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Fernando Ortiz

Cubanias

O intelectual cubano Fernando Ortiz cunhou o termo “cubania” como o sentimento de pertencimento à pátria cubana; pode ser interpretado como algo que une todos os latino-americanos

América Latina – Foto: Reprodução

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A palavra cubania é um termo que ficou consagrado em 1939 – portanto, antes da Revolução Cubana, que é de 1959 – pelo importante intelectual cubano, Fernando Ortiz (1881-1969), cuja obra foi declarada Patrimônio Nacional de Cuba, em 2019. Ortiz foi um professor que se dedicou à pesquisa nas áreas de antropologia, de identidade afro-cubana, além de etnomusicologia. Autor de uma obra não apenas relevante pela qualidade de seus escritos, mas também pela grande quantidade de textos que produziu, Ortiz deixou um significativo trabalho sobre instrumentos afro-cubanos, o que, como musicóloga, me interessa em particular.

Durante uma palestra que realizou na Universidade de Havana, em 28 de novembro de 1939 – publicada, posteriormente, na Revista Bimestre Cubana -, surgiu a definição usada, desde então, para o termo cubania. Ortiz comparou essa palavra à cubanidade, definindo cada uma delas e explicando as diferenças. Cubanidade seria algo referente à maneira particular de ser do cubano, de transparece na sua forma de se comportar, de viver, o que o distingue do resto do mundo, do universal. Seria o que dá ao cubano uma relação de pertencimento à Cuba. Tal cubanidade não está na herança genética ou na cor da pele, mas na cultura que ele carrega, como um conjunto de sentimentos, ideias e atitudes.

Mas Fernando Ortiz nos fala também sobre uma espécie de cubanidade maior, inefável, que vai além do fato de se ter nascido em Cuba e de ser portador da cultura recebida em decorrência desse local de nascimento e da condição genérica de ser cubano. Para Ortiz, para que se alcance a plenitude dessa cubanidade é preciso “a consciência de ser cubano e a vontade de querer sê-lo”. A isso ele denomina cubania: “uma cubanidade plena, sensível, consciente e desejada, cubanidade responsável (…), com fé, esperança e amor”. Cubania seria, portanto, não o que o conecta a pessoa a um país ou a um povo, mas o seu sentimento de identificação com uma pátria. Nesse sentido, podemos entender a conexão do pensamento de Ortiz aos ideais de José Martí (1853-1895) – considerado o apóstolo da Revolução -, quando nos remete, sobretudo em seu famoso texto “Nossa América”, à concepção de Pátria Grande para se referir à América Latina enquanto o território de um só povo, com características comuns que nos une a todos fraternalmente.

A definição de Ortiz, associada às concepções martianas, permite que nos apropriemos da palavra cubania em um sentido mais amplo, de uma identificação com Cuba como a referência de um país livre, soberano, que luta, resiste, consegue fazer a Revolução e nos mostra que o socialismo é possível, apesar das imensas dificuldades trazidas pelo criminoso bloqueio imposto pelo governo dos EUA há quase sessenta anos.

Foi nessa ideia que me inspirei para batizar o programa semanal que faço no canal de YouTube da Kotter TV, o “Cubanias”, que acontece toda segunda-feira, às 10h. É um trabalho de militância, cuja proposta é falar sobre a riqueza histórica, cultural e política de Cuba. Mais do que isso: é desconstruir as ideias errôneas estabelecidas pelo senso comum, bombardeado por informações deturpadas e falsa sobre a ilha. É mostrar a visão de Cuba sob o viés daqueles que conhecem e apoiam a Revolução e seus propósitos de permanente construção do socialismo na América Latina.

Conhecer a Cuba de Fidel, revolucionária, socialista, orgulhosa das suas conquistas e da sua cubanidade, consciente do seu papel de referência para a luta em busca da autonomia dos povos da América Latina, é despertar em todos nós esse sentimento de querer ser cubano, mesmo sem ter nascido em Cuba. Essa cubania está contida no socialismo, na solidariedade, no caráter humanista da Revolução Cubana, que nos une a todos enquanto latino-americanos que almejam a união e a liberdade da nossa “Pátria Grande”.

Se você quer conhecer mais sobre Cuba, fica aqui meu convite para ver o “Cubanias”. Que eu possa compartilhar com você esse sentimento de “ser cubana” no sentido amplo da palavra cunhada por Ortiz.

A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a posição deste diário.

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