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Conferência aprovou luta contra reformas e por Lula presidente

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Frente Ampla golpista

PDT e DEM: “terceira via” e bolsonarismo de mãos dadas

A aliança entre PDT e os próprios bolsonaristas do DEM demonstra que a direita dita “democrática” é tão fascista quanto Bolsonaro.

Ciro Gomes, fascista em pele de “esquerdista”. – Reprodução

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O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anuncia que seu partido muito provavelmente fará aliança com o DEM em apoio à candidatura de ACM Neto ao governo da Bahia, indicando o candidato a vice ou a senador da chapa. As motivações não veladas das partes revelam, mais uma vez, qual é o papel do PDT, e muito especialmente, de Ciro Gomes, no jogo político da burguesia. O DEM, que compõe a base do governo Bolsonaro, tenta na Bahia se afastar de Bolsonaro dada a sua alta rejeição no estado. O opositor mais forte do DEM nas eleições para governador será evidentemente o candidato do PT, que inclusive tem o governo do estado. Por outro lado, o PDT de Ciro Gomes, no estado mais importante da região Nordeste, região em que o PT tem ampla base eleitoral, prefere coligar-se com o bolsonarista do DEM para derrotar justamente o PT. 

Esta notícia já não causa mais espanto. Primeiro, porque a aliança entre PDT e DEM já está sendo articulada no Nordeste desde as eleições municipais de 2020. Mas principalmente porque como já amplamente denunciado por este Diário Causa Operária, a aliança expressa o papel que o PDT e Ciro Gomes exercem e exerceram nas diferentes fases do golpe. 

Na primeira fase do golpe, o impedimento da presidenta Dilma Rousseff, o PDT votou em peso a favor da deposição da presidente legitimamente eleita. 

Na segunda fase, as eleições de 2018, Ciro Gomes, capacho da burguesia imperialista, se colocou como força auxiliar do golpe, um verdadeiro cavalo de Tróia dentro da esquerda para tirar votos do PT. Tomando como legenda de aluguel o PDT que, embora sem tirar nem pôr seja um partido burguês de direita, goza no seio de uma pequena burguesia de esquerda mais confusa de uma reputação de verniz esquerdista advinda do brizolismo, Ciro Gomes, sem nunca denunciar a fraude de uma eleição sem Lula candidato, foi alçado pela imprensa golpista como intelectual, adotou um repertório “esquerdista” e “nacional-desenvolvimentista” e moderou o discurso anti-Lula – embora defendesse a Lava Jato e acusasse a “corrupção dentro do PT” – de maneira a aliciar os votos do candidato do PT. No segundo turno, quando seu papel na fraude eleitoral estava concluído, foi para Paris, o que beneficiou a eleição de Bolsonaro.

Na presente fase, a terceira fase do golpe, o PDT agora se coloca como a ponte entre a esquerda pequeno-burguesa do PC do B e do PSOL e o DEM, partido da base governista de Bolsonaro, na composição da frente ampla, cujos principais inimigos são – não Bolsonaro – mas o PT e o Lula, como o próprio abutre Ciro Gomes já confessou em entrevista à golpista Folha de São Paulo. Nesta fase, Ciro Gomes adota um discurso abertamente fascista, atacando Lula e o PT lulista em toda oportunidade que tem, com as baixarias de que é muito capaz. Ciro Gomes é um agente estratégico nesta operação. Tradicional político burguês, tendo iniciado sua carreira no partido herdeiro da ditadura militar PDS, principal representante da oligarquia dos Ferreira Gomes no Ceará que tem um grande domínio sobre a política cearense e da região, Ciro Gomes é o principal agente da política de destruição do PT tanto pela cooptação ou campanha de desmoralização da direção petista quanto pelo aliciamento da base eleitoral do PT. Não por acaso, seu padrinho político, a quem sempre enaltece profusamente, é Tasso Jereissati do PSDB, articulador do projeto de privatização do serviço de saneamento básico, e cujo grupo empresarial é representante da Coca-Cola no Brasil.

No projeto frente amplista de salvação do decrépito e infame “centrão”, a esquerda pequeno-burguesa do PC do B e do PSOL, quinta coluna da burguesia, entram como oposição ao PT “pela esquerda” para dar um verniz esquerdista – que cada vez menos se sustenta -, na tentativa de impulsionar junto ao PDT a transferência de votos das suas próprias bases eleitorais e da base eleitoral do PT para o “centrão”. Em troca, esta esquerda oportunista ganharia (é a promessa) as migalhas do espólio do PT, carguinhos subalternos no regime burguês decadente. Tudo isto enquanto rifa o futuro da população.

A crise do regime golpista é tão profunda que a burguesia não está disposta a abrir mão de nenhum de seus ganhos para garantir mínimas condições de vida para a população. Neste cenário, a polarização política se exacerba, a população não está mais, por sua vez, disposta a confiar nos políticos defensores do status-quo, notadamente o “centrão” político. Embora não fosse a primeira opção, Bolsonaro acabou sendo a opção da burguesia no segundo turno das eleições de 2018 contra o PT. Entretanto, com sua base popular que abarca setores mais fracos da burguesia, um proletariado lumpen, incluindo as bases das forças policiais e das forças armadas, Bolsonaro está ao mesmo tempo constrangido na aplicação do projeto neoliberal pelas próprias contradições internas da sua base, assim como assume uma relativa e perigosa independência do setor dominante da burguesia. Bolsonaro é, portanto, um representante de segunda linha, incômodo, da burguesia, embora, não exista oposição real, do ponto de vista programático, entre o “centrão” e Bolsonaro: basta analisar a ampla convergência no Congresso entre os partidos burgueses, tais como PDT, PSB e PSDB e os projetos do governo Bolsonaro.

Lula, por sua vez, enquanto maior líder popular do Brasil, com uma base popular ampla em meio à classe trabalhadora urbana e rural, cuja liderança foi forjada sobre a luta operária contra a ditadura militar, representa eleitoralmente e em meio à luta popular, o pólo oposto a Bolsonaro. Lula, queira ele mesmo ou não, reúne em si um poder de mobilização de caráter potencialmente revolucionário de uma classe que, pelo seu próprio potencial revolucionário, é capaz de destruir por completo o frágil e dissimulado equilíbrio do regime burguês no Brasil.

Os atos massivos iniciados no último dia 29 de maio demonstraram um ímpeto muito grande da militância de esquerda e da população trabalhadora mais politizada, de mobilização não apenas contra o governo Bolsonaro, mas contra o regime burguês como um todo. Lula é a liderança política que personifica para o povo as reivindicações das mobilizações. Não por acaso, tão logo a burguesia se deu conta de que a política demagógica genocida do “fique em casa” não poderia conter mais as mobilizações, entrou em ação a tentativa de sequestro dos atos pela direita golpista, representada principalmente pelo PSDB e pelo PDT, vale dizer, a convite do PSOL e do PC do B. Não por acaso, simultaneamente se instaurou por parte do PDT e do PSDB com apoio da esquerda quinta coluna da burguesia, uma série de ataques ao PCO por ser o único setor da esquerda a oferecer oposição real à infiltração dos atos pela direita e a defender a presença de Lula nas manifestações. Neste exato momento, a tentativa de sabotagem das mobilizações por parte da frente ampla está em pleno curso, como se pôde ver no fracasso de convocação dos atos do dia 18 de agosto e como se vê na ausência de organização, convocação para o 7 de setembro e na capitulação diante dos atos da extrema-direita. Neste exato momento, Bolsonaro prepara uma demonstração de força e estamos sob a ameaça de um ato da extrema-direita fascista armada no 7 de setembro, que poderá desencadear uma ruptura institucional aguda. A prova da decadência política dos partidos burgueses tradicionais é a sua capitulação diante do bolsonarismo. Mais que isso, como demonstra a aliança entre PDT e os próprios bolsonaristas do DEM, a direita dita “democrática” é tão fascista quanto Bolsonaro, e enquanto capitula diante do bolsonarismo, ataca e tenta destruir a esquerda e a mobilização popular.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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