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Fábio Picchi

Militante do PCO. Programador brasileiro radicado na Finlândia. Apoiador do software livre. Lutando por uma tecnologia à serviço e não às custas da sociedade.

Não busquei fontes certas...

Fui vítima de fake news

Aparentemente o Facebook é uma máquina de "radicalização" não só de direitistas, mas de esquerdistas também

Haugen explicou pacientemente aos senadores norte-americanos como pessoas como eu são enganadas na internet – Associated Press

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No último domingo (3), o The Wall Street Journal revelou a identidade da fonte que forneceu documentos internos que embasaram uma reportagem em cinco partes sobre como o Facebook – assim como qualquer empresa capitalista – coloca o lucro acima do interesse público. A fonte é Frances Haugen, que trabalhou na empresa por dois anos até deixá-la em maio deste ano. Lá, Haugen trabalhava na área de “desinformação cívica”, provavelmente o nome bonito para o que deve ser conhecido dentro do Facebook como o Ministério da Verdade.

Em todos os principais jornais do mundo, Haugen foi destacada como uma corajosa “whistleblower”, ou, em tradução livre e, certamente, não literal, informante. A coragem, poderia presumir alguém que não acompanhou a divulgação das revelações de Haugen, provavelmente deve-se a uma denúncia sobre a censura que ocorre a torto e a direito nas plataformas controladas por Mark Zuckerberg. Esse leitor hipotético estaria enganado. A ex-funcionária do Facebook não veio a público denunciar a manipulação que seu departamento fazia e faz em relação às postagens de todos nós nas redes sociais, mas, pelo contrário, a falta de controle que impera sobre as discussões online.

Aqui não temos nada em comum com o ex-presidente norte-americano, Donald Trump, mas podemos usá-lo para confrontar a tese de Haugen. Se até um presidente norte-americano em atividade com centenas de milhões de seguidores pode ser banido de uma rede social, como podemos afirmar que não há “moderação” o suficiente do discurso público online? Ele está, naturalmente, completamente controlado. E quem estaria interessado nesse controle? Uma “cabala de bilionários” cujos interesses econômicos e políticos se chocavam com aqueles de Trump e seus apoiadores.

Ouvindo a entrevista de Haugen, porém, encontrei o furo no meu raciocínio. A minha opinião é fruto de desinformação na internet. Fui mais uma trágica vítima das famosas fake news! E como bem sabemos, não há apenas fake news de direita, mas de esquerda também, como recentemente fui lembrado no Twitter por um jornalista do Estadão, um jornal completamente imparcial.

Haugen relata à repórter do The Wall Street Journal que tragicamente perdeu uma pessoa muito querida para a desinformação na internet. A amizade que mantinham começou a desmoronar durante as eleições polarizadas de 2016 nos EUA. Não, meus caros leitores, o amigo de Haugen não era simpatizante do fascista censurado Donald Trump. O rapaz era um apoiador do senador reformista Bernie Sanders que foi sabotado pelos falcões neolibeirais do Partido Democrata tanto em 2016 como em 2020.

Mas lá vou eu novamente com minhas teorias conspiratórias, droga! Preciso prestar mais atenção no The New York Times e sair do Facebook e do Twitter.

Enfim, o amigo de Haugen, frustrado com a derrota de Sanders para Hilary Clinton, que seria por sua vez derrotada por Trump, defendia teses “esdrúxulas” como a ideia de que George Soros, um dos maiores banqueiros do planeta, controlava a economia mundial.

Ele fazia afirmações malucas sobre como George Soros controlava a economia mundial e coisas do gênero. Coisas que são, assim, muito fáceis de invalidar. E quando eu dava informações sobre como coisas na internet podem perturbar pessoas ele me respondia ‘você lê as suas próprias citações? Todas essas referências apontam para a mídia mainstream. Como você pode acreditar nessas coisas?’“, relatou Haugen sobre o trágico fim de sua amizade.

Trágico talvez para Haugen, mas esclarecedor para nós e, onde quer que ele esteja, para seu amigo. Caso não tenham percebido minha ironia, não apenas acho absurda a tese de que o Facebook deva ser ainda mais regulado por um mecanismo alheio à vontade de seus usuários, como acho ainda mais grotesco que o exemplo utilizado no relato pessoal de Haugen aos jornalistas tenha se referido a um esquerdista e não a um fanático de extrema direita. Comprova a tese de “pau que bate em Chico, também bate em Francisco”. Se a censura cai sobre a direita, podemos ter certeza que caiu, cai e cairá também sobre a esquerda, numa escala muito maior.

Não é à toa que a ex-funcionária do Facebook foi recebida muito bem pelas múmias que ocupam o Senado norte-americano. Ela propunha a censura nas redes sociais, tanto à esquerda como à direita, e ainda dava uma roupagem popular à ideia. Acusava o Facebook, que, naturalmente, lucra muito com discussões acaloradas em seus servidores, de colocar seus interesses econômicos à frente do “bem-estar da população”, isto é, do empastelamento dos murais de todos.

Correndo ainda mais risco de ser taxado de teorista da conspiração, eu diria que isso foi uma jogada casada. Haugen não quer quebrar o monopólio do Facebook sobre a comunicação online, pois isso dificultaria a centralização do mecanismo de censura. Ela, assim como o estado imperialista norte-americano e o próprio dono do monopólio, Mark Zuckerberg, querem construir um ambiente onde a censura seja aceita pela população. Todos vencem, menos a população que vai ter que voltar ao domínio desse imprensa venal que, por exemplo, dá cobertura ao bombardeio de famílias afegãs, taxando tudo que se move no país da Ásia Central de “terrorista”.

Verdadeiros “whistleblowers”, como Edward Snowden, Chelsea Manning, foram exilados, presos perseguidos. O imperialismo persegue até mesmo quem publica suas denúncias, como o jornalista Julian Assange. O tratamento VIP de Haugen é para poucos. Acho que ela agradou Soros.

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