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Entrevista: livro mostra como Estado esmaga e aprisiona os pobres

Eduardo Vasco

Jornalista especializado em política internacional. Colunista do Diário e do Jornal Causa Operária. Na Causa Operária TV, apresenta o Conexão América Latina às terças-feiras, o Correspondente Internacional às quintas, o Minta você mesmo às sextas e o podcast O Mundo em 1h às segundas. Apresenta ainda o programa Causa Operária, todas as sextas às 12h na Rádio Cultura de Curitiba AM 930.

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Tem que ser malvado

Lula tem que governar como um ditador sanguinário

Chega de ser bonzinho e fofinho. Tem que ser um tirano genocida

Para derrotar a direita e o imperialismo, é preciso radicalizar – Foto: Reprodução

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O principal problema da esquerda pequeno-burguesa é que ela é comprometida com a burguesia. Assim, antes de dar qualquer opinião, ela consulta os jornais burgueses, os intelectuais burgueses, as instituições burguesas, para não falar nada que desobedeça aos comandos da burguesia.

Foi assim quando Lula defendeu o presidente reeleito da Nicarágua, Daniel Ortega. A burguesia não perdoou o petista. Já vinha fazendo uma enorme campanha de propaganda contra Ortega, e a declaração de Lula serviu também para atacar Lula, associando-o a “ditaduras”. Comprovou-se, mais uma vez, que o imperialismo não admite um novo governo Lula.

E o que fez uma parcela da esquerda? Após ouvir a opinião da burguesia, ela também condenou Lula. Afinal, como se pode defender um ditador sanguinário como Ortega, que assassinou o próprio povo e prendeu opositores? A esquerda ─ dizem alguns ─ é “humanista” e não pode “passar pano” para ditadores ─ mesmo que de esquerda.

Que vão à merda! Foi esse “bom-mocismo”, esse “republicanismo” (sic), esse culto à burrice política que levou a esquerda brasileira a tomar um dos golpes mais fáceis que já ocorreram, em 2016.

A esquerda pequeno-burguesa, do alto de seus apartamentos no Leblon ou em Moema, pode não ter sofrido tanto na pele os efeitos dessa inconsequência política. Mas os trabalhadores ─ a quem dizem defender ─ sofreram, e muito. Esse “humanismo” bunda-mole permitiu a destruição da indústria nacional, a entrega do petróleo, da Base de Alcântara, da água, a privatização da Eletrobras e dos Correios, as reformas trabalhista e da previdência, a prisão de Lula, a elevação de um fascista à Presidência da República, a morte de mais de 600 mil pessoas e a fome de metade da população nacional.

Ortega, por sua vez, fez a lição de casa. Mobilizou o aparato do Estado e também sua base de massas para esmagar a tentativa golpista de 2018, integralmente fabricada pelo imperialismo. E, para impedir a excrescência golpista de tomar o poder pela via institucional em 2021, prendeu os traidores pró-imperialistas. Venceu na mão grande? Em certa medida, sim. Mesmo se concorresse com total liberdade, muito provavelmente a direita não venceria, pois o povo está ao lado de Ortega. O problema é que isso facilitaria a desestabilização durante e após as eleições, como tantas vezes vimos na Venezuela. Tendo total liberdade de ação, a direita orquestraria novamente uma campanha terrorista, como a de 2018, com o objetivo de uma intervenção dos EUA para derrubar os sandinistas. Se fosse vitoriosa essa campanha, muito possivelmente Ortega seria preso e levado para os EUA (acusado de qualquer coisa, seja narcotráfico como Noriega ou genocídio como Milosevic). A Frente Sandinista possivelmente seria ilegalizada e milhares de militantes apodreceriam nas prisões da ditadura fantoche que se instalaria na Nicarágua. O destino do país centro-americano certamente seria pior do que o Brasil de Bolsonaro.

O mesmo vale para a Venezuela de Maduro. Nem dizer da Cuba de Díaz-Canel, o mais avançado processo político e social do continente, que, sendo derrubado, retrocederia as condições de vida do povo cubano em mais de 60 anos e significaria um golpe brutal contra os trabalhadores do mundo todo.

Ortega, Maduro (e antes Chávez) e Díaz-Canel (anteriormente Fidel e Raúl Castro) não permitiram a destruição e entrega da soberania de seus países. Proibiram as fundações pseudo-humanitárias do imperialismo (como a NED, USAID, Fundação Ford, Open Society etc.) de atuar para financiar a oposição golpista. Prenderam os agentes estrangeiros. Nacionalizaram os setores estratégicos da economia, tirando-os das mãos dos monopólios capitalistas. Armaram a população. No caso mais radical (que deve ser o exemplo para todos nós), os cubanos fuzilaram os torturadores e assassinos da ditadura títere dos EUA encabeçada por Fulgencio Batista.

Essas ações foram necessárias para garantir e preservar as conquistas sociais de cada um desses governos, como direito à educação e saúde públicas, à moradia, à terra, ao emprego. Mesmo que em alguns casos (como os de Nicarágua e Venezuela) essas conquistas sejam somente parciais ─ pois não se mexeu no principal pilar da dominação imperialista, a propriedade privada ─, elas precisam ser defendidas incondicionalmente e pelos meios que forem necessários.

É por não deixarem que as companhias de países como os EUA tomem conta de seus países e levem a miséria ao seu povo com uma exploração implacável (como ocorre hoje contra o Brasil) que os governos de Nicarágua, Venezuela e Cuba são tachados de ditaduras.

São “ditadores sanguinários”, “violadores de direitos humanos”, “genocidas”, “tiranos”, “corruptos”, “narcotraficantes”, “misóginos e homofóbicos” porque não se sujeitam ao domínio do imperialismo “humanitário”, “democrático” e “plural”. Eles são malvados, vilões, párias. São boicotados, caluniados, infernizados por não se curvarem às imposições dos bancos internacionais e do governo dos EUA.

A esquerda tem que decidir o que é melhor. Ser bem-comportada e deixar a direita, a burguesia e o imperialismo desmontarem a soberania nacional e os direitos do povo, ou ser radical, extremista e linha-dura, esmagando os agentes estrangeiros e expulsando o imperialismo do País. Somente essa segunda opção poderá garantir qualquer possibilidade de desenvolvimento nacional, só através de uma política como essa ─ combativa e revolucionária ─ se poderá recuperar os direitos dos trabalhadores e expandir esses direitos.

O Lula “paz e amor” de outrora foi ultrapassado, tanto pela direita (que o golpeou junto com seu partido) como pelos trabalhadores (que estão muito mais radicalizados do que antes, devido à experiência acumulada e à polarização política). Aquele Lula já não é mais viável.

Se Lula pretende voltar ao governo ─ e permanecer ao menos por quatro anos ─, ele precisa fazer como os “tiranos” que apoia. Afinal, foram os únicos governos de esquerda da região que resistiram ao golpe imperialista. Resistiram porque foram “malvados”.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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