Juliano Lopes

Membro da direção nacional do PCO e coordenador do Coletivo de Negros João Cândido.

Juliano Lopes é formado em Direito pelo Centro Universitário de Brasília, advogado e dirigente da Secretaria Nacional Jurídica do Partido da Causa Operária. Integrantes do Comitê Central do PCO, atuou durante anos como redator do Diário Causa Operária e é colunista do Jornal Causa Operária.

Coordenador do Coletivo de Negros João Cândido, o qual é responsável por elaborar e aplicar uma política democrática e revolucionária para o movimento negro, na organização da emancipação dos negros, que só pode ser completa com a revolução socialista e a abolição da propriedade privada e o fim da repressão estatal.

Membro da Direção Nacional do PCO. Secretário de Negros do Partido. Advogado.

Eleições 2022

O jogo de damas e a urna eletrônica

Nada advindo do TSE pode ser democrático, menos ainda as urnas eletrônicas

Meu tio costumava passar a perna no meu avô quando eles jogavam dama, aos domingos, após uma corrida de fórmula 1 e antes de algum jogo de futebol. Era uma rotina. Eu, mesmo muito novo, manjava os truques do meu tio. 

Eu ficava olhando de longe, quando menos se esperava, meu tio mudava uma peça que, finalmente, mudava o jogo todo. Ele fazia isso ao tirar a atenção do meu avô para algo paralelo, que acontecia nas proximidades ou na televisão. Meu avô, às vezes, percebia que tinha sido roubado, e o pau quebrava, mas muitas vezes ele não via. Eu sempre via e sorria calado.

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Junto de meu irmão, eu soprava, ao pé do ouvido “ele vai roubar agora… você quer ver?”. Meu avó, certas vezes, falava: não jogo pois você (meu tio) irá roubar. Mas ele sempre, sempre, sempre jogava. Os dois eram bons nesse esporte.

Os dois votaram na época dos votos impressos, acho que não chegaram a conhecer o meio eletrônico. Creio que tenham sido mesários ou feito aquelas apurações em grandes ginásios, como o Nilson Nelson, em Brasília (DF), ou mesmo no estádio Mané Garrincha. Contando voto a voto.

Urnas eletrônicas serão controladas por empresa ligada ao PSDB, Moro e Dallagnol

O roubo era fácil de perceber no jogo de damas, pois qualquer pessoa podia apurar o jogo, acompanhar e ver se tinha fraude. No voto impresso o sistema parecia o mesmo, era mais difícil a fraude e muita gente e estados nacionais ainda adotam esse sistema pelo fato de ser um sistema que qualquer pessoa pode auditar, feito jogo de damas. Qualquer civil sem nenhuma qualidade ou conhecimento técnico especial pode fiscalizar. Feito eu nos memoráveis jogos de damas entre meu tio e meu avô. 

É um argumento razoável e me chama atenção que a esquerda e mesmo os de espírito minimamente democrático não se atenham a tal fato.

Vejam vocês alguns trechos da resolução que trata da fiscalização do voto eletrônico. Separei só alguns, para não acabar com a leitura de vocês:

Para isso, são utilizadas operações matemáticas com algoritmos de criptografia assimétrica que atestam sua origem. A criptografia assimétrica faz uso de pares de chaves”

(…) 

“Receptor de Arquivos de Urna (RecArquivos): sistema responsável por receber os pacotes gerados pelo Transportador de Arquivos e colocá-los à disposição para serem consumidos pelo Sistema de Gerenciamento da Totalização”

(…) 

“Bibliotecas-padrão e especiais: bibliotecas-padrão das linguagens C e C++, bibliotecas de código aberto, utilizadas para criptografia e interface gráfica, entre outras funcionalidades”;

(…)

“HotSwapFlash (HSF): serviço utilizado pelo Sistema Gerenciador de Dados, Aplicativos e Interface com a Urna Eletrônica (GEDAI-UE) para particionamento, formatação, leitura e escrita das mídias da urna”;

(…)

“Os arquivos referentes aos programas-fonte, programas executáveis, arquivos fixos dos sistemas, arquivos de assinatura digital, chaves públicas e resumos digitais dos sistemas eleitorais e dos programas de assinatura digital e verificação apresentados pelas entidades e instituições serão gravados em mídias não regraváveis”.

É de se destacar que isso tudo acima é parte de uma resolução, ou seja, não é uma lei. Resolução é um documento que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprova sem passar pelo Congresso Nacional, e tem força de lei. Mais anti-democrático que isso, impossível.

Nem meu tio, nem meu avô e eu ainda menos seria capaz de decifrar que raios eles querem dizer com essas palavras todas da resolução que trata da fiscalização da virginal urna eletrônica. Mas uma coisa, com certeza, nós três teríamos acordo: seremos roubados. 

A você que chegou até aqui,

agradecemos muito por depositar sua confiança no nosso jornalismo e aproveitamos para fazer um pequeno pedido.

O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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