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Cristiano Ronaldo chuta jogador. E se fosse Neymar?

Eduardo Vasco

Jornalista especializado em política internacional. Colunista do Diário e do Jornal Causa Operária. Na Causa Operária TV, apresenta o Conexão América Latina às terças-feiras, o Correspondente Internacional às quintas, o Minta você mesmo às sextas e o podcast O Mundo em 1h às segundas. Apresenta ainda o programa Causa Operária, todas as sextas às 12h na Rádio Cultura de Curitiba AM 930.

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Soberania nacional

A economia do Afeganistão sob o governo Talibã

Com a saída do imperialismo, quem vai tomar conta da economia do país?

Talibãs tomaram conta dos bancos do país – Foto: Rahmat Gul/AP Photo

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Os EUA foram expulsos do Afeganistão e isso foi uma das maiores conquistas dos povos oprimidos neste século. Não nos importa a histeria identitária e sua pseudodefesa das mulheres ou dos homossexuais afegãos. A libertação geral dos trabalhadores, camponeses e demais camadas exploradas do país asiático se dá através da libertação econômica. E um importante passo foi dado nesse sentido com a vitória do Talibã.

EUA e OTAN gastaram 2,3 trilhões de dólares em 20 anos de guerra de agressão no Afeganistão. A invasão foi organizada para privatizar a economia afegã, entregando-a aos bancos e multinacionais estrangeiros. A dependência é tão grande que 80% do orçamento nacional vem dos EUA e outros países, responsáveis também por 42,9% do PIB afegão.

Assim, agora a economia do país agora está vindo abaixo. Para ficar ainda pior, o imperialismo está roubando na cara dura a riqueza do Afeganistão. A Reserva Federal dos EUA congelou todos os 7 bilhões de dólares de reservas internacionais afegãs, incluindo 1,2 bilhão em ouro. Outros 2,5 bilhões foram bloqueados por outras instituições financeiras norte-americanas. O FMI também congelou o acesso afegão aos seus recursos (o que inclui 450 milhões de dólares para o combate à Covid). Agora, o Afeganistão se junta à Birmânia e à Venezuela, países que receberiam recursos do FMI mas estão impedidos de utilizá-los. Bando Mundial, União Europeia, Grã-Bretanha e Alemanha também suspenderam o financiamento do Afeganistão.

Diante desse cenário, como reconstruir um país economicamente falido com 47% da população vivendo abaixo da linha da pobreza?

O Estado terá de intervir fortemente. A economia estava quase toda nas mãos do imperialismo, que teve agora de deixar tudo para trás com a derrota humilhante. Mesmo nessa nova fase, a incerteza com o novo governo vai afastar investimentos privados e os bancos privados devem experimentar severos danos colaterais, segundo analistas norte-americanos. Soma-se a isso o fato de que, após 20 anos vivendo sob as botas dos EUA e da OTAN, o povo afegão e o Talibã não querem mais o imperialismo no seu país. Sem o controle imperialista da economia, ela deverá ser dominada pelo Estado, a frágil e quase inexistente burguesia nacional e por empresas de países oprimidos.

De acordo com órgãos imperialistas, muitos dos principais funcionários na administração e pessoal técnico fugiram ou estão em processo de fuga do país. Isso significa que, talvez, quem tenha de assumir essas funções, pelo menos em um primeiro momento, sejam os militantes do Talibã ou civis que apoiaram a revolução. Mas logo em seguida seria necessário contratar pessoal técnico especializado de outros países.

Mas quais seriam esses países que fariam parceria com o governo do Talibã?

No dia 2 de setembro, o porta-voz do grupo fundamentalista, Zabihullah Mujahid, disse que agora o principal parceiro comercial do Afeganistão é a China. “Temos em alta consideração o projeto ‘Um Cinturão, Uma Estrada’, que servirá para reviver a antiga Rota da Seda”, afirmou.

A China já tem projetos de construção e infraestrutura no Afeganistão, justamente no âmbito da Nova Rota da Seda. Existe a possibilidade real, inclusive, de inclusão do país na Organização para a Cooperação de Xangai, órgão multilateral dos países da Eurásia encabeçado por Pequim.

De fato, o Talibã já acordou investimentos chineses e russos no Afeganistão, como obras e infraestrutura. Em troca, o Talibã foi pressionado a não espalhar o “terrorismo” pela Ásia Central.

O Talibã está em contato com a China há quatro anos e com a Rússia há sete. Outro parceiro natural do novo governo afegão é o Irã, com quem os talibãs estão em conversação há incríveis dez anos.

E o novo governo Talibã, segundo analistas de política externa, seria semelhante à teocracia iraniana, com o líder supremo e um conselho de Estado no lugar do parlamento. Esse poderia ser um ponto de estreita ligação com Teerã.

Além de China, Rússia e Irã, o governo do Talibã deverá fazer também acordos de cooperação com outras potências regionais da Eurásia, como Turquia, Índia e ainda o Paquistão ─ que já deram claros sinais de que farão parcerias com o Afeganistão.

É claro que ainda é muito cedo para traçar grandes projeções. Mas o novo governo Talibã, caso as perspectivas se concretizem, poderá ser um exemplo de condução econômica para os países atrasados que vivem sob a constante pressão e bloqueio imperialistas, orquestrando suas relações internacionais com parceiros que não têm condições de explorar seu povo por não serem potências imperialistas, ao mesmo tempo que, devido ao seu desenvolvimento econômico superior, contribuem para a reconstrução econômica soberana do Afeganistão. Livre do controle imperialista (ao menos direto) sobre sua economia, o Afeganistão poderá mostrar aos povos do mundo (mesmo com suas claras limitações econômicas e políticas, de um país miserável governado pelo nacionalismo burguês religioso) que outro caminho é possível, garantindo direitos básicos que nunca foram outorgados ao seu povo, por meio de uma reconstrução econômica soberana e relativamente independente do imperialismo.

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