Burguesia não está disposta a deixar Lula governar para o povo

Uma ameaça à vitória de Lula

Ficou provado que “centrais de brinquedo” não mobilizam ninguém

Fracasso do 1º de Maio mostrou que a política de unidade com os pelegos das centrais ligadas à burguesia golpista não abrem caminho para uma mobilização efetiva dos trabalhadores

Lula discursa no Ato em frente ao Pacaembu – Foto: Reprodução.

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O 1º de Maio “unificado” da CUT com as demais “centrais” foi um grande fiasco em termos de mobilização dos trabalhadores, no seu Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora.

Isso não pode deixar de ser dito, de forma nua e crua, sem que se tente – sem chance de sucesso – tapar o sol com a peneira.

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Em primeiro lugar, marcaram o ato nacional para um lugar afastado do centro da cidade, um estádio “abandonado”, em que não há mais partidas de futebol e que, há muito deixou de ser um local de atividades de massas. Situado em um bairro nobre, distante de trens, metrôs etc. , ou seja, do transporte de massas. Em torno do ato não houve nenhum esforço geral de mobilização, nenhuma campanha de massas, também não se viu a organização de caravanas regionais dos sindicatos etc. como assinalamos aqui em várias artigos neste Diário, e o resultado foi um comparecimento inexpressivo, para a data e para as necessidades da luta política que está colocada.

O reduzido público de alguns milhares, foi convocado por várias centrais “sindicais”, que apenas no Estado de São Paulo, tem afiliados mais de mil sindicatos, com mais de 30 mil diretores e mais de 50 mil funcionários e assessores. Se acrescentássemos apenas as famílias dessa vasta burocracia, teríamos um público de mais de 300 mil pessoas. Nem 1% destes estavam presentes.

Se considerarmos ainda que “apoiavam” o ato, todos os partidos da esquerda parlamentar, com dezenas de deputados e centenas de vereadores e milhares de parlamentares, também veríamos que nem mesmo essa esquerda se fez presente a manifestação.

Desmascarando a realidade das “centrais”

Esse público diminuto traz à tona, em primeiro lugar, o que de fato são as “centrais”, que “mobilizaram” um tão pouca gente para um ato de um dia tradicional e que contou com a presença da liderança operária mais popular do País e que lidera as pesquisas eleitorais para as eleições presidenciais marcadas para outubro.

No ato, ao lado de centenas ou talvez alguns milhares de ativistas da Central única dos Trabalhadores (CUT) – que também não mobilizou suas bases para o Ato, era visível a presença de pequenas claques das demais “centrais” (incluindo alguns contratados para se “fantasiarem” de militantes e carregarem bandeiras. Mas toda essa “unidade” não garantiu sequer que as “centrais” levasse mais gente que o governo bolsonarista às ruas no “Dia do Trabalhador”.

A burocracia das “centrais” direitistas (como Forca Sindical, UGT etc., criadas com apoio patronal para dividir a CUT), que apoiaram o golpe de Estado e todas as medidas dos governos da direita contra os trabalhadores,  não levaram – como sempre – ninguém, a não ser um punhado de velhos dirigentes sem apoio real nas suas bases, chefes de sindicatos sem atividade sindical real (sem assembleias, sem atos, sem organização de base etc.), foram ao ato para discursar e valorizar sua própria existência e parasitismo.

Então qual a contribuição dessas centrais sindicais? Pois mais de 90% dos presentes era o público da esquerda, era vermelho, ligados esmagadoramente à CUT; ativistas, militantes e simpatizantes do PT, PCO etc. Para que serve tal “unidade, se nem mesmo conseguem levar gente no 1º de maio.

Trata-se de uma fantasia. Uma unidade que não passa de uma coisa fictícia. No mundo real, a aliança da CUT (com enorme poder de mobilização) com as “centrais” de brinquedo não significa nada porque sequer é capaz de mobilizar os trabalhadores para um ato no seu Dia.

Na contra mão das necessidades

Além de expressar uma organização sindical anacrônica, ultrapassada, que não tem serventia real para mobilizar os trabalhadores, o ato expressou a contradição entre as necessidades de luta dos trabalhadores, diante do avanço da crise, e a a política fracassada das direções sindicais.

Ao invés de um ato de luta pelas reivindicações centrais dos trabalhadores contra a inflação (pela reposição de 100% das perdas, salário mínimo vital – que segundo o Dieese deveria ser de cerca de R$6.500 etc.) e contra o desemprego (redução da jornada de trabalho para 35h semanais, fim das demissões etc.), o que se viu foram discursos vazios e apelos genéricos em “defesa da vida”.

Cada sindicato vinculado às chamadas “centrais” unificadas no ato não levou sequer três pessoas para o ato e não se viu nenhuma campanha concreta em torno de qualquer reivindicação fundamental para os trabalhadores. Isso em uma data que surgiu da luta concreta dos trabalhadores pela jornada máxima de ouro horas de trabalho que unificou os trabalhadores de todo o Mundo.

Unidade em torno do Lula não é real

Um dos motivos para o esvaziamento do Ato foi que a principal figura do Ato, com capacidade de mobilizar dezenas ou centenas de milhares de pessoas (ao contrário dos dirigentes sindicais sem apoio das “centrais”), o ex-presidente Lula, o candidato dos trabalhadores nas próximas eleições sequer foi citado nos poucos materiais de convocação do ato que foram distribuídos ou até mesmo nas redes sociais.

Uma clara evidência que  a chamada “unidade” em torno do Lula também não é real.

Isso porque a maioria dos sindicatos dessas “centrais”, curso chefes discursam dizendo apoiar Lula (para tentar recuperar parte do prestígio perdido ou que nunca tiveram),  vão apoiar os piores elementos que vai aparecer na eleição. Não se trata apenas de que vão apoiar candidatos burgueses, afinal o próprio Lula e o PT estão numa aliança com o Alckmin e outros políticos da burguesia. Pior do que isso,  muitos “sindicalistas” vão apoiar políticos ainda mais delinquentes, com claros vínculos com a direita, incluindo bolsonaristas e vigaristas da chamada terceira via.

No melhor dos casos, em relação aos sindicalistas patronais das “centrais”, repete-se uma característica que tomou conta da campanha do PT, do Lula, na qual muitos políticos burgueses e vigaristas de todo tipo não estão apoiando o Lula, mas se apoiando no Lula, ou sendo apoiados por Lula.

Alem disso, a presença dos “chefes” das “centrais” fazendo discurso com aparência (remota)  progressista, encenando que tá apoiando o Lula, é usada como uma espécie de credencial que vai servir para trair os trabalhadores em todas as oportunidades, para dar aval a outras traições. Como já vem ocorrendo. Os pelegos da Força Sindical que fingem apoiar o Lula, são os mesmo que estão enterrando a luta dos trabalhadores da CSN; os pelegos da UGT (PSD) fingem apoiar o Lula, enquanto desmontaram a greve dos garis do Rio etc. etc. etc.

O dirigente que melhor representa esse sindicalismo é o famoso deputado Paulinho da Força, que não foi falou no ato e que fez campanha aberta pelo golpe, pela prisão de Lula, pela aprovação das “reformas” de Temer etc. e, agora, se escora em Lula, para usar se recompor, obter novo mandato, ter melhores condições de pressionar a campanha de Lula para a direita etc.

No Ato, vigorou a politica reacionária desse setor, de não mobilizar os trabalhadores, de não defender nada de concreto para os trabalhadores, de fazer demagogia, de evitar o enfrentamento que leve à derrota  da direita etc. uma política que é um perigo real contra as possibilidades de uma vitoria do candidato dos trabalhadores nas eleições.

Ficou evidente que, se depender desses setores, não haverá mobilização nenhuma, não haverá povo nas ruas, sem o que não haverá vitoria do povo trabalhador. Uma vez que a direita, diante do perigo da vitoria da esquerda está tramando e buscando se articular, seja em torno de um candidato “alternativo”da direita, seja no apoio ao próprio Bolsonaro, na medida em que não haja outra possibilidade para a direita.

Foi um péssimo começo de campanha. Um fracasso do que foi o primeiro ato público coma presença do ex-presidente que poucos dias depois foi proclamado o candidato do PT e de um conjunto de partidos, a maioria dos quais interessados em tirar uma “casquinha” do prestígio de Lula, mas – de forma alguma – comprometido em levar adiante uma luta real que leve à derrota da direita golpista (com a qual muitos estão mancomunados).

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