Rafael Dantas

Sobre o RAFAEL

Membro da direção nacional do PCO, é também Secretário de Relações Internacionais do partido.Atua na imprensa partidária desde que começou a militar, no início dos anos 2000.Chefia a redação do jornal Causa Operária, sendo um dos responsáveis pela publicação regular do semanário impresso do partido há 14 anos.Estudou Filosofia na USP, onde travou uma luta política ao lado de outros companheiros do PCO e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR) na liderança da ala extrema esquerda do movimento estudantil nas famosas greves com ocupação da reitoria em 2007 e 2011.Editou, de 2011 a 2014, o Jornal da USP Livre!, porta-voz da oposição à reitoria de João Grandino Rodas, da luta contra a Polícia Militar no campus e pelo poder estudantil na Universidade.Palestrante, ministrou aulas em diversos cursos da Universidade Marxista do PCO. Apresenta, na COTV, o telejornal Resumo da Semana, aos domingos, às 20h30.

Membro da direção do PCO. Secretário de Relações Internacionais do Partido. Chefe de redação do jornal Causa Operária

Exclusivo de Lugansk

“O sindicato era o quartel-general da mobilização antifascista”

Entrevista com os dirigentes da Federação dos Sindicatos da República Popular de Lugansk

– Rafael Dantas e Eduardo Vasco, de Lugansk

A equipe de imprensa do Partido da Causa Operária se encontrou nesta segunda-feira (16) com a direção da Federação dos Sindicatos da República Popular de Lugansk, seu presidente, Igor Rabuchkin, e um membro do conselho, Andrei Kochetov, chefe do ramo sindical dos trabalhadores de pequenas empresas.

Eles contaram como funcionam os sindicatos na República Popular, o seu papel como organizações auxiliares na organização do Estado e da produção no País, algo bastante diferente do que ocorre no Brasil ou em outras partes do mundo, já que aqui os sindicatos e o Estado estão do mesmo lado.

Porém, ao contrário do que se poderia pensar, esse lado não é o lado dos patrões. Não há grandes capitalistas no país que declarou sua independência em 2014. Também não há capitalistas no governo. E a Federação dos Sindicatos tem desempenhado, nesses oito anos de existência da república e de guerra, o papel de principal mecanismo do povo de Lugansk.

No prédio onde se localiza a sede da organização, trabalham as direções da metade dos sindicatos do país, além de funcionar também a redação do jornal Edinstvo, semanário da Federação dos Sindicatos, que é distribuído a partir dali para todos os ramos industriais.

Igor Rabuchkin, presidente da Federação, e Andrei Kochetov, chefe do ramo sindical dos trabalhadores de pequenas empresas.

Primeiramente, obrigado por nos receber. Como os sindicatos se organizam em Lugansk?

O primeiro ponto era organizar os ramos nas fábricas e empresas. Nosso principal objetivo é transmitir os problemas dos trabalhadores para as autoridades da República.

Quantos trabalhadores a Federação representa?

São 167.000 trabalhadores em 32 ramos sindicais. Temos representatividade em toda a República, com trabalhadores da indústria do carvão, metalúrgicos, médicos, educação, agricultura.

Vocês são membros de algum partido político?

Os partidos políticos hoje são proibidos. Vocês sabem quantos partidos havia na Ucrânia? Quatrocentos e sessenta e quatro partidos. Era um verdadeiro circo. Lembro-me do partido dos milicianos aposentados? Acho que foi uma boa decisão em 2014 termos proibido os partidos políticos. Temos movimentos políticos, um deles mais públicos, outro mais ligado a questões econômicas.

Mas vocês têm partidos políticos, por exemplo, o partido comunista…

Veja, eles não são tão proibidos a ponto de serem presos, mas eles não possuem representantes no nosso parlamento. Pouco mais de dez por cento do Conselho Popular (ou Soviet do Povo, o parlamento da RPL) é de representantes das direções dos sindicatos – seis parlamentares entre 50.

E os outros 90%? 

São apenas deputados permanentes, suas atividades estão conectadas apenas à atividade parlamentar. Nossos representantes ocupam os cargos de representantes-chefe das comissões do Conselho Popular.

Há membros que fizeram parte de partidos ou do governo ucraniano ainda em atividade na política ou nos sindicatos?

É possível dizer que aqui temos algumas pessoas que costumavam trabalhar na federação dos sindicatos do Oblast de Lugansk. Não me lembro dos partidos políticos. O Partido das Regiões e também o Partido Comunista, mas não me lembro muito bem.

Qual é a principal questão, a principal reivindicação de todos os trabalhadores?

As principais questões são as garantias sociais nos locais de trabalho, como de costume. Agora, o nosso principal objetivo são os territórios recém-liberados, que eram parte da Ucrânia até março, mas que agora estão integrados à República Popular de Lugansk. Nosso principal objetivo agora é integrá-los e envolvê-los no processo e criar boas condições para os trabalhadores. 

Qual é a relação entre essa organização e o governo?

Nós cooperamos com o governo em uma base diária, transmitindo os problemas para os líderes do governo. É um trabalho diário.

Qual é o salário médio de um trabalhador em Lugansk? Existe um mínimo fixo?

[O salário médio] depende, muda [de categoria para categoria]. O salário mínimo é de 10.245 rublos. O principal problema é que estamos bloqueados pelo lado ucraniano e nossa indústria estava muito conectada com a Ucrânia. É muito difícil para nossa indústria conseguir contatos com a Rússia. Em novembro do ano passado, o presidente Putin permitiu que nossas indústrias se conectem [com outras na Federação Russa] sem problemas com a alfândega. Agora as condições são melhores, mas depende porque a situação da nossa economia é precária.

São empresas privadas ou estatais?

Temos ambas, empresas estatais e privadas. É difícil dizer números. A indústria do carvão é propriedade estatal, a indústria metalúrgica é na maioria privada. Mas a economia estatal é a base da nossa economia. Saúde e educação são estatais e os transportes, na sua maioria, estatais. 

Há uma luta pela estatização de toda a economia?

A principal preocupação da Federação dos Sindicatos é com a estabilização dos locais de trabalho, o pagamento regular de seus salários e garantias sociais, suas condições de trabalho e com seus salários. Não nos preocupamos se é o Estado ou a iniciativa privada, porque nossa principal preocupação é com a situação dos trabalhadores.

Qual é o nível de desemprego?

Nossas empresas estão sem trabalhadores, precisamos de trabalhadores. Há postos de trabalho vagos, por causa da guerra. Muitas pessoas deixaram suas casas e foram para a Rússia ou para a guerra. Muitos nunca vão voltar, infelizmente. Perdemos muita mão de obra. Temos falta de trabalhadores braçais e de trabalhadores qualificados e administradores.

Que setor precisa de mais trabalhadores?

Todos. Quase todos os setores, do carvão à metalurgia. O problema dos trabalhadores se agravou com a pandemia de covid-19 e a Operação Especial [para a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia] levou muitos trabalhadores para a frente para defender nossa terra.

Houve greves durante esse período?

Não. A situação é muito difícil. Todas as pessoas na nossa sociedade, do governo, dos sindicatos, são pessoas simples. Os problemas na consolidação da República são resolvidos pela unidade e a cooperação.

Há milionários em Lugansk?

Não sei, não os conhecemos. Nossa tarefa não é lutar contra os ricos, mas contra a pobreza. Todo trabalhador deve ter seu posto de trabalho, um bom salário para sustentar suas famílias.

Qual foi o papel dos sindicatos na independência em 2014?

À medida que a Federação uniu os sindicatos e organizações de trabalhadores, estas apoiaram o referendo e não poderíamos ficar de fora. Defendemos nossa terra e o referendo junto com comitês operários em todo o território. Tomamos parte na organização do referendo simultaneamente com o nosso trabalho regular. Trabalhávamos de dia e à noite nos reuníamos com os que viriam a compor a milícia popular. Em 2014, os membros dos sindicatos apoiaram o referendo, o movimento [de independência] e a direção da Federação fez todo o trabalho conectado com a ajuda humanitária, correios, para conseguir pagar as pensões [para que os aposentados continuassem a receber]. Aqui, na sede dos sindicatos, formou-se um quartel general da mobilização. Quem quisesse defender a pátria podia vir aqui se alistar. A milícia popular recrutava a partir daqui. Tínhamos também um livro de registro das pessoas que queriam auxiliar. As pessoas vinham aqui se cadastrar e assumir tarefas como descarregar os caminhões com ajuda humanitária vindos da Rússia.

Os membros dos sindicatos participaram da luta armada?

Claro. São membros da nossa sociedade. É impossível que os membros dos sindicatos estivessem de fora. São quase 200.000 membros nos sindicatos, então, é claro, todo o país se envolveu nessa mobilização para defender nossa pátria. Hoje, mais precisamente, são 167.000 membros. Também as pessoas que estão procurando emprego vinham aqui. Nos tornamos também um centro para os desempregados.

Havia outras organizações fazendo esse trabalho de organização da ajuda humanitária?

Na mesma medida, acredito que não. Mas o problema é que também não havia telefone e internet e nosso edifício está no centro da cidade. O edifício do governo estava sob controle dos militares. Nós estávamos abertos e as pessoas vinham aqui pedir ajuda se precisassem de comida ou de informação. Nosso edifício sofreu com os bombardeios, que atingiram o outro lado da rua. Não tínhamos janelas e não era seguro, mas as pessoas vinham aqui, temos um porão e os corredores do outro lado eram seguros.

Qual a relação com a milícia popular hoje?

A milícia popular é, hoje, uma instituição separada, mas muitos membros dos sindicatos estão mobilizados nela. E agora nós estamos tentando ajudar suas famílias e a eles próprios, juntamente com a milícia popular, em cooperação para resolver seus problemas, bem como a ajuda humanitária.

Parece que os sindicatos e a Federação são as maiores organizações sociais, que não há nenhum outro órgão parecido que faça o mesmo trabalho…

Talvez sejam os únicos, sim. Seus problemas mudam, mas tentamos resolver todos, a começar pelas doações, ajuda aos soldados e a suas famílias e assim por diante.

Acho que todos os eventos na República estão relacionados de alguma forma com os sindicatos. E participamos, não importa se são eleições, primárias, grandes eventos e celebrações, ou um feriado em homenagem à memorial. O que quer que esteja conectado à vida social passa pelos sindicatos.

Qual é a situação dos trabalhadores no Oeste da Ucrânia?

No Oeste da Ucrânia? Não nos interessa. Para eles, desaparecemos no verão de 2014. Tínhamos muitas conexões com as organizações em outros países, mas nunca nos conectamos. No início de março [de 2014], fui acusado pessoalmente de ter trazido a guerra à Ucrânia, e não temos relações desde então.

Quais são as relações com os sindicatos da República Popular do Donetsk e da Rússia?

Acho que temos uma cooperação total. Temos uma relação muito estreita com o movimento sindical da RPD. Eles nos convidam para participar de suas atividades. Temos os mesmos problemas e entendemos a situação uns dos outros. Quanto aos sindicatos russos, eles nos apoiaram em 2014 e desde então. Agora temos acordos de cooperação e estamos compartilhando experiências com eles. Desde a Operação Especial, nossa relação se estreitou. No 1º de Maio, a Federação Independente dos Sindicatos da Rússia organizou um grande comício e convidaram nossa delegação e de Donetsk para participar e fomos representados aí. Cooperamos o tempo todo, graças a Deus.

Vocês conhecem o ex-presidente Lula, do Brasil?

Sim, claro. Tenho uma camiseta dele. Estivemos presentes a eventos no Brasil duas vezes. Uma em São Paulo e outra em Porto Alegre, quando fomos convidados pelos sindicatos locais.

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A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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