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Ascânio Rubi

Ascânio Rubi é um trabalhador que gosta de pensar. Autodidata, tem interesse por várias áreas do conhecimento, sobretudo as ligadas à linguagem. Fisicamente, é meio parecido com um certo velho barbudo, de quem toma emprestada a foto ao lado.

Oportunismo

Dá pra confiar na esquerda oportunista?

Se der Lula e Bolsonaro no segundo turno, o PSOL vai pra Paris na comitiva do Ciro?

“Startup de sucesso”, MTST faz visita guiada à Bolsa de Valores – Foto: Reprodução

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A deputada Isa Penna, que ganhou fama com o episódio da apalpadela no Congresso (ou com sua luta feminista), parece bastante à vontade ao declarar apoio a um velho personagem da política que, muito antes que o tema entrasse na pauta, se notabilizou por ser machista e misógino de carteirinha.

Sim, ele mesmo, o coronel Ciro Gomes, que, em 2002, não hesitou em declarar à imprensa que o papel da atriz Patrícia Pillar, com quem era casado à época, na sua campanha à Presidência da República era dormir com ele:

“A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental”, declarou, ao ser questionado por um jornalista a respeito do papel de Patrícia na corrida ao Palácio do Planalto,[…]”

Ah, é claro, isso foi em um momento em que não havia redes sociais, e esse tipo de coisa, na imprensa, era tratado como “gafe”. Isa que se cuide, portanto, nesse processo de aproximação. O velho coronel é do tempo em que apalpadela era coisa de macho e o papel da mulher na política era esse que ele explicou.

A companheira Isa, no entanto, parece fazer vista grossa para esse fato. Sua veemência ao exigir severa punição ao seu agressor Fernando Cury, deputado do Cidadania (antigo PPS) e ex-deputado do PSDB, angariou a sororidade de todas as mulheres e, vejam, o apoio dos homens de todo o espectro político, subitamente indignados com a atitude do colega, como se não fossem useiros e vezeiros de fazer o mesmo sem grandes consequências.

Todo o mundo já viu a cena da mão boba do deputado um milhão de vezes, mas chega a ser engraçado vê-la na edição do UOL por causa da trilha sonora de filme de suspense. A cena, desculpem, é muito banal, mas a música lhe dá a grandiloquência das revelações do Datena ou do folclórico Homem do Sapato Branco, para quem se lembra.

Não vão pensar que esse cabra é inocente, não. Esse troço de falar botando a mão no outro – e, principalmente, nas mulheres – é coisa nojenta, que ninguém é obrigado a aceitar. O caso foi juridicamente tratado como “importunação sexual”, não como “assédio sexual”, que é bem mais sério do que isso. Assédio sexual envolve relações de poder e ocorre o tempo todo no âmbito privado das empresas, onde as mulheres não têm mandato e são constantemente chantageadas ou constrangidas e, portanto, caladas.

Mas o PSOL, embora adore fazer barulho com as questões “identitárias” e “simbólicas”, revela-se um partido bem oportunista e capaz de fechar os olhos e tapar o nariz diante de figuras como Ciro Gomes. Na prática, acha bacana se juntar a um traidor misógino e direitista para derrotar o Lula. E não se espantem se a Isa Penna aparecer abraçada com ele nos palanques.

Dia e noite, a esquerda pequeno-burguesa e a burguesia propriamente dita se revezam na mesma ladainha de que é preciso unir todo o mundo para tirar o Bolsonaro, cuja figura encarna todos os males e, de quebra, transforma o resto da direita em anjos.

Ora, diante da gravidade da ameaça à democracia representada pelo Bolsonaro, não seria o momento de apoiar o Lula, que é o líder em todas as pesquisas de opinião, sem impor condições?

Não para o PSOL, que só vai apoiar o Lula, mesmo nestas circunstâncias, se o PT retirar a candidatura do Haddad ao governo de São Paulo e apoiar o candidato Boulos, mesmo sendo Haddad o mais bem colocado na preferência do eleitorado. Tudo questão de cálculo eleitoral, como se estivéssemos em tempos de bonança.

Ao que tudo indica, apoiar Lula ou um cara da “terceira via”, seja quem for, dá no mesmo. Uma esquerda desse naipe é capaz de votar até no Doria, desde que ele empunhe uma bandeira com as cores do arco-íris, o que satisfaria as necessidades simbólicas da pequena burguesia.

Fica a pergunta: se der Lula e Bolsonaro no segundo turno, o PSOL vai pra Paris na comitiva do Ciro?

Só não vê quem não quer: a “frente ampla” liderada pela direita de Kataguiri, Ciro, Doria, Mandetta, Luciano Huck, Datena – pra ficar nos espécimes mais vistosos do zoológico – é muito mais anti-Lula que anti-Bolsonaro. Em quem esses caras votaram na última eleição, quando havia uma “difícil escolha” entre Haddad e Bolsonaro?

E não dá pra dizer que não sabiam quem era o Bolsonaro, que, se tem alguma qualidade, é a de não esconder o que pensa. O sujeito homenageou o torturador Brilhante Ustra no voto pelo impeachment da Dilma Rousseff e ninguém achou que ele fosse uma “ameaça à democracia”?

Boulos, o expoente do PSOL, por sua vez, deu um jeito de sair na foto com o Lula quando este recuperou a liberdade. Foi mais esperto que sua amiga do PC do B, Manuela Dávila, que não foi receber o Lula porque tinha de assistir à apresentação de balé de sua filha, conforme nos contou pelas redes sociais. Boulos, o rei do bom-mocismo, estava lá e, como bom papagaio de pirata, saiu na foto. E, pasmem, chegou a declarar que poderia perder votos por causa da foto.

Os votos que ele temia perder não eram os da esquerda (esses ele tentava ganhar), mas os de seus amigos ricos, seus apoiadores de primeira hora, os mesmos que fizeram manifesto favorável à sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2020.

Diz uma matéria do Estadão:

O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, recebeu nesta quinta-feira, 26, o manifesto de apoio de empresários e agentes do mercado financeiro com os quais tem se reunido com frequência desde o início da campanha eleitoral. No texto assinado como #votoboulosmepergunteporque, o candidato é tratado como empreendedor social e, em conversas reservadas, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é comparado a uma startup de sucesso.

E continua:

Integrantes deste grupo trabalham junto com a coordenação do plano de governo de Boulos com o objetivo de tornar as propostas mais condizentes com as expectativas do mercado financeiro. Uma das sugestões é incluir pontos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e estipular métricas para as políticas ambientais propostas pelo candidato. Além disso, eles estão ajudando a fazer as contas sobre o custo das promessas e as possíveis fontes de recursos.

O manifesto é assinado pelo ex-banqueiro Eduardo Moreira, pelo empresário do agronegócio Luis Rheingatntz, o empreendedor social Marcel Fukayama, as empresárias Nina Silva e Eliana Lopes, entre outras pessoas.

O texto termina, candidamente, desta forma:

O objetivo das reuniões que Boulos vem tendo com empresários, segundo integrantes do grupo, é tentar desfazer preconceitos dos agentes do mercado em relação a Boulos e aproximar o candidato dos escritórios da Avenida Faria Lima, centro econômico da cidade.

Certo. Rolava certo preconceito do pessoal do mercado financeiro contra o Boulos. A esta altura, porém, o mercado financeiro já deve saber quem ele verdadeiramente é, e o preconceito deve ter sido superado. Essa reportagem foi publicada em novembro de 2020. 

No último 23 de setembro de 2021, o MTST, a startup de sucesso do empreendedor social Boulos, fez uma pantomima no saguão da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.  Um grupo de bem-comportados manifestantes divulgou release à imprensa, segundo palavras da Revista Veja, no qual dizia que a “invasão” era pacífica e tinha por objetivo “protestar contra o aumento da fome no país e reivindicar ações que auxiliem a população a enfrentar a insegurança alimentar”.

A matéria informa ao leitor que os manifestantes se concentraram em uma área da Bolsa que é pública e que logo se retiraram. Acrescenta que não entraram em nenhuma parte de acesso restrito e que o ato não teve impacto em nenhuma operação de mercado

Em suma, Boulos levou a turminha da startup para uma visita guiada à Bolsa de Valores, como fazem professores com seus alunos, não sem antes recomendar que se comportem adequadamente, não falem alto, não toquem em nada, não atrapalhem, não joguem lixo no chão – e quem desobedecer leva ponto negativo! A turma do Boulos comportou-se exemplarmente: não atrapalhou ninguém. Mesmo assim, como enviou release à imprensa, ganhou holofotes. Enquanto a pequena burguesia dava seu aplauso coxinha à peça publicitária, a burguesia, como sempre, continuava fazendo seus negócios, que ninguém atrapalhou.

Se depender desse tipo de esquerda, vamos amargar um segundo mandato do Bolsonaro. Hora de apoiar Lula.

A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a posição deste diário.

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