Menu da Rede

Erdogan humilha Suécia e Finlândia mundialmente

Carla Dorea Bartz

Jornalista e fundadora do blog mnemokino.com.br.

  • Capa
  • Colunistas
  • Filme americano questiona a arbitrariedade da propriedade privada

Cinema engajado

Filme americano questiona a arbitrariedade da propriedade privada

First Cow aborda as abstrações irracionais capitalistas e seus impactos na vida de indivíduos que estão no limite da marginalidade.

Para fazer o seu trabalho, o cozinheiro Cookie precisa do leite de uma vaca que não é sua. – Foto: Divulgação

Receba o DCO no Email

First Cow é um filme de produção norte-americana que figura em primeiro lugar entre os melhores de 2021 de acordo com o ranking da revista francesa Cahiers du Cinema[1].

A película, que no Brasil ganhou o nada inspirado subtítulo de “a primeira vaca da América”, é de fato muito boa e merece atenção pela maneira como sua diretora, Kelly Reichardt, aborda o tema da propriedade privada e seu impacto na vida de indivíduos que estão no limite da marginalidade.

O enredo conta a história do padeiro Cookie (John Magaro) e do aventureiro chinês King-Lu (Orion Lee) durante a colonização do estado do Oregon, nas primeiras décadas do século XIX. No vasto território, caçadores e mineiros buscam subsistência em meio a um ambiente ainda selvagem.

Um fiapo de organização estatal está presente em um forte de fronteira, comandado por um Administrador Geral (Toby Jones), uma figura de autoridade, com gostos burgueses superficiais, que controla o comércio incipiente, os poucos militares e a hierarquia social. É dele a primeira vaca da região.

Pobres, sem trabalho e movidos por uma ambição pequeno-burguesa que inclui sonhos de caráter empreendedor bastante atuais como abrir um hotel ou uma padaria, os amigos decidem pegar o leite da vaca para fazer e vender bolinhos fritos aos habitantes do forte.

Na mistura entre oportunidade, oferta e demanda, a iguaria se torna um sucesso instantâneo. Eles recebem em troca pedras preciosas, notas de crédito e outras formas de pagamento que descrevem como é imprecisa e vaga a criação de valor.

A arbitrariedade se estende também aos ingredientes da receita. Em um dado momento, o Administrador Geral convida o padeiro a fazer um confeito francês de modo a impressionar um Capitão (Scott Shepherd) que acabara de chegar de Paris.

O doce necessita de dois ingredientes específicos: o leite quase inexistente e as frutas vermelhas, como mirtilo, encontradas aos montes nas matas. A receita torna-se assim um interessante exemplo de como o raciocínio capitalista, arbitrário e abstrato, se impõe.

Diante do fato jurídico de que a única vaca é propriedade do Administrador Geral, ordenhá-la sem permissão significa roubar leite, ato passível de punição. Por outro lado, colher mirtilos na floresta é legítimo porque, nesse momento, ainda não há um ordenamento jurídico – uma cerca – que legitime a terra como propriedade de alguém.

Com o simples exemplo de uma torta, o filme aponta como são absurdas, injustas e egoístas as relações sociais de produção. O trabalho, ou seja, a habilidade de Cookie em transformar os ingredientes em produto, com certeza o elemento mais importante da receita, fica relegado a segundo plano.

Wendy e Lucy

Kelly Richardt é uma diretora que tem abordado questões sociais há algum tempo. Em Wendy e Lucy (2008), o tema é semelhante a First Cow.

Na história, Wendy (Michelle Williams) é uma jovem operária que ruma de Indiana ao Alasca em busca de trabalho em uma fábrica de conservas. Ela tem pouco dinheiro, um carro e a companhia de sua cadela Lucy.

Ao chegar em uma cidade do Oregon, o carro quebra, gerando uma série de infortúnios que fazem ela perder Lucy. Os poucos recursos vão embora rápido, mostrando o quanto é frágil qualquer plano de melhoria para pessoas às quais é negada qualquer oportunidade.

Repressão a delitos como o roubo também estão presentes aqui. Outro ponto em comum é a presença de um traidor de classe. Por fim, vale ressaltar que há algo de Mona, personagem de Sem Teto, Nem Lei, de Agnès Varda, na trajetória de Wendy (leia aqui nossa análise).

É bom encontrar cineastas americanos, como Kelly Reichardt, que se mostram engajados em produzir filmes com temática política e social que questionam os valores capitalistas e os fundamentos abstratos que o sustentam, como é o caso da propriedade privada, em filmes como Frist Cow e Wendy e Lucy.

Streaming

First Cow e Wendy e Lucy estão no Mubi.

[1] O filme é de 2019, mas a revista leva em consideração quando ele chegou no território francês.

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

Diferentemente de outros portais, mesmo os progressistas, você não verá anúncios pagos aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos de maneira intransigente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Trabalhamos dia e noite para que o DCO cresça, se desenvolva e seja lido pelas amplas massas da população. A independência em relação à burguesia é condição para o sucesso desta empreitada. Mas o apoio financeiro daqueles que entendem a necessidade de uma imprensa vermelha, revolucionária e operária, também o é.  

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com valores a partir R$ 20,00. Obrigado.

SitesPrincipais
24h a serviço dos trabalhadores

DCO

O jornal da classe operária
Sites Especiais
Blogues
Movimentos
Acabar com a escravidão de fato, não só em palavras
Outros

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.