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Etiópia denuncia que sanções dos EUA afetam o povo pobre

Lina Noronha

Trabalha no serviço público como músico-instrumentista (toca oboé). É professora doutora em música. Militante da solidariedade à Cuba e do PT, apresenta o programa semanal Cubanias, na Kotter TV. Mãe de um rapaz PCD, atua também na formação de professores para educação especial e inclusiva

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Palestina X Israel

A questão palestina: o governo Bolsonaro e o sionismo

Bolsonaro tem expressado com orgulho seu apoio irrestrito ao governo racista de Israel e o repúdio à causa palestina desde a campanha para presidente.

Ocupação do território palestino antes e depois da criação do Estado de Israel – Foto: Fernando Bertolo/ Brasil de Fato

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A comunicação é uma das armas mais poderosas do imperialismo. É pelo domínio da imprensa e das mídias em geral que se consegue transmitir as ideias que interessam aos países hegemônicos.

Tão importante quanto o que se divulga é o que se omite. Como dizia o apoiador da ditadura militar, Roberto Marinho: “o importante não é o que o Globo publica, mas o que não publica”. Com essa política de censura ao noticiário, esse senhor ficou rico escondendo da população o que se passava no país durante o governo militar e auxiliando os ditadores a se manterem no poder passando a falsa imagem de um país em que tudo estava em paz, não havia corrupção e nem conflitos, escondendo do povo toda a violência da ditadura.

Segue a mesma lógica as escassas informações sobre Cuba que chegam até nós. As pessoas repetem como papagaios que Cuba é uma ditadura e promove o terrorismo. Fazem tais afirmações baseadas em quê? Na versão mentirosa que a mídia, dominada pelos países imperialistas, faz chegar até nós pelo noticiário, pela na internet, por jornais, revistas, filmes e tudo o mais que esteja sob esse domínio.

É esse o tratamento dado nos meios de comunicação a todos os países que não se submetem às garras do Imperialismo. Assim como Cuba, a Palestina também padece dessa ocultação sobre o que se passa por lá, sobre a história e a luta de seu povo diante da opressão israelense. Cabe a nós desmascararmos as fakenews nas narrativas apresentadas pela mídia sobre os países que se opõem às forças imperialistas, incluindo a Palestina.

Israel, um dos aliados do governo Bolsonaro, faz uso das chamadas fakenews quando se trata de justificar a violência desmedida contra o povo palestino. O atual governo brasileiro, que entende como ninguém de disseminar fakenews, sempre se posicionou claramente a favor de Israel e contra a Palestina. Chegou a ter como promessa de campanha o fechamento da representação diplomática palestina em Brasília, além da transferência da Embaixada brasileira em Israel para a cidade de Jerusalém, algo que seria desaprovado por quase todos os outros países. Isso seria entendido como apoio do Brasil à investida de Israel sobre Jerusalém, cidade sob ocupação ilegal, em desrespeito às decisões da ONU e a acordos internacionais. Vários conflitos têm ocorrido em Jerusalém por conta da ocupação israelense e da resistência palestina que espera ver Jerusalém como a capital do almejado Estado Palestino. Essas medidas prometidas pelo governo Bolsonaro não se concretizaram porque, provavelmente, os resultados econômicos seriam catastróficos. Os árabes são importantes parceiros comerciais do Brasil, inclusive com muito mais peso do que Israel. Ainda assim, Bolsonaro faz questão de explicitar e reafirmar sempre seu alinhamento com o governo racista de Israel e suas políticas de extermínio do povo palestino.

A aproximação com Israel na atual gestão se evidencia não apenas pela total submissão do governo Bolsonaro aos interesses dos EUA, grandes aliados do sionismo israelense, mas pela ligação com os judeus sionistas do Brasil e com os chamados “cristãos sionistas”, ligados ao neopentecostalismo, também parte da base de apoio do bolsonarismo.

Muita gente se pergunta como pode a comunidade judaica apoiar uma figura que se identifica com movimentos neonazistas, que remete ao grande massacre ao povo judeu ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. A explicação é o sionismo, que está na base da criação de um Estado racista, militarizado, violento, colonialista, que não respeita leis e tratados internacionais ou a ONU, uma verdadeira “aberração”, conforme coloca Sayid Marcos Tenório em seu livro “Palestina”.

Lembremos que nem todos os judeus são sionistas. Há muitos judeus críticos a essa política de limpeza étnica e da etnocracia israelense. Da mesma forma, nem todos os judeus no Brasil são apoiadores de Bolsonaro. É a comunidade judaica sionista que se identifica com a política colonialista israelense e faz parte da base de apoio de Bolsonaro. Essa gente não vota no PT. Prefere um candidato racista que se identifica com Israel e execra o povo palestino. Diante disso, é preciso lembrar que ser contrário ao sionismo não significa ser antissemita. Essa é outra ideia que Israel deturpa para usar a seu favor: qualquer um que aponte as barbáries que ele comete é desqualificado e acusado de antissemitismo. Aí vale até lembrar dos judeus mortos na Segunda Guerra, mas falar nos muitos palestinos assassinados não pode.

Voltando ao conflito do território palestino, a ideia de criação do Estado de Israel se construiu a partir do surgimento do movimento sionista, em fins do século XIX.  A argumentação para a defesa da implantação de um Estado Judeu na Palestina partiu de premissas falsas, listadas por Marcelo Buzetto em seu livro “A questão palestina”: “1) que a Palestina era uma ‘terra sem povo’ e os judeus um ‘povo sem terra’; 2) que a Palestina é a ‘pátria histórica’ dos judeus; 3) que os judeus são o ‘povo eleito’ por Deus”.

Historicamente, a Palestina sempre foi um território ocupado por árabes. Nunca foi uma “terra sem povo”. A história da ocupação árabe na Palestina remonta há cerca de seis mil anos. Quanto aos judeus que viviam em terras palestinas, chegaram ali bem depois e faziam parte de uma minoria que coexistia pacificamente com os árabes, até o advento do sionismo.

Desde a criação, pela ONU, do Estado de Israel, em 1947, o povo palestino vem sendo massacrado e expulso da sua própria terra, enquanto Israel se vale do seu poder midiático para impor a sua versão dos fatos e promover um verdadeiro “apagamento” dos palestinos, sua história e sua cultura, por meio da divulgação de “fakenews”. Historiadores já provaram que não ligação histórica entre os judeus bíblicos e os atuais judeus sionistas do Estado de Israel. Portanto, essa conversa de “pátria histórica” não existe e não passa de uma justificativa construída artificialmente para legitimar a ocupação do território palestino por judeus que simplesmente têm se apropriado das terras palestinas e expulsado seus ocupantes originais à força.

Por meio dessa falsa conexão com os hebreus mencionado nas narrativas bíblicas é que o sionismo se coloca como o tal “povo eleito”, ganhando assim a simpatia dos chamados “cristãos sionistas”, que acreditam que o atual Estado de Israel seja a realização de uma “profecia bíblica”, em que finalmente esse território é ocupado por seus “verdadeiros donos”, o tal “povo escolhido” do Velho Testamento. Obviamente, muitos pastores de igrejas neopentecostais exploram a ignorância e a boa-fé das pessoas alimentando essa ideia mentirosa de “povo escolhido” e de “terra prometida” a partir de interpretações da Bíblia sem nenhum fundamento.  Vários pesquisadores demonstraram, por meio de evidências históricas, que os judeus atuais são provenientes de três linhagens étnicas diferentes. Os judeus europeus, que criaram o sionismo e ocuparam o território palestino com a criação do Estado de Israel, não têm nenhuma relação com os judeus originários de territórios árabes. Eles são, etnicamente, originários da Europa mesmo, ou das tribos dos khazares, se oriundos da Europa Oriental. Para quem quiser entender melhor a história da ocupação da Palestina e da origem do sionismo, indico os livros mencionados: “Palestina”, de Sayid Marcos Tenório, e “A questão palestina”, de Marcelo Buzetto.

O sionismo é um movimento de origem nacionalista – surgido no período de crescimento dos vários nacionalismos no mundo ocidental – sobre o qual seus adeptos se basearam para a criação e a manutenção de um Estado imperialista e colonialista em território palestino. A farsa de “povo eleito” e da ligação histórica com a Palestina tem sido usada para justificar a violência contra o povo palestino e a limpeza étnica que Israel tem promovido desde 1948. Do que a ONU estabeleceu com a divisão arbitrária da Palestina, Israel acatou apenas a parte que decretou a sua própria criação como Estado. Todo o resto foi ignorado, inclusive a divisão territorial estabelecida para a criação de um novo Estado Palestino com o que sobrou da invasão israelense. De lá para cá, Israel tem ocupado cada vez mais o território da Palestina histórica, levando adiante seu projeto de domínio completo dessa área e da aniquilação do povo palestino, tirando dele seu território, sua liberdade, seu direito ao trabalho, à livre circulação, a sua história, a sua existência. Há milhares de palestinos presos, muitas vezes sem direito à defesa, em condições de desrespeito aos direitos humanos, inclusive crianças. Tem sido uma luta extremamente desigual. Enquanto Israel tem um dos exércitos mais poderosos do mundo, que inclui armamentos nucleares, há muitas imagens de conflitos em que jovens palestinos aparecem atacando tanques com pedras. Esse desequilíbrio se reflete no número extremamente desigual de mortos de um lado e de outro a cada conflito.

Um verdadeiro “apartheid” foi implantado em todo o território dominado por Israel. A Faixa de Gaza, cada vez mais estreita, é cercada por um muro que mantém os palestinos que ali vivem em uma verdadeira prisão à céu aberto. O forte bloqueio econômico a que os palestinos desse território estão submetidos provoca um verdadeiro massacre por meios econômicos, limitando o comércio e as comunicações a todos os que vivem em Gaza. Até a área em que se pode pescar é limitada pelos israelenses. O desemprego e a miséria também tem sido formas de subjugar e dominar o povo palestino.

Enquanto o que os palestinos querem é uma Palestina livre, autônoma, soberana, em que cristãos, árabes, judeus possam viver com direitos iguais, em um estado democrático, o que Israel promove é um Estado racista e violento, criado arbitrariamente, ignorando a existência e a vontade do povo que vivia naquele território. A aberração promovida pela ONU, dividindo um território que não estava sob sua jurisdição para a criação de dois Estados, o de Israel e o da Palestina, provocou a apropriação indevida de terras do povo palestino e décadas de opressão e sofrimento. Israel não se contentou e deixou claro, no decorrer dos anos, que seu projeto é se apropriar de todo território da Palestina histórica, autoritariamente, ignorando o povo palestino, acordos internacionais e a posição da ONU ou de outros países contrários a esse avanço.

É obrigação de todos que lutam pela autonomia e pela soberania dos povos, por uma sociedade mais justa, pelo fim do colonialismo e da opressão imperialista, a defesa da luta do povo palestino por sua liberdade, pelo fim da opressão e do sofrimento impostos por Israel. Combater as fakenews que sustentam a barbárie israelense é uma forma de ajudar a causa palestina.

Se o governo Bolsonaro se aliou à escória, ao que há de mais abjeto, nacional e internacionalmente, incluindo o governo sionista de Israel e seus apoiadores, tirar Bolsonaro e eleger Lula significa também nos livrarmos da vergonha de termos um governo que apoia o sionismo e a possibilidade de exigir maior apoio à luta palestina por parte do Brasil. Não que nos faltem motivos, mas esse é mais um para lutarmos pela eleição do presidente Lula.

Fora Bolsonaro!

Palestina Livre!

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