Sobre a Natália

Membro do Comitê Central do Partido da Causa Operária (PCO), secretária de Organização e de Mulheres do Partido.

Coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo e ex-integrante da Aliança da Juventude Revolucionária, pela qual militou no movimento estudantil e organizou greves e ocupações.

Estudou Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Fundadora da Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda do Partido.

Palestrante e debatedora, é colunista do Jornal Causa Operária.

Membro da Direção Nacional do PCO. Secretária de Organização. Dirigente do Coletivo Rosa Luxemburgo.

Há 80 anos do seu assassinato

Por que somos trotskistas

Por que o PCO reivindica o legado de Trotski

Para a maior parte das pessoas, o trotskismo se resume à sua oposição ao stalinismo. É uma maneira simplista de ver as coisas.

O trotskismo é o marxismo dos dias de hoje. Isso porque foi Trotski e não Lênin, e muito menos Marx e Engels, que viveu para poder analisar e elaborar uma política para a etapa imperialista, na qual infelizmente ainda vivemos. 

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Lênin analisou o imperialismo em um livro bem conhecido, mas não viveu para ver de perto fenômenos que só se desenvolveram na etapa superior do capitalismo e são típicos dela.

Exemplos importantes são o fascismo e as frentes populares, que Trotski caracterizou como os últimos recursos do imperialismo na luta contra a revolução proletária. 

A política revolucionária diante desses fenômenos, que dominam o panorama político da nossa época, foi definida por ele e nenhum outro.

Trotski também analisou e definiu uma política diante de um fenômeno que para nós, latino-americanos, é fundamental; o nacionalismo burguês. Infelizmente, a esquerda pequeno-burguesa pouco aprendeu de tais experiências. Continua a procurar na burguesia a salvação diante do fascismo e chega a ver a revolução nos governos nacionalistas dos países atrasados, para logo voltar-se contra eles quando o imperialismo fecha o cerco.

Mais ainda, Trotski elaborou o programa para a etapa imperialista, o Programa de Transição, dando aos revolucionários uma poderosa arma para enfrentar a burguesia.

Por fim, frente a falência da Internacional dominada pela burocracia stalinista, Trotski funda a IV Internacional, o partido mundial da revolução proletária.

A existência de Trotski e a militância política que ele nunca abandonou eram uma ameaça para a burocracia soviética, como também para o imperialismo. Seu assassinato, um dos maiores crimes políticos do nosso tempo, ocorre, não por acaso, no início da Segunda Guerra Mundial, que convulsionou profundamente todo o mundo capitalista e poderia ter tido como desfecho a revolução mundial, não fosse a falta de uma direção revolucionária e a política criminosa do stalinismo.

Diante de tudo isso, seu assassinato ganha ainda maior destaque como um ato profundamente contrarrevolucionário. 

Destaca-se também, e é um exemplo a ser seguido, a firmeza de seu caráter diante de toda a perseguição que sofreu por parte da burocracia stalinista. 

A burocracia stalinista voltou todos os aparatos dos partidos comunistas espalhados pelo mundo, bem como todo o poder da máquina estatal soviética contra Leon Trótski, numa tentativa de esmagá-lo. 

Os partidos comunistas, formados pela onda criada pela Revolução Russa que Trotski havia dirigido, foram usados por Stálin como arma contra ele.

Não bastava contestar suas teses. Na luta implacável da burocracia stalinista contra ele, todos os seus erros do passado foram revirados, sua política foi combatida com apelos aos preconceitos e sentimentos mais atrasados das massas e, finalmente, foi acusado das coisas mais infames. Era preciso acusá-lo de ser inimigo da União Soviética, agente do imperialismo, sabotador e todo tipo de absurdos. 

A luta pela revolução é cheia de reveses e não são poucos os que sucumbem diante do poderio da burguesia, que usa todas as armas ao seu alcance para quebrar o ímpeto dos revolucionários ou, quando a situação escapa de controle, inclusive destruí-los fisicamente. Ainda assim o mundo continua assistindo ao surgimento de revolucionários e revoluções.

Mas na luta contra a burocracia soviética, Trotski foi praticamente o único que não sucumbiu.

A força de suas ideias, de sua política, no entanto, foi maior do que as calúnias e a História acabou provando seu acerto (embora ainda haja quem insista no erro).

Diante de tal exemplo, um partido que se reivindica trotskista tem o dever de não abrir mão de suas convicções e não ceder diante da pressão que a burguesia e o imperialismo fazem direta e indiretamente, por maior que seja.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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