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Cuba, Bolívia e o hálito pútrido do Imperialismo

Henrique Simonard

Gênios da política

Erro tático é não enfrentar os militares

Na política quanta mais embaralhada for a desculpa para não levar adiante uma política acertada maior é a sujeira que se esconde por trás

Os militares fazer aproximações sucessivas e a esquerda espera o “melhor” momento para revidar: quando tomarem conta de tudo ! – Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Na organização do ato do dia 31 no Rio de Janeiro me deparei com uma conversa um tanto quanto estranha com um militante stalinista. Agora não me recordo a qual partido viúvo da burocracia soviética pertencia. PCdoB, PCR (UP) ou outro grupelho menor. Convocando-o para o ato, o militante tentou me explicar que sair às ruas no dia 31 era um erro tático!

O erro tático seria sair às ruas especificamente no dia 31, visto que o dia do golpe foi 1º de abril. Essa justificativa me deixou um tanto quanto assustado. O debate estava muito atravessado. Ficou claro que o companheiro não acompanhou o cenário político dos últimos dias. 

É típico do stalinismo tentar contrapor o óbvio com alguma explicação estapafúrdia cunhada de um ar teórico. Dos stalinistas podemos ouvir frases como “Veja bem, precisamos nos aliar com os golpistas se queremos derrubar Bolsonaro. Claro que isso vai nos fortalecer, não os golpistas que elegeram o genocida. Pode confiar!”. Quanto mais confusas e complicadas essas “explicações”, melhor, pois o objetivo é sempre encobrir uma prática ou intenção política muito imunda. Desta vez a sujeira fedia bastante.

A extrema-direita ganhou o direito de comemorar institucionalmente o golpe de 64 nas ruas. Enquanto a esquerda estiver trancada em casa, a extrema-direita e os generais brasileiros – cuja maioria foi formada ideologicamente durante o regime militar – poderão estar nas ruas marchando sobre as cidades comemorando um dos episódios mais sombrios para a classe operária brasileira. O dia e o local da luta estavam dados. Não importava se o golpe em si foi na noite do dia 31 ou na manhã do dia 1º, dia 31 de março de 2021 seria o dia que a direita estaria nas ruas. A esquerda não poderia perder essa batalha. 

Os atos da extrema-direita foram pequenos, menores do que os atos da esquerda. O general Braga Netto publicou uma nota dando um tom mais brando às comemorações oficiais do golpe de 64. Há muita movimentação dos militares e não se sabe ao certo o que está por vir. Contudo é certo dizer que deixar a extrema-direita voltar a tomar as ruas é sem dúvidas o pior “erro tático” de todos. 

Um ato no dia 1º de abril não passa de uma campanha publicitária. De que adianta comparecer no ringue um dia depois do seu oponente, a não ser para bater a foto? Essa era a intenção, bater uma foto. Mas por que fazer uma campanha publicitária e não um ato? Militantes no país inteiro estavam se reunindo para sair às ruas no dia 31. No Rio de Janeiro diversas organizações estiveram envolvidas e concessões foram feitas para que todas participassem. Por que não se juntar e levar suas bandeiras e aparecer na foto com mais gente e organizações, mostrando uma esquerda combativa, organizada e que saiu às ruas no mesmo dia que a extrema-direita para disputar o asfalto e expulsar os galinhas verdes novamente das ruas? Bem, a única resposta cabível é que os setores que não saíram às ruas não querem enfrentar os militares diretamente. Para eles, a cúpula militar é um setor que está dividido e pode ser usado contra Bolsonaro. 

É uma ideia absurda, cuja formulação só pode vir de uma cabeça que está nas nuvens ao invés de na terra vendo que quem sustenta o governo Bolsonaro são justamente os militares. Claro, há generais e generais. Dentro de todo grupo, classe ou casta, há um mínimo de heterogeneidade. Porém, de conjunto, os militares não somente sustentam Bolsonaro, como são tão fascistas quanto ele. O presidente pode não ser a melhor figura para encabeçar esse programa. Trata-se de uma personagem muito instável e descontrolado, mas pela falta de popularidade de um Heleno, um Mourão ou um Braga Netto (interventor do Rio de Janeiro no ano que mataram Marielle Franco, um assassinato ligado à família Bolsonaro), Jair Messias Bolsonaro cumpre o seu papel. 

O custo de não enfrentar os militares o quanto antes é o mesmo custo de não termos enfrentado Bolsonaro no início do mandato, ou os golpistas antes da derrubada de Dilma e da prisão de Lula. É um filme que estamos cansados de ver. Os militares e Bolsonaro estão se organizando para 2022, rejeitando as peças do tabuleiro. Prontos para dar o bote antes da largada se for preciso. A esquerda precisaria estar fazendo o mesmo agora. 

Mas não temamos, podemos contar com os gênios da tática política para sair às ruas e enfim enfrentar o regime caso um terceiro golpe seja dado no país… Bolsonaro que se cuide. 

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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