Doria desiste da candidatura à Presidência da República

Êxito político e organizativo

Conferência aprovou luta contra reformas e por Lula presidente

Encontro debateu a crise no movimento operário, diante da falência da politica de suas direções e deliberou mobilizar pelas reivindicações operárias e por Lula presidente

Uma das mesas da “Conferência Sindical Vermelha” – Foto: DCO

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Com 87 companheiros inscritos e presença de mais de 75%, apesar dos graves problemas de última hora envolvendo casos de covid e companheiros atingidos pelas fortes chuvas de MG e BA, a Conferência Sindical Nacional da Causa Operária, realizou-se no último fim de semana, com a participação de dirigentes e ativistas sindicais de todas as regiões do País e companheiros do PCO de três países da Europa.

Em um momento de enorme paralisia do movimento sindical, diante de duros ataques do governo Bolsonaro e de toda a direita, que dão continuidade à política do regime erguido a partir do golpe de Estado de 2016, visando expropriar a classe trabalhadora e a imensa maioria do povo brasileiro em favor dos tubarões capitalistas internacionais (imperialismo) e do grande capital “nacional”, o encontro foi convocado pela Corrente Sindical Nacional Causa Operária e contou com a participação de companheiros do Bloco Vermelho, que se desenvolveu ao longo da luta contra o golpe, pelo Fora Bolsonaro e por Lula presidente.

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Além de intensos debates, a Conferência teve momentos de confraternização e descontração entre os companheiros presentes. (foto)

No momento em que o País quebra seguidos recordes de fome e desemprego e todo o peso da crise capitalista é descarregado sobre os trabalhadores, a Conferência Sindical Vermelha teve como objetivo debater essa situação e uma perspectiva classista e revolucionária frente a ela.

O evento foi realizado de forma híbrida, com mais de 70% dos participantes participando presencialmente, como vem sendo uma tradição do movimento combativo em vários momentos decisivos da nossa luta, mesmo durante a pandemia, porque mais do que nunca a classe trabalhadora e suas organizações precisam superar a paralisia e a politica reacionária das direções atuais e o “fique em casa”, impulsionado pela direita, tornou-se cada vez mais uma arma em favor da dispersão e da política de desarmamento dos trabalhadores, quando mais do que nunca, precisam da forca de sua mobilização, nas ruas.

Com Lula, contra as reformas

A Conferência ocorreu poucos dias depois das declarações do ex-presidente Lula, elogiando a revisão da reforma trabalhista realizada na Espanha em 2012, defendendo em suas redes sociais que era preciso recuperar direitos e revogar a reforma trabalhista no Brasil. O que fez com que o mesmo fosse alvo de uma enxurrada de críticas da parte de toda a direita golpista e da sua imprensa venal, bem como de supostos aliados, que tramam contra a candidatura de Lula e mais ainda, contras as propostas mais progressistas, de interesse dos trabalhadores por ele defendidas.

Contando, inclusive com a participação de camaradas da Espanha e de outros países da Europa, foram analisar as consequências da nefasta reforma trabalhista naquele país, em dezembro de 2012, que não levou a nenhum progresso, apenas a retrocessos nas condições de trabalho, rebaixamento de salário, fazendo  o país chegar a uma taxa de desemprego de 14,5%, muito semelhante ao desemprego “oficial” do Brasil e uma das mais altas do continente europeu. Foi debatido que a revisão realizada pelo governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) está bem distante de representar um cancelamento geral dos ataques contra os trabalhadores daquele país, sendo uma forma de ratificar a reforma contra os trabalhadores, o que inclui até mesmo a dura repressão contra sindicalistas que protestam contra o limitado projeto do governo “socialista”.

Foi aprovado como um dos eixos do programa do programa de lutas, justamente a luta PELA “Revogação de todas as “reformas” do golpe de 2016; com destaque na necessidade do cancelamento da “reforma” trabalhista, retorno e ampliação de toda a legislação de proteção dos trabalhadores.

Se opondo à política de derrotas da burocracia sindical de buscar um entendimento co a burguesia golpista, sanguessuga do povo trabalhador, que deu o golpe, apoiou Bolsonaro e toda a política de matança do povo, a Conferência procurou debater o programa e as propostas de mobilização  para levantar os trabalhadores, por detrás da candidatura de Lula, em favor das suas próprias reivindicações diante da crise.

A situação evidencia que burguesia golpista não está disposta a nenhum acordo, a nenhuma concessão em favor dos trabalhadores. Sua política continua sendo a de expropriar brutalmente os trabalhadores e todo o povo brasileiro em favor dos seus próprios interesses diante do agravamento da crise capitalista, que não dá sinais de arrefecimento.

Por isso mesmo, a revogação integral dessas e outras reformas só poderá ser conquistada por meio de um enfrentamento dos trabalhadores com a burguesia e seus representantes políticos. Nestas condições, a tarefa das direções da esquerda e das organizações dos trabalhadores é levantar o debate sobre o programa com as reivindicações concretas que ponham abaixo a destruição dos direitos democráticos e impulsione a necessária mobilização nas ruas, que imponham condições políticas capazes de permitir a reversão das medidas draconianas adotadas desde 2016.

Foi aprovada a proposta de construir, pelo menos, 100 Comitês de Luta de categorias, pelas reivindicações centrais e por Lula presidente, por um governo dos trabalhadores.

Chamado à organização independente e à mobilização

Um amplo debate foi feito, no segundo dia do encontro, sobre a necessidade de realizar uma intensa campanha de agitação e propaganda entre os trabalhadores.  Ir aos locais de trabalho, chamar os trabalhadores a mobilizarem-se em apoio à candidatura de Lula, na defesa da restituição de todos os seus direitos roubados pelo golpe, proposta que ainda encontra resistência no interior das organizações dirigidas pela burocracia, mas que encontra um apoio crescente entre os trabalhadores nos seus locais das trabalho e moradia.

Para levar essa política às ruas, umas principais propostas que estamos levando à Conferência é a campanha pela convocação de  Congressos Nacionais da CUT, do MST, da CMP, dos estudantes e demais setores populares, para impulsionar a luta, impô-la pela força contra a expropriação do povo trabalhador da burguesia golpista.

conferência delegados
Grupo de delegados da Conferência

Na tarde de domingo (16), os participantes da Conferência reuniram-se em grupos setoriais, como trabalhadores da Educação, servidores públicos e de estatais, operários, aposentados etc. e debateram aspectos da luta nas categorias e a organização de Comitês de Luta, oposições sindicais e outras formas de organização de base para impulsionar a mobilização, quebrando a paralisia das direções sindicais, lutando para construir uma nova direção para as lutas dos trabalhadores.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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