos métodos antiquados, é preciso defender a presença de médicos nas aldeias, escolas e tecnologia para a vida desse povo tão sofrido. Os opressores são o imperialismo e a burguesia, não o Borba Gato, que morreu há 300 anos. 

Na realidade, o que pode ser visto é que toda a verdadeira expressão da cultura nacional é mal vista por esses identitários. As letras de samba, consideradas machistas, os poemas, racistas, as figuras nacionais, genocidas. A vontade do identitarismo é de fazer uma “tábula rasa” da história do Brasil.

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