João Jorge Caproni Pimenta é estudante de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Militante do Partido da Causa Operária (PCO) e coordenador da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Iniciou sua militância política e estudantil em Junho de 2013, quando a juventude e os trabalhadores realizaram uma grande mobilização contra o governo do Estado de São Paulo, então liderado por Geraldo Alckmin (PSDB).

Responsável pela Agitação e Propaganda do PCO, João Caproni Pimenta é editor do Diário Causa Operária e da Causa Operária TV. Também é colunista do Jornal Causa Operária e co-autor do livro “A Era da Censura das Massas”, junto com Rui Costa Pimenta, presidente do Partido.

Membro da Direção Estadual de São Paulo do PCO. Jornalista. Membro da Coordenação da AJR, juventude do PCO

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PCB

100 anos de um partido assassinado a sangue-frio

Uma homenagem aos resistentes que deram esse importante passo para a organização da classe operária brasileira

Hoje, dia 25 de março, é o aniversário de 100 anos do Partido Comunista Brasileiro. A data tem um significado importantíssimo para a classe operária brasileira, foi nossa primeira tentativa de formar um partido de vanguarda para tomar o poder e estabelecer o socialismo. Para mim, pessoalmente, ela tem ainda mais significado.

Um século atrás, meu bisavô, João Jorge Costa Pimenta, presidente-fundador do sindicato dos gráficos, líder paulista da greve geral de 1917 e ex-anarquista, era um dos 9 delegados do congresso de fundação daquele partido. Além de ser um dos nove, foi também o maior líder operário deste primeiro bando que ousou seguir o caminho de Lênin e dos bolcheviques. Meu nome é uma homenagem a este homem que morreu 20 anos antes de eu nascer, mas que conheci através da luta revolucionária, da continuidade de seu trabalho. É também, curiosamente, a data de nascimento de meu estimado companheiro de partido e irmão, que nascia 20 anos atrás exatamente neste 25 de março, o companheiro Carlos Henrique.

Meu bisavô, João, rompeu com o PCB em 1928 junto dos ilustres Mário Predrosa e Benjamin Perret, poeta surrealista francês e militante trotskista. O motivo de romperem? É simples, estavam matando o partido que eles haviam lutado para construir. Lá na União Soviética, um ano antes, Trótski havia sido expulso do Partido Comunista e estava em vias de exílio. Stálin, recém-empossado ditador-geral do Partido, havia levado a desastre a revolução chinesa e segunda tentativa de revolução na Alemanha. Detalhe sobre esta última, a revolução alemã precisava de um Blanqui, um camarada decidido e que soubesse convocar as massas para insurreição, que tomasse as rédeas do processo insurrecional.
Lá de Moscou Leon Trótski, o arquiteto da insurreição de outubro de 1917, se voluntariou para arriscar a vida e levar o proletariado à vitória num País central, por medo de disputas internas, Trótski foi ordenado a ficar na Rússia.

A coleção de catástrofes de Stálin, contudo, estava apenas começando. Em 1933, com a política de acusar a esquerda alemã de ser social-fascista, ele levaria o proletariado alemão à bancarrota, seria o degrau sobre o qual Adolf Hilter chegaria ao poder. Em 1936, Stálin freia as massas que estavam prontas para tomar o poder na França, e a segunda Revolução Francesa passou para a história apenas como uma greve geral. A guerra civil espanhola será também destroçada pelos stalinistas, uma quinta-coluna involuntária dentro do campo antifascista.

No Brasil, recém-surgido partido estava também paralisado por conta da política de atacar a esquerda, no caso os setores dinâmicos da revolução de 1930. Em 1934, meu bisavô e Mario Pedrosa, agora na recém-nascida organização trotskista Liga Comunista Internacionalista, pressionaram o PCB paulista para que este lutasse contra o fascismo, e o diretório local, desobecendo a direção nacional do Partido organizou, junto aos trotskistas a Revoada das Galinhas Verdes, o dia que em trotskistas e setores não-burocráticos do PCB acabaram na bala com um comício integralista. Foi um lampejo de sanidade diante da loucura geral dos stalinistas.

Em 1935, mal-guiados pelos stalinistas, o corajoso, ainda que não muito prudente, Luís Carlos Prestes tenta uma revolução por via de golpe militar. A Intentona Comunista, um momento de grande bravura dos fizeram, e de grande loucura da Internacional Comunista que incentivou esta ideia sem pé nem cabeça, acabou em catástrofe para todos os comunistas brasileiros. Morreram milhares de militantes do PCB, mas também foram presos militantes das mais diversas correntes comunistas. Logo em seguida, a burguesia dá o golpe do Estado Novo.

Uma triste anedota familiar, meu bisavô durante os anos da ditadura do Estado Novo, era preso todo 1º de Maio. Buscavam-no em casa, como faziam com todos os líderes conhecidos do movimento operário combativo. Ele já até deixava uma malinha pronta para passar um ou 2 dias na cadeia.

Os momentos mais trágicos do PCB, contudo, viriam depois da ditadura de 1937. Primeiro com a política aberta de conciliação de classes, onde Luís Carlos Prestes foi obrigado a apoiar Getúlio Vargas e elogia-lo publicamente. Depois, o mesmo PCB, febril criticava o governo fazendo coro com a burguesia que iria derrubá-lo em 1954. Acompanharam caninamente João Goulart, servindo como uma base sua, não como um fator de radicalização contra a reação direitista. Prestes, em que pese minha mais profunda admiração pelo cavaleiro da esperança, ainda comete um imperdoável erro, fechar os olhos para o golpe de 1964. Ele disse que não haveria golpe, chegou a dizê-lo dias antes do 31 de março.

Ouvi de militantes que estava dentro do PCB neste dia, o caos que se tomou do partido. Ouviam mensagens desencontradas quando o golpe começou. Ouviram até dos burocráticos líderes locais, que o PCB armava uma revolução contra os militares. Um deles até me confessou ter esperado na praça da Candelária dia e noite no 1º de abril um carregamento de armas que nunca iria chegar. Outros companheiros do PCB foram trabalhar como se nada tivesse acontecido, sem um único aviso do partido. Sendo presos facilmente pelo Exército.

Durante os anos de chumbo o PCB era o maior defensor do “fazer-nada”. Contra a luta armada e sem nenhuma alternativa. O proletariado era massacrado. As várias cisões do PCB lutavam com suas vidas para derrubar a ditadura e eram massacradas, bem como fizeram vários grupos trotskistas. Quando a classe operária mais precisou, o PCB mostrou que a política burocrática da URSS stalinista havia deixado apenas uma casca morta. O Cavaleiro da Esperança era um grande líder político, um grande militar, um grande militante. Mas não tinha uma compreensão do marxismo para guiá-lo por estes complexos acontecimentos, fracassou.

O que saiu da ditadura, já não era mais o PCB que meu bisavô fundou. Não era, tanto que virou a atual filial do PSDB, o Cidadania. O PCdoB, o mais famoso dos rachas do PCB, também não, é apenas um grupo de estudantes (hoje velhos) bastante oportunistas. Mas e o atual PCB? Em poucas palavras, é pior do que a reunião da banda The Doors nos anos 2000, mantinham o nome, mas com Jim Morrison morto e alguns velhos que queriam viver os dias áureos de sua juventude. Jones Manoel, dirigente deste grupo de pequenos-burgueses que se fantasiou de PCB, ataca hoje a “família Pimenta”, numa tentativa desesperada de desmoralizar militantes sérios. O companheiro Rui, meu pai, pegou a missão de seu avô e ensinou-a aos filhos, ajudou a construir, muito antes destes filhos nascerem, uma organização militante e com um programa sério. Um partido que pela sua estrutura: verdadeiramente democrática e fortemente centralizada e pelo seu programa: revolucionário e ao mesmo tempo defensor dos direitos democráticos do povo, sem nenhum respeito pelas instituições do capitalismo ou suas opiniões, sem nenhum medo de levar a luta para o terreno do enfrentamento físico se for necessário, sem medo de colocar sua política em plena luz do dia, é de fato o verdadeiro herdeiro do PCB, da Internacional Comunista e da Revolução de 1917.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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