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Saúde indígena

Índios estão morrendo às moscas e a culpa não é dos bandeirantes

Aumento criminoso do garimpo ilegal, doenças infecciosas e falta de assistência médica são os principais sofrimentos dos índios causados pela burguesia.

Em 2021, índios protestaram em Brasília pela demarcação de suas terras – Foto: Reprodução

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Os problemas dos índios brasileiros são explícitos e bem concretos na nossa sociedade. Com o golpe de Estado de 2016, o sofrimento das comunidades indígenas só aumentou.

Os índios Ianomâmi, por exemplo, os maiores povos indígenas da América Latina, com uma população em torno de 35 mil índios vivendo em 200 a 250 aldeias, com forte presença nas montanhas e florestas do norte do Brasil e sul da Venezuela, vêm sofrendo um verdadeiro abandono por parte das autoridades brasileiras.

O programa de rádio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) intitulado “Saúde com Ciência” traçou a situação caótica em que esses índios estão submetidos. Estão enfrentando fome, subnutrição, covid e malária, além da violenta ação dos garimpeiros apoiados pelo Governo Federal.

Dados divulgados pelo Ministério Público Federal mostraram que 52% das crianças Ianomâmi estão sofrendo com desnutrição. Em dois anos houve 44 mil registros de malária, numa população específica de 28 mil pessoas. A taxa de mortalidade é muito grande, sobretudo a mortalidade infantil.

Aumento criminoso do garimpo ilegal, doenças infecciosas e falta de assistência médica são os principais sofrimentos dos índios causados. Segundo Rogério Duarte do Pateo, antropólogo e professor de Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Minas Gerais, “no momento, a malária se encontra absolutamente descontrolada, por falta de medidas preventivas, degradação ambiental que aumenta a proliferação dos mosquitos vetores e falta de medicamentos”.

O professor denuncia outra aberração típica desse governo fascista que se instalou no Brasil. Mandaram remédio para malária na época da primeira onda do covid e agora, para combater a malária, não tem.

“Não deixa de ser uma ironia passarmos dois anos distribuindo comprimidos de cloroquina, um remédio para a malária que foi usado para covid, mas na hora de tratar na malária, não tem medicação”, denuncia Rogério Pateo.

O antropólogo denuncia ainda a falta de acompanhamento nutricional dos Ianomâmi e reitera as ações criminosas dos garimpeiros:

“É um ciclo. O garimpo leva a um processo de assédio sobre as aldeias. Os garimpeiros passam a oferecer alimentos aos indígenas, o que quebra toda uma estrutura nutricional e os tornam totalmente dependentes de fonte externa de alimentos”.

Além desses problemas, soma-se também o assédio sexual contra os índios praticados por esses garimpeiros.

O Ministério da Saúde e a Funai (Fundação Nacional dos Índios), órgãos aparelhados por bolsonaristas inimigos da saúde e dos povos indígenas, negam abandono. O ministério recebeu R$190 milhões para assistência à saúde, mas os indicadores de saúde estão cada dia piores.

Sofrimento dos índios aumenta com o Covid

Cerca de 62 mil índios foram contaminados pelo coronavírus, que ceifou a vida de mil deles. Segundo estudo da UFMG, crianças e adolescentes indígenas apresentam duas vezes mais riscos de morte por covid do que outras etnias.

Houve ainda uma redução do financiamento à saúde das comunidades indígenas. Segundo a professora Érica Dumont, da Escola de Enfermagem da UFMG:

“No primeiro mês, a Funai suspendeu cestas básicas, fez indicação de isolamento domiciliar sem proteger as terras indígenas dos garimpeiros. Ignorou a testagem desde o início, tanto que a primeira infecção por covid chega por um médico da Sesai [Secretaria de Saúde Indígena] e quando vem o auxílio emergencial, faz com os povos saiam das aldeias para buscar esse auxílio. Além de negarem atendimento para os indígenas que vivem na cidade”.

A Funai executou apenas 38% do orçamento referente ao auxílio emergencial e excluiu desse orçamento os povos indígenas que estavam nas terras demarcadas. As vacinas também demoraram bastante para chegar nas comunidades.

Outro grave problema que vem colaborando para o extermínio dos índios é a questão da terra. Enquanto as autoridades pediam para que os índios ficassem em casa no começo da pandemia, os conflitos de terras aumentaram e fizeram subir em 1.000% o número de mortes. A demarcação das terras indígenas é fundamental para frear esse extermínio. O projeto de Lei do marco temporal, que limita as terras indígenas apenas àquelas que estavam na posse dos índios antes da promulgação da Constituição de 1988, tem que ser derrubado e precisa do apoio de toda sociedade, pois o Supremo Tribunal Federal, que julgará a questão, tende a agir em prol dos latifundiários.

Esses são os sofrimentos e a luta dos povos indígenas. São problemas concretos. A esquerda pequeno-burguesa, que vive adotando políticas distracionistas, abstratas, inócuas, como queimar estátuas ou mudar nome de ruas e avenidas de supostos carrascos da história, como o bandeirante Borba Gato, que viveu há três séculos, precisa se conscientizar e ver que os verdadeiros inimigos dos povos indígenas estão vivos e precisam ser desmascarados e derrotados agora. Culpar de forma incorreta os Bandeirantes pelo sofrimento dos índios não resolve o problema, apenas desinforma e esconde os verdadeiros carrascos.

Para acabar com o extermínio dos índios, é preciso lutar por mais respeito, demarcação das terras, saúde, educação e representatividade nos órgãos que devem defender os índios. E que todos os povos indígenas também se unam à luta da classe operária contra a burguesia, que é responsável por essa tragédia.

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